domingo, dezembro 30, 2007

GQL: Um Ano de Alegria, Sangue e Glória( À Deus).



   Conheci meus amigos em determinado momento do ano de 2004, porém, somente nos anos de 2005 é que realmente a amizade começou a se fortalecer. Eu, há pouco tempo tinha acabado de vir de uma igreja presbiteriana, eles já veteranos na Missão Com Adolescentes(MCAD), dentre eles Nilton Rodolfo e Renan Diniz. Carlos Eduardo foi o último, já cerca do segundo semestre de 2005.
    
   Foi ali que se formou a GQL, que causou( e ainda causa) certos “sustos”( ou até mesmo ódio), por não aceitar determinadas doutrinas no meio pentecostal e cristão.
     Não é a toa o que penamos desde o início. É verdade que às vezes vacilávamos em ser enérgicos demais. Todavia, cada vez mais comprovo que não é nosso jeito(Os super pregadores e os próprios que nos faziam oposição falavam até mesmo mais energicamente do que nós).

    O ano de 2007 inciou-se com batalhas e lutas, mas também com alegria  e paz. Nesse ano,pela graça de Deus, conseguimos aprender mais de Deus e também ver a ação D'Ele em nossa vida.
     Deus também nos deu o mundo da blogosfera cristã, onde conheci pessoas valorosas e pessoas que nunca pensei que haveria de conhecer.

      Também foi o ano que através dos blogs, passamos por aflições e “tribunais”, de forma aescapar da polêmica ou da crítica.

      Que Deus abençoe cada um irmão que visitou este polêmico blog, lembrando que se fomo polêmicos, sempre buscamos nada mais visar o Senhor e a Sua Glória.

     Neste ano onde houve certo “sangue(sofrimento), suor(pois lutamos para permanecer fiéis e firmes), mas também glória...para Aquele que é o único de receber toda a honra e glória, pois apesar de nossas falhas e pecados é isso que procuramos buscar e dar para Ele,caso não tenhamos buscado com tanto afinco, que Nosso Senhor e Salvador nos perdoe e nos dê a graça para tentarmo mais uma vez, e sermos vitoriosos.

      “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus,e  a comunhão e a consolação do Espírito Santo seja com todos vós”(2 Co 13:14).

   AMÉN.

 Feliz Ano Novo. 
Soli Deo Gloria.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Natal: Pagão ou Cristão?




Não há dúvidas do impacto do natal na sociedade, sempre quando chega o final do ano( e consequentemente o natal também), vemos milhares de luzes acesas, juntamente com muitas lojas cantando um "Jingle Bell". Todavia, o natal sem sombra de dúvida ainda é motivo de controvérsia. Tanto teológica quanto socialmente. Na parte “social” o que muitas pessoas reduziram esta festa a apenas um gasto de dinheiro.

Porém dentro de um contexto mais cristão, certamente existem implicações teológicas consideráveis a respeito do natal. Será ele uma ordenança bíblica? Ou simplesmente uma festa pagã? É necessário comemorar o natal, ou simplesmente devemos fazer uma festa social em nossa casa? Mas então e a celebração religiosa? Todas essas dúvidas e opiniões divergentes ainda existem hoje.

De um lado há pessoas que classificam o natal como elementos do paganismo da Idade Média, assim também como da tradição Nórdica. Não é necessário o crente celebrar o natal, uma vez que não há ordenança bíblica para isso, sempre vemos a igreja cultuando a Deus no domingo, e não simplesmente em outro dia. Por falar em dia, o dia em que celebramos essa festa nada mais é do que um dia estabelecido baseado no dia de um deus pagão romano. Ainda existe a polêmica sobre a árvore de natal, seria ela um simples emblema pagão e que visava a idolatria? E que dizer do “bom velhinho”? Seria ele o que afirma meu amigo de caminhada Carlos Eduardo, o “Satã Noel”? Todas essa afirmações e dúvidas devem ser ponderadas pela sabedoria bíblica, por isso, certas observações devem ser feitas aqui.

1º NÃO DEVEMOS CONSIDERAR O DIA DE NATAL COMO DIA SANTO.

Muitos crentes que há muito estão afastados da casa do Senhor, na maioria das vezes, comparecem a celebrações de natal em nossas igrejas, no geral apenas para ver um parente se apresentar em uma “comédia” ou cantata de natal, porém alguns vão simplesmente porque questão de tradição, por achar bonito, ou pior, por considerá-lo um dia santo. Não existe, além do domingo, um dia santo especificado na igreja. É óbvio que devemos santificar o dia em adoração a Deus, e em certo sentido todo o dia é dia do Senhor, todavia, em nenhum momento me sinto obrigado a ter que celebrar o dia de natal, podendo inclusive celebrar, se eu quisesse, em outra data do que 25 de dezembro.

2º O CRISTÃO NÃO É OBRIGADO A IR PARA A IGREJA NO DIA DE NATAL.

Essa segunda consideração está ligada com a primeira, como um natal não é um dia santo, não há necessidade do crente ter a obrigação de ir para a igreja no dia de natal.

3º DEVE HAVER LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA NESTA QUESTÃO.

Muitos crentes que são a favor da celebração do natal condenam outros que preferem não celebrá-lo por questões teológicas. Deve haver respeito de ambos os lados, e nenhuma consciência deve ser forçada a aceitar alguma imposição, se quiser comemorar o natal, comemore, se não quiser, não comemore.

Mesmo depois de todas essas precauções ainda existem certas restrições ao natal, será que ainda devemos comemorá-lo?


Devemos ter em mente o princípio que esse debate gira em torno da questão da adoração. È comum vermos nas igrejas livres(metodistas, batistas, pentecostais) a visão da adoração como gratidão, e não como obediência(não que a obediência não esteja incluída, o que me refiro é a questão da ênfase, claro que isso está invertido em alguns lugares). Enquanto que nas igrejas de tradição reformada(principalmente calvinistas como presbiterianos e anglicanos da ala baixa), a ênfase está na obediência, e não se deve acrescentar nada que não esteja prescrito nas escrituras no culto a Deus.

Essas visões vem desde Lutero a Calvino. Lutero cria que nada que estivesse contra as Escrituras poderia ser utilizada no culto a Deus(obviamente com certas restrições), enquanto que Calvino cria que a Escritura era suficiente para a adoração, e todo e qualquer acréscimo era humano, por isso, extremamente perigosos e não confiável, que estabelece a adoração a Deus é o próprio Deus e não nós. Ou seja Lutero cria no culto a Deus mais como gratidão, enquanto que Calvino cria que o culto a Deus era obediência.

Dessas duas visões, certamente Calvino é mais bíblico do que Lutero. A Bíblia claramente mostra que a obediência é extremamente aprazível a Deus, além do que, ela nos aconselha a não irmos além do que está escrito e também que Deus é quem estabelece a adoração (1Co 4:6, Dt 12:38).

Todavia, isso não significa que não tenhamos espaço para oferecer uma adoração de gratidão a Deus, devemos sim agradecer a Deus por seus atos graciosos para conosco, todavia devemos saber como agradecer. Há respaldo bíblico para lembramos o natal e nos alegrarmos? Certamente que há. Como cristãos, devemos lembrar do testemunho da Escritura a respeito de Jesus, e devemos celebrar a morte de Cristo principalmente, pois isso é tanto por mandamento como que por gratidão, enquanto que o natal é simplesmente uma oferta de gratidão a Deus, que pode ser oferecida ou não pelos crentes. Como já falei, se quiser, celebre, se não quiser, não se celebre. Deve-se lembrar também que o nascimento de Jesus foi um momento especial, a ponto da Escritura relatar este fato, e ela também relata a alegria dos anjos:

Ora, havia naquela comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias d enoite, o seu rebanho. E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhoros cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais,porque eis aqui vos trago boas novas de grande alegria, que será para todo o povo: pois na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. E no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão de exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo:
Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens”(Lc 2:8-14)

Não devemos esquecer algo maravilhoso como este, lembrando que é extremamente recomendável que a igreja utilize desse dia para pregar e anunciar a Cristo.

Soli Deo Gloria

segunda-feira, dezembro 03, 2007

O Traducionismo e Macedo: Assombrosa Distorção


Há certas semanas atrás o mundo evangélico ficou chocado com as polêmicas declarações de Edir Macedo sobre a questão do aborto. Segundo Macedo, que gera a vida não é por necessidade Deus, mas sim o ser humano, o feto é gerado, tanto física quanto espiritualmente pelos pais. A única alma e espírito que foi criado por Deus foi do primeiro homem. Fiquei um tanto chocado e também curioso.

Por mais herege que a definição de Macedo possua, certamente ela nos coloca diante de um entrave teológico. A visão que Macedo defende( ou pensa defender, ainda que não saiba) é traducionismo, visão teológica que defende que quem gera a alma do ser humano, a exceção de Adão, são seus genitores, e não diretamente por Deus. Essa visão não pode ser de um todo desprezível, afinal, as semelhanças entre pais e filhos é por demais evidente, não somente física, mas também espiritual. O caráter dos homens se parece, muitas vezes, por demais com seus pais, muitas vezes mesmo sem ter contato direto. Existe também outra visão teológica, que rivaliza com essa, é a visão criacionista da alma. Nessa visão, os pais simplesmente geram a parte biológica da criança, enquanto que quem gera a alma é Deus. Essas duas visões dividem os teólogos ortodoxos há séculos. 

Um exemplo mais famoso é na época da reforma, com Lutero e Calvino. Lutero defendia o traducionismo, enquanto Calvino era um prático criacionista. Meu objetivo com este artigo não é fazer uma ampla reflexão sobre este assunto, a meu ver, ambas as visões apresentam dificuldades e soluções, e na verdade ambas devem estar juntas ao invés de separadas. Todavia meu objetivo aqui é focalizar a questão de Macedo e o aborto. Será mesmo que o traducionismo defende o aborto? Ou pelo menos dá respaldo teológico para isso? Lutero certamente reagiria com veemência contra esta afirmação. Ainda que os pais sejam a causa “primária”( se formos analisar do ponto de vista da soberania de Deus, podemos afirmar que Deus cria a alma por meio do pais, sendo eles a fonte secundária) da criação da alma de um indivíduo, ainda assim isso não nega a questão desse mesmo indicio: o feto é um ser humano distinto e com direito à vida. Do ponto de vista ainda mais bíblico, não se pode tirar a vida de um ser humano deliberadamente. Isto é assassinato. Fora isso ainda que os pais tivessem certo direito sobre o feto ainda assim estariam em pecado, haja vista a Bíblia dizer que os filhos são herança do Senhor, não tendo eles direitos absolutos sobre a criança. Por isso é que traducionistas como Lutero não viam nenhum problema com sua visão e a rejeição do aborto.

Por isso, por mais que Macedo tente se justificar com pretexto de traducionismo, ainda assim sua opinião não se sustenta. Portanto, é por demais absurdo que ainda existam pastores e líderes que sejam a favor do aborto, e pior ainda são os crentes que se deixam levar por tal doutrina sob pretexto de auto piedade para com a genitora ou até mesmo por egocentrismo. O aborto é certamente anti-bíblico e anti-teológico, qualquer tentativa de justificá-lo não passa de perversão da moral cristã. Que estejamos alertas e firmes contra os falsos profetas.

Soli Deo Gloria

sábado, novembro 17, 2007

Onde Estás, Ó Beréia?




Uma das doutrinas mais contundentes da reforma, depois dos Sola, sem dúvida alguma é a do sacerdócio de todos os crentes. A primeira vista essa doutrina parece simples e banal, principalmente nos dias de hoje. Mas foi revolucionária na história do protestantismo,e hoje mais do que nunca, essa doutrina precisa ser revivida na memória dos crentes.
A doutrina do sacerdócio de todos os crentes afirma que cada fiel é capaz de interpretar a Bíblia por si mesmo, com o auxilio(iluminação, direção, testemunho) do Espírito Santo, sem necessidade de mediadores. Na idade média quem detinha o conhecimento e interpretação era a instituição estabelecida, ou seja, a igreja católica-romana. O fiel necessitava da igreja para entender a Bíblia. Com o passar do tempo a igreja acabou sendo de certa forma uma mediadora entre Deus e os homens, substituindo o lugar da Bíblia e até mesmo do próprio Cristo.
Com o advento da reforma tudo mudou, e a partir de agora, o fiel teria a capacidade de aprender a palavra de Deus por si mesmo com o auxilio do Espírito Santo. Essa, certamente foi uma das doutrinas que mais abalou Roma, que possuía um controle fortíssimo sobre a consciência dos cristãos da época.
Todavia com essa doutrina, o tiro pode certamente sair pela culatra. Se todos podem interpretar a Bíblia, como saber se uma interpretação é correta ou não? Haja vista que há muitos casos de interpretação forçada ou errada da palavra, muitas vezes com consequências gravíssimas para a saúde espiritual dos crentes. Diante desse fato, o que fazer? É aí que entra o papel do pastor/líder na congregação.
Em nenhum momento a doutrina do sacerdócio de todos os crentes busca denegrir o papel do pastor na congregação. Pelo contrário, o papel dos pastores são fundamentais,pois são ministros de Deus treinados na Palavra com o intuito de edificar os crentes. A principal diferença nessa doutrina é que ao invés do crente ser meramente um ouvinte passivo e dependente do conhecimento do clero, ele é um investigador, que pensa por si mesmo, tendo a mente totalmente cativa por Deus e pela sua Palavra, orientado pelo Espírito Santo, ele é um exemplo de crente bereiano, que apear de respeitar o pregador, confere se suas palavras estão de acordo com a Palavra de Deus.
Diante desse fato, não custa nada perguntar: Ainda há o sacerdócio de todos os crentes? Muitos crentes estão cada vez mais deixando-se envolver por pastores e líderes heréticos, sem um mínimo de compromisso com Deus. Tais pessoas acabam defendendo e lutando por uma pessoas e não pela causa do evangelho, e certamente isto é por demais anti-bíblico. Líderes compromissados com a Palavra devem buscar dar alimento sólido pra o rebanho, produzindo um laicato fortalecido e vibrante pela causa do Senhor. Se os crentes não buscarem este auxilio juntamente com o Espírito Santo,e se não existirem líderes compromissados com a palavra para ensina-los, então a saudade e a pergunta sobre um lugar prevalecerão: Onde estás, ó Beréia?

Soli Deo Gloria

terça-feira, novembro 13, 2007

Calvino – Eleitos Ricos e Ímpios Pobres?



Não há dúvida da influência e do poder que Calvino possuía na Genebra do século XVI, ali, Calvino praticamente deu base e sustentação teológica importantíssima para a reforma, Lutero não havia produzido uma teologia sistemática, enquanto que Calvino produziu a Magnum Opus do cristianismo reformado e posterior, Instituições da Religião Cristã, as Institutas, porém Calvino é até hoje retratado com certa desconfiança por muitos historiadores, que o taxam de ser um dos teóricos do capitalismo moderno,e que certamente defendeu uma doutrina no qual afirmava que a riqueza e prosperidade eram sinais da benção de Deus, enquanto que pobreza demonstrava uma possível falta de salvação.
Na primeira vez que escutei tal coisa, proferida por um professor de história de uma escola no qual estudei, fiquei um tanto chocado(assim também quando ouvi a história de Lutero sendo retratado como um assassino brutal por ter apoiado a nobreza contra os camponeses indefesos).
Todavia, ao estudar melhor Calvino, tanto em um colégio calvinista quanto leituras sobre sua história, inclusive seculares, pude notar realmente quem ele era e o que pregou.
Boa parte do pensamento moderno sobre Calvino deriva-se de historiadores marxistas e principalmente de um dos pais da sociologia moderna: O alemão Max Weber.
Weber defendeu em sua tese que os países protestantes, como Estados Unidos, Alemanha, entre outros, haviam tido, graças a ética protestante, uma elevação em sua prosperidade econômica.
Com base nisso, muitos vêem Calvino como um precursor da teologia da prosperidade, e parece que os próprios escritos de Calvino apontavam para essa conclusão. Até revistas consideradas cristãs parecem concordar com essa afirmação, uma delas, lançada recentemente, apesar de mostrar que não foi essencialmente por causa do protestantismo que as nações emergiram, mostra que a doutrina protestante influenciou bastante as nações que o adotaram e cita uma frase de Calvino: Deus chama cada um para uma vocação cujo objetivo é a glorificação de Deus. O pobre é suspeito de preguiça, a qual é uma injúria para com Deus”. Apesar de alguns testemunhos de historiadores, veículos de comunicação e do próprio Calvino parecerem confirmar esta tese, tal doutrina está bastante afastada da verdade.
Infelizmente a visão passada milhares de estudantes do ensino médio é de orientação Marxista, que vê a reforma como um movimento principalmente econômico, ao invés de religiosos, algo que claramente é refutado nos escritos do próprios reformadores. Outro problema é este ensino estar baseado principalmente na tese de Max Weber, que apesar de ter informações importantes, fora extremamente seletivo em suas afirmações. O que Calvino (assim como os puritanos) discordavam era com aqueles que afirmavam que o dinheiro era mau em si, e que a pobreza era uma virtude importante, superior a riqueza. Calvino e os puritanos discordavam dessa idéia, e afirmaram que as riquezas são dons de Deus, que devem ser usadas para sua Glória e servem para ajudar os outros, porém em nenhum momento Calvino sugeriu que o dinheiro fosse garantia de eleição, santificação ou mérito humano, mas pelo contrário, eram apenas graça de Deus que deveria ser usada para a Sua glória. Em um comentário sobre o salmo 127,2, ele escreveu: “Salomão afirma que nem a viver de baixo custo, nem diligência nos negócios irão por si só beneficiar em nada.” em outra parte, afirmou: “ Devemos reconhecer isto como um princípio geral,que as riquezas não chegam aos homens através de suas virtudes, nem sabedoria, nem luta mas apenas pela bênção de Deus”.
Calvino criticava não a pobreza em si, mas aqueles que, usando a pobreza como desculpa, não trabalhavam. Para que isso seja comprovado, basta observar que Calvino não morreu com bens preciosos nem em uma rica mansão, mas também com uma pobreza considerável.
Sem dúvida está incorreta a visão de que Calvino houvesse favorecido os ricos em detrimento dos pobres( uma espécie de Robin Hood as avessas), mas sim que ele valorizou o trabalho( tanto sagrado como “secular”) e também o dinheiro em si como algo bom para a Glória de Deus e para o bem do próximo. É necessário que professores cristãos mostrem verdadeiramente as concepções e motivos da reforma protestante, e em especial, busquem revelar quem realmente foi João Calvino, um dos maiores reformadores que já existiu.
Soli Deo Gloria

Referências:

RYKEN, Leland. Santos No Mundo: Os Puritanos Como Realmente Eram. São Paulo: Fiel, 1992.

terça-feira, novembro 06, 2007

A Reforma, O Protestantismo e as Universidades.


É inegável o fato da reforma ter sido um movimento com profundos toques de eruditismo. Outro fator que está intimamente ligado a este, sem dúvida, é a questão das universidades terem contribuído para que o movimento reformista tivesse bagagem e fundamento na palavra de Deus.
As universidades ganharam força na Idade Média, onde a maior ciência era a teologia, então considerada a rainha de todas as outras. Foi em universidades que surgiram gênios do calibre de Anselmo de Cantuária e Tomás de Aquino. Foi dela que saíram homens controversos como Guilherme de Occam, Pedro Abelardo, entre outros. É inegável o fato das universidades terem sua história misturada com o cristianismo. Os reformadores não foram exceção em valorizar as faculdades, pelo contrário, Lutero começou sua reforma debatendo contra oponentes brutais como Eck na universidade de Winttenberg, que apoiou grandemente a reforma Luterana na Alemanha. Calvino obteve grandes feitos na academia de Genebra, os puritanos foram grandes professores em universidades como Oxford, além de fundarem Havard, uma das mais conceituadas universidades americanas. Jonathan Edwards foi o primeiro presidente de Princenton.
Hoje, em um mundo cada vez mais secularizado, onde universidades e faculdades tem como fundamento o marxismo, uma filosofia abertamente anti-cristã, a maior denominação evangélica do Brasil, no qual faço parte, também carece de faculdades e universidades voltadas para o ensino bíblico e sadio, dentro de uma perspectiva cristã. A assembléia de Deus possui uma rica e bela tradição em escola dominical, algo que por muito tempo vem fortalecendo os crentes da denominação(apesar dela cada vez mais está sendo menosprezada ou jogada de lado pela liderança da igreja, quer por descaso, quer por controvérsias politicas e pessoais). Todavia, falta em minha denominação, uma identidade universitária. Os metodistas e presbiterianos, e também Luteranos estão à frente dos pentecostais nesta área. Apesar da Assembléia de Deus ter uma tradição bem sólida em seminários, falta uma perspectiva e aprofundamento maior em outras matérias que abrangem a vida humana, como economia,política, relações humanas, comunicação. É necessário que a igreja habilite profissionais para que exerçam o seu ministério dentro de uma perspectiva cristã, onde tudo o que se faz seja para a glória de Deus. Essa era a perspectiva dos puritanos e dos reformadores iniciais. E isso não se restringe aos calvinistas, pois sinergistas como os pietistas também tiveram relações com universidades, Armínio debateu em favor do sinergismo em uma Universidade na Holanda.
Com o número cada vez maior de heresias e filosofias anti-bíblicas no mundo, os pentecostais devem cada vez mais levantar o estandarte da Verdade e estabelecer instituições compromissadas com a doutrina e perspectiva cristã. É necessário um maior engajamento nessa área. Cada vez mais o Brasil necessita de uma reforma educacional. Muitas vezes perdemos a oportunidade de inciar essa reforma. Muitos problemas que temos hoje, como o Marxismo, o evolucionismo, o ateísmo, homofobia e outros seriam amenizados se tivéssemos começado isso a mais tempo. Mas nada está perdido, e certamente Deus tem nos dado testemunhas de que isso é possível de se realizar. Eis aí o nome deles: Lutero, Calvino, Edwards, Aquino, Armínio e tantos outros.

Soli Deo Gloria

sábado, novembro 03, 2007

Polêmica, a prática da reforma ( que acabamos esquecendo)


O leitor que lê os escritos de Martinho Lutero certamente fica um tanto chocado com seu estilo de escrever. Em seus escritos há uma dureza, firmeza e até mesmo ofensas dadas nos adversários. À primeira vista, sem algum tipo de compaixão e piedade. Os escritos de Calvino e outros reformadores também esboçam um pouco disso. Não é duvidoso que muitos hoje, caso esses homens estivessem vivos, os taxassem de fanáticos ou extremamente radicais. Lutero tinha um temperamento um tanto explosivo, e às vezes isso refletia bastante em seus escritos ( o suficiente para que seus críticos o taxem como vilão), porém quem conhecia esses homens e outros de seus escritos também entenderia um pouco mais de seus motivos. Em um escrito no qual fala sobre Melancton Lutero afirma:” nasci para lutar contra os partidos e demônios. Eis a razão de meus escritos estarem cheios de guerra e tempestade. Tenho de desarraigar troncos, tirar espinhos e abrolhos, aterrar charcos e atoleiros. Sou o rude cantoneiro que prepara as estardas e aplaina os caminhos. Filipe[ referindo-se a Melancton], mestres em artes, adianta-se tranquila e brandamente e, com alegria, planta, semeia, cultiva e rega, segundo os dons que deus lhe concedeu com tanta liberdade”.

É verdade que Lutero até mesmo reconheceu que tinha sido muito duro em seus escritos. Porém o que devemos notar é que a linguagem que Lutero utiliza é decorrência direta do método de “debate” , que é a polêmica. Em um sentido um tanto quanto cristão, polêmica é a refutação, à vezes agressiva ou firme, de proposições doutrinárias que vão muito além da ortodoxia do cristianismo. Difere-se do irenismo, prática que deriva-se do pai da igreja Irineu. Neste método, o debate é dentro do contexto de cristãos ortodoxos que discordam em algum ponto um tanto quanto controverso da Bíblia, mas sem ferir a ortodoxia. O debate é calmo e amigável, dentro do contexto do amor cristão. Hoje em dia, muitos cristãos detestam a polêmica e apegam-se muito mais ao irenismo, afirmando que é o “melhor caminho e demonstração de amor cristão”, já existe até dizeres onde afirma-se que quem inventou a polêmica fora Satanás.

É verdade que muitas vezes no cristianismo onde deveria-se usar o irenismo usou-se de demasiada polêmica, o que de certa forma, traumatizou as mentes cristãs mais sensíveis, polêmica ás vezes, é demonstrada com zelo, mas sem conhecimento. Por outro lado, o irenismo extremado é por demais perigoso, ás vezes tendendo para o ecumenismo e o liberalismo. Um exemplo disso é o livro de Roger Olson, História das Controvérsias na Teologia Cristã, apesar de conter informações preciosas,o livro é por demais conciliador, ao ponto de Olson simpatizar até com a doutrina do purgatório, proposta por Tomás de Aquino.

Não é justo esquecermos que a polêmica foi muitas vezes utilizada pelo apóstolo Paulo em suas cartas, assim como outros autores, muitas vezes é necessário despertarmos uma geração com brado e exortação, todavia, às veze até mesmo cristãos, que ainda se encontram no limite da ortodoxia, precisam ser alertados por doutrinas que certamente o levarão para um conceito beirando a heresia, se é que isso esse conceito já não os alcançou. É verdade que muitas vezes podemos ser taxados de frios e sem amor, mas muitas vezes os polêmicos são bastante dóceis, e não significam que não tenham compaixão. Certa vez em um dos primeiros artigos do blog, fiz uma crítica as revistas de EBD da CPAD utilizando uma linguagem bastante polêmica, caso alguém ligado às revistas leia, como o pastor Esdras, peço que me perdoe sinceramente, até porque errei em alguns pontos de minha análise e colocações, e, como Lutero, talvez tenha sido duro demais,em nenhum momento espero estragar minha admiração pelo pastor Esdras e pela revista, que me acompanha desde que eu conheci a escola dominical.

Todavia, a despeito de alguns erros, a polêmica é uma “arte” necessária nesses tempos controversos de hoje, e de forma alguma deve ser menosprezada no mundo cristão, incluindo os pentecostais, que por muito tempo utilizaram a linguagem polêmica. Obviamente que essa polêmica também seja temperada com sabedoria, conhecimento e amor cristão.

Soli Deo Gloria

terça-feira, outubro 30, 2007

Princípios da Reforma que Não Podemos Esquecer


Não há dúvidas sobre o valor da reforma Protestante. Se não fosse a ação de Deus através da vida de homens como Martinho Lutero, João Calvino, John Knox, Baltasar Hubmaier, entre tantos outros, certamente o nome de Cristo seria por completo esquecido. A reforma causou um impacto até hoje sentido na história do cristianismo. Ela trouxe novamente doutrinas bíblicas básicas e necessárias para a salvação das almas, como a doutrina da justificação pela fé, sacerdócio de todos os crentes, etc. Dentre estes princípios, devemos destacar os mais importantes, relembrando a igreja evangélica, em especial à brasileira, que cada vez mais se distancia desses genuínos e preciosos princípios. Para ver os princípios, é necessário ver os lemas que eles levantaram como um estandarte:

Sola Scriptura: Somente a Sagrada Escritura é nossa regra de fé e prática, suprema e sufciente para todas as situações da vida. tudo o quanto quisermos saber sobre fé e vida, devemos buscar na Escritura. Porém hoje vemos crentes cada vez mais entrando no misticismo católico da idade média. Vemos culto aos anjos, adoração por popstars, tanto cantores quanto pregadores, elementos estranhos no culto, adições humanas como coreografias, músicas aceleradas, teatros, entre outros. Pastores com grande abuso de poder, que se parecem mais papas que estão acima de tudo e todos. Os cristãos cada vez mais colocam usa confiança na autoridade de homens falíveis, ao invés de buscarem a autoridade das Divinas Escrituras.

Sola Gratia et Fides: Somos salvos unicamente pela graça de Deus por meio da fé em Cristo Jesus. Hoje, cada vez mais vemos os crentes buscando o favor de Deus por meio das obras, se esquecendo que como pecadores, necessitamos de um Deus gracioso e Soberano,onde tudo o que ele dá é graça,é favor imerecido. O maior presente de Deus é ter dado seu Filho para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Solo Christi: Somente Cristo é o único mediador entre Deus e os homens, não sendo mais ninguém, Ele é o único caminho, porém, ao invés dos crentes verem a Cristo como Senhor e Salvador, preferem ver ele como um simples servo e empregado do Papai Noel

Soli Deo Gloria: Toda a honra e glória devemos dar a Deus. Não somos o centro de tudo, mas sim Nosso senhor e Deus,tudo foi feito por Ele e para Ele. Hoje com o pensamento humanista secular cada vez mais entrando para dentro de nossas igrejas e também por meio de nossos púlpitos, vemos cada vez mais pregadores infectados pela praga da confissão positiva, que possui uma frase semelhante a tentação que Satanás fez aos primeiros pais, a idéia de sermos como Deus.


O testemunho deixados pelos reformadores ainda fala para nós hoje; que possamos lembrar do sacrifício desses homens, para que assim, possamos dar um bom testemunho agradável a Deus, para a glória de Deus. Somente na Escritura, Somente na Graça por meio da Fé, somente em Cristo, somente para a glória de Deus.

Amém.

Soli Deo Gloria

domingo, outubro 21, 2007

Finney: Vilão Ou Herói?


Talvez nenhuma figura teológica cause mais polêmica do que Charles Finney, que na verdade, representa inclusive um vislumbre da batalha calvinista-arminiana, que é um dos debates históricos mais antigos da teologia.
De um lado temos numerosos calvinistas, onde para eles, Finney era um lobo em pele de ovelha,
alguém que chamam avivalista, mas que contribuiu extremamente para uma filosofia e teologia humanística e antibíblica, sendo que ele mesmo era um herege pelagiano. No outro lado, arminiano, Finney é o herói do segundo grande despertamento que existiu nos Estados Unidos, digno de toda a aceitação, respeito e consideração, para o lado pentecostal principalmente, Finney é um guerreiro, um Immanuel Kant (como foi dito na introdução de sua teologia sistemática editada pela CPAD) evangélico que derruba qualquer gigante.
Dentro deste contexto, procurarei dar meu parecer, à luz da Palavra de Deus e dos fatos, sobre essa curiosa figura chamada Charles Finney.
ARGUMENTOS CONTRAS:
Finney é extremamente criticado pela ala reformada do protestantismo, sendo alvo constante de figuras famosas como Augustus Nicodemus Lopes, John Macarthur Jr, Michael Horton, entre outros. As acusações mais graves contra Finney são:
a)- Dar suporte as teorias de avivamento contemporâneo e da metodologia do Movimento de Crescimento de igrejas, através da prática das campanhas.
b)- Ser pelagiano em sua teologia, ou seja, Finney nega que o ser humano, ao nascer, possua o pecado original.
c)- Negar a doutrina da Justificação pela Fé, crendo que o ser humano possui totalmente capacidade de obedecer a cristo.
d)- Crer que Cristo morreu para dar um exemplo, mas não para nos redimir ( negação da expiação vicária).
São extremamente graves as acusações feitas contra Finney, e muito bem expressas no blog
Deus Pro Nobis, de origem totalmente calvinista. Eis alguns trechos do artigo intitulado A Estranha Teologia de Charles Finney:
"Finney tem sido conhecido como um grande avivalista do século retrasado e que trouxe uma grande contribuição no segundo grande avivamento americano que foi, em grande parte, influenciado pela teologia arminiana. No site da Casa Publicadora das Assembléias de Deus se lê a seguinte descrição deste pregador: Charles Finney foi o maior evangelista desde os tempos apostólicos. Suas convicções teológicas nasceram no fogo do avivamento e foram formadas por uma consciência moldada pelo estudo do Direito e comprometida com a plena autoridade da Bíblia. Por tudo isso, a Igreja de hoje deve estudar suas posições sobre o governo moral de Deus, a natureza do homem, arrependimento, soberania, atributos do amor, entre outros.
Da mesma forma, no site da Editora Vida, há uma apresentação nos mesmos moldes:
Charles Grandison Finney (1792-1875) foi um dos maiores evangelistas da América do Norte. Até hoje o testemunho de sua vida, pensamentos, lutas, realizações, amor incondicional a Deus e compromisso permanente com o Evangelho de Cristo é fonte poderosa de inspiração e exemplo para os cristãos...
Custa-me crer que os Assembleianos e os editores da Editora Vida recomendariam esta leitura após um aprofundamento na teologia deste avivalista. Prefiro atribuir a publicação destas obras de Finney à ignorância aos postulados teológicos deste pregador. Parece-me que à medida que a teologia reformada vem retomando o seu lugar no Brasil, há uma propagação de um falso ensino do evangelho igualmente. "
Creio que tal posição mostra um pouco da visão reformada acerca de nossa compreensão de Finney, independente de estarem certos ou não, verdadeiramente a CPAD credita muito valor a ele, isso é um fato.
O autor do blog baseia-se muito em um artigo de Michael Horton, publicado pela Editora Fiel na revista evangélica Fé Para Hoje. O artigo de Horton é intitulado: O Legado de Charles Finney, tendo sido publicado no ano de 2000.
Eis alguns trechos deste artigo:
"Ele[ Finney] é tão popular. Ele foi grandemente responsável pela mudança da ortodoxia reformada, evidente no Grande Avivamento(nos ministérios de Edwards e Whitefield), para o avivalismo arminiano (na realidade, também pelagiano), evidente desde o Segundo Grande Avivamento até ao presente. Para demonstrar a dívida do evangelicalismo moderno para com Finney, temos de inicialmente observar seus desvios teológicos. Com base nestes desvios, ele tornou-se pai de alguns dos grandes desafios contemporâneos dentro das próprias igrejas evangélicas, ou seja, o Movimento Crescente de Igrejas, o Pentecostalismo[nem a gente escapou] e o Avivamento politico"
Todavia, a crítica a Finney não para por aí. Segundo Horton( de forma bastante tendenciosa): "Reagindo contra o calvinismo do Grande Avivamento, os sucessores daquele grande movimento do Espírito afastaram-se do caminho so Senhor e seguiram o dos homens, apartaram-se da pregação de conteúdo objetivo(ou seja, Cristo crucificado) para...levar as pessoas a ‘fazerem uma decisão’.
Charles Finney...ministrou nos rastros do segundo avivamento...ao considerar qualquer assunto a ser ensinado, esta era a pergunta fundamentalde Finney:’Isto é bom para converter os pecadores?’".

É óbvio que Horton acaba colocando Finney como o pai do pragmatismo evangélico. Horton prossegue mostrando "o que estava errado na teologia de Finney?", então faz afirmações e busca comprová-las com base na própria teologia sistemática de Finney, que para ele, na verdade não passam de "ensaios a respeito da moralidade", todavia Horton afirma que "não estamos afirmando que a obra de Finney não possui algumas declarações teológicas significativas.
Respondendo à pergunta: " O crente que deixa de ser crente sempre comete um pecado?", Finney disse: 'Sempre que comente um pecado, o crente deixa de ser santo. Isto é evidente. Sempre que peca, ele precisa ser condenado; tem de incorrer na penalidade da lei de Deus,Se alguém disser que que o preceito da lei ainda vigora, mas que, no caso de crente, a penalidade foi anulada para sempre, eu respondo afirmando que anular a penalidade da lei é cancelar seu preceito, pois, se o preceito não demanda punição, não existe lei e sim apenas uma advertência ou conselho. Por conseguinte, o crente é justificado em proporção à sua obediência...'" depois Horton prossegue dizendo que "Finney acreditava que Deus exige perfeição absoluta, mas, ao invés de levar as pessoas para buscarem perfeita justiça em Cristo, ele conclui que: '... a plena obediência no presente é a condição para a justificação. porém, quanto à pergunta: o homem pode ser justificado enquanto o pecado permanece nele?, respondemos: é certo que não, quer seja com base em princípios da lei ou do evangelho, a menos que a lei seja anulada. Ele pode ser perdoado, aceito e justificado, no sentido evangélico, enquanto o pecado, em qualquer grau, permanecer nele? Absolutamente não.' ...agora já podemos ressaltar que ela[ a doutrina da justificação de Finney] está fundamentada sobre a negação do pecado original. Afirmado tanto por católicos quanto evangélicos...ao contrário da doutrina do pecado original, Finney acreditava que os seres humanos são capazes de escolher se desejam ser corruptos por natureza ou redimidos, referindo-se à doutrina do pecado original como um 'dogma sem lógica e fundamento bíblico'" Horton acusa Finney de ter afirmado que não nascemos com a natureza pecaminosa de Adão, mas simplesmente seguimos seu exemplo, outra acusação grave feita contra Finney é quando se afirma que ele negava a expiação vicária, segundo Horton "Finney acreditava que Cristo morreu por um objetivo e não por um povo", então busca confirmar sua afirmação baseando-se na Sistematic Teology de Finney: "a Expiação ofereceria às criaturas os mais elevados motivos a serem imitados. O exemplo é a mais poderosa influência moral que pode ser praticada. Se a benevolência manifestada na expiação não subjuga o egoísmo dos pecadores, a situação destes é desesperadora (p. 129)" Caso Horton esteja certo então significa que Finney acreditava na doutrina da expiação como "Influência Moral" proposta por Pedro Abelardo, monge e teólogo da Idade Média( na verdade, ele acabaria indo muito além dela, chegando bem perto da doutrina da expiação proposta por teólogos liberais). Outra acusação gravíssima é quando Horton cita um trecho da teologia sistemática de Finney: " a regeneração consiste na atitude do próprio pecador mudar a sua intenção, sua preferência e sua escolha definitiva; ou mudar do egoísmo para o amor e a benevolência( p. 224)"
e Finney também afirmou: " A pecaminosidade original, a regeneração física e todos os dogmas resultantes e similares a estes opõe-se ao evangelho e são repulsivos à inteligência humana (p. 236)".
O caso complica-se muito para Charles Finney, caso essas afirmações serem certas. Outro crítico de Finney é John Macarthur Junior, que em sua obra "Com Vergonha do Evangelho",publicado pela editora Fiel, traz um apêndice que aborda Finney por uma perspectiva mais histórica, no qual Macarthur faz objeções a conversão de Finney, assim também como o calvinismo da época e afirma que na maior parte dos avivamentos de Finney, muitos esfriaravam novamente, sendo como carvões que, queimados, já não conseguiam mais queimar.
DEFENSORES:
Finney possui, muitos defensores,principalmente do lado Assembleiano, uma prova disso é a publicação de sua teologia sistemática por parte da CPAD. Um grande admirador de Finney era o célebre Orlando Boyer, que chegou a colocá-lo no hall de heróis cristãos no clássico pentecostal Heróis da Fé.
Ao contrário de Macarthur e outros proponentes calvinistas, os pentecostais( e muitos outros arminianos) afirmam que as pregações de Finney foram uma grande benção, sendo que a maioria das pessoas convertidas por seu intermédio continuaram vivas e atuantes na igreja. O que devemos fazer para solucionar este mistério é buscar respostas no próprio Finney, e é claro, o respaldo supremo das Sagradas Escrituras. Como Já falei, procurarei ser o mais bíblico e honesto possível, tentando não tomar partido de ninguém.
ACUSADO E ACUSADORES: OS ARGUMENTOS.
Horton afirma que Finney era um pelagiano na doutrina, juntamente com ele seguem-se grandes homens como o célebre e piedoso Martin Lloyd-Jones. Todavia, não é isso que Finney argumenta em sua teologia sistemática, pelo contrário, ele a refuta: " Admito e sustento que a regeneração é sempre induzida e efetuada pela agência pessoal do Espírito Santo. A questão colocada diante de nós se relaciona inteiramente ao modo, e não ao fato, da agência divina na regeneração. Que isto fique bem claro,pois tem sido comum aos teólogos da velha escola[ referindo-se, certamente aos calvinistas],logo que se questiona o dogma de uma regeneração física e de uma influência física na regeneração, brandirem e insistirem que se trata de pelagianismo, que é uma negação completa da influência divina e que tal questionamento propõe uma auto-regeneração, independente da influência divina. Sinto vergonha de tais afirmações desses teólogos cristãos e fico aflito por sua falta de imparcialidade. é preciso, porém, declarar, que, de forma distinta, até onde sei, os defensores da teoria agora sob consideração nunca manifestara essa falta de imparcialidade para com os que puseram em questões esta parte de sua teoria relacionada a influência física"(p.368, conforme a obra editada pela CPAD), Ao ver essa firmação de Finney, fica óbvio que esses acusadores estão errados. Então neste caso, Finney é declarado inocente. Ou será que não? Mais adiante, no capítulo intitulado Capacidade da Graça Finney faz essa surpreendente declaração: " Que não seja firmado então, que negamos a graça do Evangelho glorioso do Deus bendito e que negamos a realidade e necessidade das influências do Espírito Santo para converter e santificar a alma, e que esta influência é a da graça, pois tudo isto defendemos com muito vigor. Mas sustento-o com base em que os homens são capazes de fazer o seu dever e que a dificuldade não se encontra em uma capacidade própria, mas num egoísmo voluntário, numa má vontade de obedecer o Evangelho bendito", Custa-me a crer nas palavras de Finney. Se reparamos bem, vemos que Finney não negava a influência da graça no pecador tanto na conversão quanto na santificação, porém cria que "os homens são capazes de fazer o seu dever", ou seja, Finney acaba caindo no ditado popular " Deus ajuda aqueles que se ajudam", em outras palavras, a graça de Deus influência, mas o homem é que deve dar o primeiro passo. Isso nada mais é do que semi-pelagianismo, ou seja, o homem tem a capacidade de desejar a salvação antes do toque da graça. Como pode Finney ter afirmado isso? É simples, Horton está correto ao afirmar que Finney negava a depravação e o pecado original. Para ele, o ser humano se encontra em pecado e necessita do auxilio da graça não por causa de sua natureza pecaminosa, mas sim por que ele voluntariamente se entrega ao pecado. Finney dedica um capítulo inteiro sobre isso em sua teologia. Inclusive dá uma outra interpretação de conhecidos textos bíblicos que afirmam a doutrina do pecado original e da concupiscência do homem. Veja o que ele afirma: " De novo: ' Que é o homem, para que seja puro? e que nasce de mulher, para que fique justo?' ( Jó 15.14). Essas são as palavras de Elifaz, sendo impróprio citá-las como verdade inspirada", todavia Finney erra em sua conclusão. Muito daquilo que os três amigos de Jó afirmavam tinha verdade(eles erraram em alguns aspectos importantes, mas uma coisa não exclui a outra), o maior pecado dos amigos de Jó foi afirmarem que ele estava assim por causa de um pecado, e não por terrem feito essas afirmações, mas claro que Deus também os culpou disso(Jó 42.7). Outra afirmação bombástica de Finney: " De novo: ' Éramos por natureza filhos da ira, como os outros também' (Ef 2.3). Sobre esse texto observo que não pode, sendo coerente com a justiça natural, ser compreendido como afirmação de que somos expostos a ira de Deus por causa de nossa natureza. É um dogma monstruoso e blasfemo afirmar que um Deus Santo está irado com alguma criatura por esta possuir uma natureza que ganhou existência sem seu conhecimento ou anuência. A Bíblia apresenta Deus irado com os homens por seus atos perversos, não pela natureza deles". É claro o exercício de eisegese de Finney. Veja que ele não tenta explicar o texto bíblico, e sim afirmar termos como "justiça natural", "dogma monstruoso e blasfemo" ,etc. Finney não apresenta nenhuma outra explicação sobre este texto,pelo contrário, impõe sua idéia sobre ele. Mais adiante, Finney continua irado com tal doutrina, afirmando que ela " é uma pedra de tropeço tanto para a igreja como para o mundo, infinitamente desonroso para Deus e igual abominação para o intelecto de Deus e do homem, devendo ser banida de todo o púlpito e de toda a fórmula de doutrina e do mundo", note que Finney tinha um repúdio por uma doutrina genuinamente bíblica e parece não entender o conceito bíblico sobre a "carne". Nascemos pecadores, temos uma tendência ao pecado, todavia, essa natureza não se resume só nisso. Deus se ira conosco por termos herdado o pecado original de Adão, a sua desobediência, em outras palavras, nascemos rebeldes, só agimos mal por que essa é a nossa natureza que despreza o testemunho gracioso e a própria Lei da consciência em favor de nossas inclinações naturais. Não se pode culpar a Deus por Ele estar irado conosco,pelo contrário, Ele sempre manifestou seu conhecimento e misericórdia, mas como nascemos sob o pecado de Adão, sempre o rejeitamos. Era necessário o sacrifício de Cristo para nos salvar. As evidências demonstram realmente que Finney negava a expiação vicária, afirmando que se cristo morreu pelos nossos pecados, não morreu por nossos sofrimentos. Ou seja, Cristo deu apenas um exemplo, pois segundo Finney: " Ele não podia, nem como Deus nem como homem, fazer algo mais do que cumprir suas próprias obrigações[no caso, obediência a lei moral]". Quanto a doutrina da santificação plena, não é necessário falar muita coisa, apenas ler um de seus capítulos: " Paulo Plenamente Santificado", negando assim, textos claros como os de 1 João, que diz: " Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós" ( 1 Jo 1: 8-10)
CONCLUSÃO:
Concordo com a opinião do teólogo arminiano Roger Olson. Para ele, Finney realmente se enquadra nos moldes semipelagianos, e, como Olson afirma: " seus motivos eram puros, mas sua teologia perniciosa". Não procede a acusação calvinista de que o primeiro grande avivamento era somente calvinista (algo que está "implícito" nos comentários tecidos por eles) pois um dos maiores avivalistas daquele período era arminiano, no caso em questão, John Wesley. Em nenhum momento semi-pelagianismo e arminianismo são iguais. O arminianismo crê que Deus é que incia a salvação, sendo que o homem é depravado e está em revolta contra Deus, porém, quando Deus chama o homem, também o capacita e o fortalece para que ele receba a graça por meio da Fé, todavia, deve o homem estender a mão (capacitado por Deus) para aceitar o presente. A santificação plena vai muito além de Wesley. A doutrina de Wesley não era bem definida e até hoje gera controvérsias, enquanto que Finney a sistematizou de tal forma que ficou impossível de não entendê-la.
Finney aderiu a prática de campanhas de forma peculiar e influenciou muito o tipo de campanha evangelística que vemos hoje, onde o imediatismo está fortemente presente.
A meu ver, não é boa a atitude da CPAD de continuar vendendo a teologia de Finney, por conter muitos erros teológicos, também não concordo com a exaltação dada para ele por nossa editora confessional, apesar de tê-la no mais alto respeito, admiração e carinho. Creio que o que se deve fazer é incentivar mais teólogos pentecostais clássicos para produzirem uma boa obra teológica. esse é meu parecer no assunto.

Soli Deo Gloria.

Nota: esse artigo se desenvolveu na medida que eu descobria as coisas investigado nos escritos de Finney e seus opositores, sendo que cheguei a essa conclusão após analisar a própria teologia sistemática de Finney, emprestada a mim por um amigo e irmão em Cristo

Referência bibliográficas:
FINNEY, Charles. Teologia Sitemática.2º ed.Rio de Janeiro: CPAD,2001.
MACARTHUR, John. Com Vergonha do Evangelho: quando a igreja se torna como o mundo.2º ed. São Paulo, Fiel, 2004
Olson, Roger. História das Controvérsias na Teologia Cristã. Rio de Janeiro: Vida, 2004.
Revista Fé Para Hoje. São Paulo: Fiel. 2001

terça-feira, outubro 16, 2007

Rara Entrevista de Daniel Berg

Irmãos, recentemente achei entre os videos do youtube essa preciosidade, que Deus use as palavras desse simples homem para a nossa edificação








Soli deo Gloria

quinta-feira, outubro 11, 2007

O Círio, o Neófito e a Cruz Vermelha





Belém está agitada nestes dias com a chegada da celebração que a mídia chama de “natal dos paraenses”, o Círio de Nazaré. Os locais públicos de Belém, pelo menos a sua maioria, estão carregados de homenagem a “mãezinha”. Segundo dados por demais questionáveis, a festa pode atrair este ano mais de três milhões de católicos(como se Belém conseguisse suportar os famosos 1 milhão de pessoas) que se reúnem em uma procissão com mais de seis horas de duração( em todos os anos há certas variações), onde percorrem um duro trajeto levando uma extensa corda até a Basílica que tem o nome da “santa”. Os dias são de muita idolatria, que tem efeitos em todos os setores da cidade, desde repartições públicas até em faculdades e transportes coletivos.

Certa vez, pouco depois de ter saído da época neófita(não fazia muito tempo que eu havia me convertido e pouco tempo é que eu havia tido a experiência do que é viver o nascer de novo), decidi ser um voluntário na cruz vermelha, não para ajudar os “os irmãos na fé”, mas para acabar o mais rápido possível com os problemas enfrentados pelas pessoas ali presentes( desmaios, fraquezas, entre outros problemas). Alguém talvez questione a minha atitude, e certamente estou passível de ser criticado, se alguém em perguntar se quero fazer isso de novo, certamente responderei que não. Porém creio que Deus me mostrou a influência da idolatria em meu estado e cidade. Acompanhando os fiéis desde o início do ver-o-pêso, com suas ruas sujas com papelão molhado por água de vala ou chuva, onde milhares de pessoas lutando para prosseguir seu caminho numa luta quase além dos limites, desejando agradecer aos “milagres” efetuados ou pagar uma promessa feita, alguns segurando a corda com uma mão e com a outra portando uma latinha de cerveja, assim também , se não me engano, homossexuais se agrando em dar um sacrifício na corda.
Tive muito trabalho neste dia, carregando na maca diversos tipos de pessoas, desde simples casos de um desmaio momentâneo até um idoso com problemas de coluna. Porém um caso me marcou muito neste dia. Estávamos bastante distantes de um dos postos da Cruz vermelha, com um sol começando a esquentar ainda mais(cerca de 32º a 35º graus), quando ouvimos um grito: “EI, AJUDEM-NA, ELA ESTÁ GRÁVIDA!!!!”, não sei o quanto andamos carregando, não uma,mas duas pessoas, passando pelos mais variados lugares e tipos de pessoas. um rapaz até disse algo que me chamou muita à atenção: “E aí??? Ela já morreu ou não?”.
Dali eu vi uma coisa importantíssima: a importância da evangelização. Não somente uma evangelização simplista, mas uma evangelização que conscientize os indivíduos que nenhuma bondade há no ser humano que possa o salvá-lo, mas que, pelo contrário, estão debaixo da ira de Deus. Muitas pessoas acham(assim como eu achava) que possuem uma certa bondade o suficiente para merecer o céu, e que ao fazer algum tipo de sacrifício
poderão pagar a sua dívida com Deus e serem aceitos no céu. assim também como recorrer a intermediários que façam um contato melhor com Cristo. É importante pregar o Evangelho com intrepridez, sabendo que o mesmo Deus que irou-se conosco, nos amou a ponto de entregar o seu único filho, oremos para que o Espírito Santo possa iluminar as pessoas ainda não salvas e que possam reconhecer que :
“Em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devemos ser salvos” (At 4:12)
“Poque há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo”( Tm 2:5-6).

Não podemos nos esquecer das maravilhosas doutrinas da graça, da justificação pela fé, da suficiência de Cristo. Que Deus possa perdoar nossos pecados e nos usar para tal propósito, nesses dias onde a igreja evangélica cada vez mais retrocede.

Soli Deo Gloria

segunda-feira, outubro 08, 2007

Uma nota importante

Caros irmãos, depois dessa semana ser um tanto quanto difícil devido a noticia da adoção do manual da fé neste trimestre pela igreja em Belém. Ontem, o pastor presidente da igreja em Belém deu seu esclarecimento sobre tal medida. Por motivo de segurança, para que meus amigos não sejam prejudicados, decidi resgistrar um pouco do que foi falado pelo pastor no blog comunicologos, de meu amigo teo jornalista.

Abraços e Paz do Senhor!!!

Obs: não deixem de ler o post anterior, de meu amigo Carlos Eduardo, grande conhecedor da flisofia oriental, que fala um pouco sobre os desenhos japoneses.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Geração perdida ou perdendo uma geração ?

Hoje é muito comum dizer que essa é uma geração perdida, mas por que será? Será que não estamos dando mais ênfase para outras coisas menos para a educação das crianças, a palavra de Deus diz em Pv. 22.6, que devemos ensinar a criança no caminho em que deve andar ,pois, até quando ela for adulta não esquecerá desses ensinamentos, mas deixamos de ensinar o correto, ensinar a palavra de Deus, e deixamos a TV ou qualquer outra leitura nortear a vida dessas crianças. Como um leitor e telespectador desses do gênero queria ressaltar que não há nenhum desenho por mais inocente que pareça que não tenha uma invocação ao demônio, magia negra, idolatria, desvio de conduta, caráter, super heróis que são demônios e até negam a existência de Deus.
Pensei já ter visto de tudo mais nova arma de satanás é uma historia que já chegou nas bancas,que conta a historia de um adolescente que têm dois grandes sonhos, o primeiro de ter uma banda famosa e o segundo de ter uma namorada, até ai tudo bem, mas com o passar da história ele consegue uma banda só que em vez de uma namorada, ele consegue um namorado (nesse mangá a temática é a descoberta da sexualidade, mais para mim é a distorção do que Deus quer para nossas vidas).
Vejamos o que as crianças estão falando:
- Meu sonho é ser como o Naruto! (tem um demônio aprisionado no seu corpo)
- Quero ser como o Goku,o homem mais forte do universo! (é mais forte até mesmo que um deus)
- Queria ser como o MadinVegete (estava possuido por um demônio - madin é demônio)
- Queria ter o poder da Sakura! (aprisiona cartas que contém magia negra)
- etc
Frases assim são ditas todos os dias por crianças, adolescentes, jovens e até adultos, querendo ser algum personagem de uma história de Mangá ou Anime. O que menos se escuta é quero ser como Sansão, como Paulo, como Ester, como Moisés. Isso ocorre porque deixamos de ler um livro sem igual, um livro que tem amor, guerra, terror, drama, resumindo, tudo o que você quiser temos nele e não estou falando de nada novo no mercado estou falando do livro que tem as palavras de Deus – A BÍBLIA SAGRADA.
Devemos deixar de dizer que nossas crianças não estão preparadas para entender teorias Bíblicas ou algo mais profundo, pois se nós não ensinarmos, o que ela está lendo e assistindo está recheado de filosofia oriental. E vamos parar de dizer que a geração está perdida e vamos assumir nossas culpas e repensar que ela está se perdendo por nossa culpa. E que possamos investir mais em nossas crianças, pois elas são o futuro de nossas igrejas e são almas de grande valor para Deus. E vamos procurar saber o que elas estão assistindo, pois lembremos do que Paulo disse em Filipenses 4. 8 “Quanto ao mais, irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo que é honesto, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo o que é amável, tudo que é de boa fama, se há alguma virtude, se há algum louvor, nisso pensai.” .

A PAZ DE CRISTO

segunda-feira, outubro 01, 2007

Um Novo trimestre: Igreja-mãe adota Manual da Fé




Eu particularmente me encontro muito feliz, pois nesse último final de semana, pela graça de Deus voltei a ser professor na EBD da Missão Com adolescentes, pois havia sido retirado do cargo por motivos que ainda não convém relatar, e também voltei a assumir a supervisão do Jornal da Missão, o NTC. Renan Diniz também se encontra feliz, pois assumiu a liderança da WEB da Missão e Nilton Rodolfo está na rádio. Esperamos glorificar a Deus com tanta coisa boa que ele nos tem dado.


Porém, fui surpreendido ao entrar na igreja ontem. Logo me deparei com algo que pode dar muito o que falar e que já gerou certa polêmica em uma das palestras sobre EBD de meu amigo Carlos Eduardo: a não utilização da revista de escola dominial da CPAD neste último trimestre, substituída pelo Manual de Fé, produzido especialmente para a igreja-mãe. Me alegrei quando vi que poderíamos ter uma certa "Confissão de Fé" onde diminuiria as controvérsias doutrinárias existentes no seio de nossa querida AD (cheguei até a comentar sobre isso com o pastor Altair Germano em seu blog). Porém, ao que tudo indica tal atitude foi em decorrência de um problema existente entre a editora CPAD e a Igreja em Belém, segundo me foi relatado por fontes ligadas a liderança.
Os relatos apresentam certas discrepâncias, mas não podem ser menosprezados. Segundo uma fonte, a controvérsia se deu com o pastor-mor da igreja mãe e, não se sabe ao certo, com o comentarista das lições bíblicas deste trimestre(no caso, o pastor Geremias do Couto) ou se foi com o departamento de educação cristã(no caso, o pastor Esdras está envolvido) , talvez seja certo afirmar que a CPAD ou alguém tendo grandes responsabilidades lá dentro gerou tal "peleja", porém lembrando, isso está somente no campo da hipótese, não houve uma explicação de nenhum dos lados.
Com a outra fonte, foi repassado que na verdade a igreja em Belém não estaria satisfeita com a revista da CPAD, e que de certa forma a revista a estaria prejudicando-a e até mesmo a atacando com críticas(então nesse caso, sera algo bastante indireto, porém com a carapuça servindo).
Neste momento, devemos buscar não a neutralidade(que é impossível, pois levaria ao menosprezo e o próprio afastamento das questões que nos afetam), mas sim ao máximo de imparcialidade possível antes de tirarmos quaquer conclusão. Seria bom que pessoas ligadas a CPAD ou os próprios responsáveis pela confecção da revista pudessem dar um parecer e explicar de maneira esclarecedora sobre este episódio,talvez nem saibam que ele existe. Assim também como as "pessoas do Norte". Creio que através dessa atitude da igreja-mãe(que praticamente foi imposta e forçada) pode haver certa "separação" e agravar ainda mais as relações assembleianas "Norte-Sudeste" que existe hoje. Tomara que este manual só seja para este trimestre. Mas a questão permanece: E se não for?

Tomara que não seja nada, mas se for? Que Deus nos dê graça e que os problemas sejam resolvidos

Soli Deo Gloria

quinta-feira, setembro 27, 2007

Só uma nota para os Blogélicos.




Hoje, enquanto assistia a programação da Boas Novas, durante um comercial me deparei com a seguite frase: "Ouvi falar que a música da igreja é careta e chata, está na hora de mostrar-mos que a música da igreja é a melhor" ! ! !

Porque será que o mundo acha a música da igreja chata ? por não ter uma batida atraente ? ou por nao fazer com que recrebemos nosso esqueleto "Uhhuuuuu", não estou dizendo para não mostrar para o mundo que a nossa música é a melhor, de fato a "nossa" música É A MELHOR, não por ser REMIX ou LENTA e sim porque fala de Cristo, um Deus VIVO que SALVA, e é isso que devemos fazer através da música, não devemos e nem podemos criar uma música que atraia as pessoas pelo rítimo ou por uma letra farisaica, devemos atrair as pessoas por Cristo inserido nessa música, também nao estou falando que não podemos ter uma rítimo mais agitado( com exceções e claro) so quero lembrar que:


Quanto ao mais, irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo que é honesto, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo o que é amavel, tudo que é de boa fama, se há alguma virtude, se há algum louvor, nisso pensai. Filipenses 4. 8


Que possamos fazer uma música boa sim!!! para Deus agradando ou não o mundo, porque se Deus olhar com graça para a nossa música os que são dEle escutarão.


Um Abraço.

Renan Diniz

Obs: não deixe de ler o artigo anterior sobre a Escola Dominical.

quarta-feira, setembro 26, 2007

EBD - O lar dos mestres da Palavra




O pão da padaria exalava um cheiro bom e gostoso naquele domingo, a igreja era simples e humilde, porém os professores por demais aplicados ao darem à aula. Eu ainda não era crente, mas graças a Deus, através daqueles homens, eu consegui começar a entender quem era o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Para mim, em minha mentalidade não crente e conhecendo muito pouco da igreja, aqueles homens eram como pastores. Hoje, como cristão, eu pergunto: Será que podem ser considerados mestres? Veremos.

Até hoje existe certa controvérsia se há ou não o ministério oficial na igreja dos mestres, ou “doutores” como está em alguns textos de traduções clássicas da Bíblia. Boa parte deste debate gira principalmente em torno de um texto bíblico: Efésios 4:11. No texto em apreço, lemos o seguinte: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores”. Muitos exegetas afirmam que ao contrário dos apóstolos, profetas e evangelistas, os dois termos, “pastores” e “doutores” estão intimamente correlacionados, por isso, não são dois ofícios distintos, mas duas atividades referentes ao mesmo ministério: o de governo da igreja. Para esses teólogos, a função do ensino está restrita aos líderes eclesiásticos, ou seja, aos ministros da Palavra, no caso seriam os pastores. É verdade que existe certo sentido nesta afirmação.

Se notarmos bem vemos realmente que há uma grande ligação entre estes dois termos, enquanto que o apóstolo afirma que uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, ele quebra este ritmo e ao invés de afirmar e outros para pastores e outros para doutores ele afirma: “e outros para pastores e doutores”. Porém este assunto não está fechado e para falar a verdade, muitos teólogos importantes, como Calvino, afirmam o contrário. Para ele, quando o apóstolo afirma que existem pastores e doutores ele está realmente fazendo uma correlação, porém os ofícios são distintos. Ou seja, tanto pastor quanto o mestre tem a mesma função, de serem ministros da Palavra. Pastores e doutores (algumas traduções, “mestres”, na King James Version está “professores”) são ofícios legítimos e distintos entre si. Todo o pastor é um doutor, mas nem todo o doutor é um pastor. Porém será que essa explicação é válida? Por mais que tenhamos um compromisso de ser um professor de escola dominical, nosso dever é de obedecer a Palavra de Deus, quer ela diga sim ou não para um determinado assunto. É necessário verificarmos outros textos bíblicos que tratam dessa questão. Afirmações como as de Paulo em 1 Tm 6:3 parece estar se referindo aos pastores que ensinavam heresias para os fiéis,o que parece abalizar ainda mais as colocações dos exegetas e teólogos que defendem um só oficio pastor-mestre. Porém há textos que utilizam a Palavra mestre independente da palavra pastor, como por exemplo em Tiago 3:1, onde a advertência quanto aos perigos de um falso ensinamento pode ser dado com as melhores intenções. Outro texto que mostra a palavra mestre independente do ofício pastoral é Hebreus 5:12 : “ Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento.” Apesar do texto não citar a o termo pastores, o autor pode star se referindo ao termo mestres no informal, onde todos devem cumprir o ide de Jesus registrado em Mateus 28:19-20. Nos tempos do Antigo Testamento e até mesmo no tempo de Jesus, o termo mestre era separado e independente, como demonstra o salmo 119:99. Diante dessas afirmações, a questão ainda permanece: é lícito existir o ofício de mestre nos dias de hoje? Talvez um pequeno versículo da Bíblia ajude a sanar, ou pelo menos no orientar nesta delicada questão: o texto de 2 Timóteo 1:10-11. O texto nos informa: “E que é manifesta agora pela aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho; para o que fui constituído pregador, e apóstolo, e doutor dos gentios”(ênfase minha) Existem duas coisas importantíssimas nesses versículos, em especial o onze. Muitos dos que afirmam que o ensino deve estar unicamente associado ao pastor (no sentido formal e Oficial) também afirmam que a pregação deve estar muito mais (querendo dizer praticamente que deve estar unicamente) ligada ao trabalho pastoral. Porém não é isso que vemos nesta afirmação. Ao contrário, O APÓSTOLO FAZ CLARAS DINSTINÇÕES ENTRE PREGAÇÃO E ENSINO, colocando-os distintos e independentes do serviço pastoral, lembrando que também pode estar incluído no sentido de Apóstolo, uma vez que os apóstolos eram autoridades máximas e também poderiam ser considerados presbíteros (1 Pe 5:1-2). Isso mostra que também o oficio de pregador pode existir, ainda que seja algo um tanto quanto independente do oficial ministério eclesiástico, tendo que passar apenas por dois processos, a certeza do chamado e a autorização da igreja (onde se levaria em conta uma avaliação segundo os princípios bíblicos). É importante fazer um paralelo com Efésios 4:11.

A luz destes dois textos, fica ainda mais clara e autentica a distinção de Calvino, mostrando que apesar de estarem intimamente ligados, há dois ofícios distintos, com responsabilidades semelhantes: Ensinar a Palavra de Deus, assim também como a tarefa de pregador. Os requisitos básicos podem ser encontrados nos textos onde falam do ministério pastoral e diaconal, onde o primeiro está intimamente ligado aos outros dois ministérios: 1 Tm 3 e 2Tm 4. Depois de verificarmos e concluirmos a existência e necessidade do oficio dos mestres, devemos perguntar: e a EBD com isso? A escola dominical é importantíssima, pois é aí onde os mestres podem exercitar seu ofício, é o lugar ideal, é lar onde os mestres se encontram e interagem com seus alunos, e com certeza de certa maneira cumprindo o ide de Jesus de ensinar aguardar todas as coisas que ele tem ensinado.

É importantíssimo que os mestres da palavra busquem sensibilizar sua congregação da importância da EBD, que está cada vez mais sofrendo, em muitos lugares uma escassez considerável. Hoje, muitos perdem seu tempo indo a shows de pop-stars ditos evangélicos, independente do horário ou lugar. Enquanto que para se levantar cedo para ir para EBD, as coisas complicam e muitos não querem vencer o sono, principalmente meus queridos amigos e contemporâneos jovens e adolescentes. Porém este problema não se limita somente a eles, mas também a muitos adultos. É verdade que existe professores negligentes e que infelizmente não buscam passar um bom conteúdo para o estudante. Outros nem se preparam com um bom planejamento de aula, afirmando, de forma cínica e carnal que “vai fluir na hora”, “o Senhor me dará a Palavra certa” entre outras afirmações com um teor de misticismo anti-bíblico. Que possamos lembrar da vocação em que fomos chamados e também lembrando da advertência de Tiago antes de iniciar um tão profundo, responsável e prazeroso trabalho ministerial, no dia do Senhor, edificando a casa do Senhor, o Corpo de Cristo. Na Palavra do Senhor.



AMÉM.



Soli Deo Gloria

quarta-feira, setembro 19, 2007

Já Chega de NÃO!?!?


“E o mandamento que era para vida, achei eu que era para morte”.
Rm: 7: 10


Bom hoje são 27 de agosto de 2007 são exatamente 08:31h da manhã, acabei de acordar e já me entristeci olhando a televisão, uma apresentadora de um certo programa está falando o pensamento do dia para seus telespectadores, onde diz assim:

“Quando eu era criança, queria crescer logo, virar adulta. Tinha idéias fantasiosas de que um adulto podia tudo, desde dormir na hora que bem entendesse até não precisar ir ao dentista. Parecia o supra-sumo da liberdade. Mas um dia fazemos 18 anos e a partir de então não podemos dirigir sem carteira, não podemos nos isentar de votar e não podemos permanecer solteiros......Não podemos reagir aos assaltos. Não podemos falar ao celular no carro. Não podemos fazer sexo sem camisinha. Não podemos fumar, não podemos beber, não podemos odiar fazer exercícios físicos. Não podemos nos descuidar.....

Não podemos negar um convite. Não podemos ser anti-sociais. Não podemos ser excessivamente honestos...

Quase todos os 10 mandamentos da igreja católica começam com não: não matarás, não roubarás, não cobiçarás a mulher do próximo, não pronunciarás o santo nome do senhor em vão. Não...

Depois de tanto NÃO o dia de hoje nos faz um convite à transgressão.”

Quero deixar bem claro que no site do programa tem esse texto, para quem quiser ler, mas essa ultima parte da transgressão não encontrei, creio ela foi adicionada ao texto pela apresentadora.

Interessante como Deus é, estava eu fazendo a minha leitura bíblica matinal sem procurar nada para tentar esclarecer isso, mas o meu problema era que estava lendo Romanos, não tinha como não ter alguma resposta para isso.Então continuando minha leitura de cara me deparei com “E o mandamento que era para vida, achei eu que era para morte”.(Rm 7: 10) Paulo estava falando de como a Lei revelou o pecado, distinguindo o certo do errado, e aí logo em seguida Paulo ainda fala: “Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou. E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom.” (Rm 7. 11-12). Podemos aplicar esses dois textos no pensamento da apresentadora, claro que nem todos os mandamentos bíblicos começam com NÃO, entretanto no “pensamento do dia”, foram mencionados os 10 mandamentos BÍBLICOS, mas o que quero dizer é parece que o NÃO é uma coisa ruim ao qual não devemos dar ouvidos, entretanto Paulo está falando que a lei é boa que muitas vezes o NÃO é bom, e que devemos obedecer, todavia devemos estar atentos ao NÃO, pois nem todo NÃO é de Deus, por exemplo: Não podemos ser excessivamente honestos... SIM podemos e devemos ser excessivamente honestos.

Para todo NÃO, principalmente os da Bíblia, existe um porque. Mas o que me entristeceu mesmo foi a última parte (a parte adicionada ao texto) sei que aqui estou falando a crentes, entretanto só quero lembrar que para a transgressão de uma lei existe uma penalidade. E a penalidade para o pecado e a morte como está lá em Rm 6: 23.

Que possamos ficar firmes obedecendo o NÃO de Deus para nós
.
Um Abraço.

terça-feira, setembro 11, 2007

O Outro Lado de um Congresso (O Mundo que Eu Vi, parte 2)




Lá estava eu, lutando para chegar antes da chuva no templo-central da Assembléia de Deus em Belém, pois ali haveria a segunda edição de um famoso congresso de adolescentes promovido pela missão regional que trabalha com adolescentes na cidade, com sede no templo central, a MCAD. Durante certo tempo trabalhei como supervisor geral e articulista do jornal da missão, que depois foi acoplado ao projeto de mídia integrada, que infelizmente ainda não andou como deveria. Porém, devido a certos processos que não convém explicar (pelo menos não agora), fui transferido para a Missão Jovem, onde fiquei sem “por a mão no arado” por vários meses (que para mim pareceu um longo tempo), porém um companheiro que tinha trabalhado comigo pediu-me certo auxilio para o congresso, pois ele se tornara líder e precisava de certa ajuda na área de mídia, que eu fazia parte tempo atrás, aceitei com certo receio, porém depois fui sem pestanejar.
Apesar de eu saber o que me esperava, busquei fazer com carinho e com certas técnicas de filmagem que aprendi na faculdade, além do que decidir fazer, como jornalista, a cobertura desse evento.
Vi coisas muito boas neste congresso, como por exemplo, a determinação das equipes de líderes e liderados. A vontade de Salvação pelas almas perdidas, a boa-vontade em fazer a obra de Deus, o sacrifício prestado e ouros pontos de comunhão feitos neste congresso merecem meu apoio e admiração pela causa de Deus.
Porém uma verdade não esconde outra verdade.
Entre uma pausa entre uma filmagem e outra, falei com Carlos Eduardo, que estava envolvido no evento:
- E aí, tudo certo?
- Ta difícil - respondeu Carlos, com um ar que misturava cansaço e preocupação.
- Qual é o problema?
- Os adolescentes estão fazendo um inferno no elevador.
Lá estava eu e Cadu correndo atrás de algumas “crianças peraltas” que brincavam entre os elevadores do templo, e depois caçamos certos casais em busca de beijos, abraços, e quem sabe, uma aula de anatomia.
Nesse evento havia de tudo, desde danças coreográficas a Música Rock “Cristã”.
Ah. Mas também houve o momento do “louvorzão” durante as noites onde havia o “culto” a Cristo. Para falar a verdade, não houve nada de mais, apenas adolescentes se atirando perto do púlpito na hora das canções “animadas” e “bem adolescentes” e gritando e tendo momentos de certa histeria emocional (é bem provável que me chamem de frio e coração duro depois dessas afirmações), onde, na terceira noite do evento, uma menina pequena estava tropeçou, já estava sendo chutada e prestes a ser pisoteada por adolescentes “cheios do fogo” (provavelmente o mesmo fogo estranho ofertado pelos filhos de Arão). Houve também alguém totalmente coberto de branco tocando um Shofar para atrair a presença do Senhor, isso na primeiro dia de abertura. Ah, também teve adolescentes dançando em pé nos bancos da igreja, Unção do riso e intensa gritaria(já no terceiro e último dia), Regaae que lembrava o som de Bob Marley (apesar de ele ser mestre neste tipo de música). Sim, também houve certo choro e sim, creio eu que houve uma determinada conversão legítima por parte de determinadas pessoas, um choro sincero. Porém isso não anula, nem justifica a triste perda de identidade que nossa igreja está sofrendo cada vez mais. Estamos vendo uma guerra de opostos brutais: de um lado, temos a turma do “reteté”, de onde sai muito farisaísmo, misticismo, modismos e uma cultura subpentecostal, onde o que reina são absurdos doutrinários e teológicos. Do outro lado da trincheira, temos uma geração traumatizada com os “mestres do passado” tiranos e cruéis, que, na visão deles, proibiam a tudo e a todos, por isso é necessário termos “estratégias de Deus” para alcançar uma faixa adolescente.
Lembro-me de John Macarthur Junior, quando ele dá um golpe certeiro em um de seus livros, a frase é mais ou menos assim: “utilizar traumas do passado para solucionar questões do presente não muda a situação”. O que Macarthur falou é uma verdade. O fato de nossos pais terem sido proibitivos demais não justifica o fato de passarmos por cima de tudo de bom que eles nos ensinaram pela Palavra de Deus. Hoje, a juventude assembleiana está cada vez mais tendo vínculos com outras denominações, em especial as neopentecostais, absorvendo praticamente todo o tipo de doutrina, onde a Confissão Positiva é a dominante. Também temos as doutrinas como as promovidas pelo movimento de Toronto, que enfatiza unção do riso (uma prática totalmente alheia ao ensino bíblico), o “cair no Espírito”, onde afirma que uma pessoa, tomada pelo poder de Deus, pode cair e ficar inconsciente, algo totalmente alheio às manifestações do Espírito mostradas em 1 Coríntios.
Hoje vemos uma geração cada vez mais sendo tomada pelas emoções e esquecendo que o culto a Deus, apesar de envolver grandemente nossos sentimentos, é racional ( Rm 12:1), e que adoração, é essencialmente muito mais obediência do que gratidão e oferta, e envolve observância dos preceitos de Deus, ou seja, adoração é estabelecida pelo próprio Deus e é revelada nas páginas das Sagradas Escrituras, segue-se que imaginações, doutrinas e preceitos de homens são duramente refutados( Dt 12:32, se possível leia todo o capítulo, e também Colosssenses 2:18-23).
Talvez o momento mais triste para mim foi no momento onde buscava-se sugestões por parte de adolescentes sobre o futuro programa que estreará na Rede Boas Novas, chamado “Hiper Ativo”. Em todas as sugestões dadas, eram aplausos e assobios: “ Eu gostaria que tivesse muitos filmes”, “VIIVVIIIVVVAAA!!!!”, “eu gostaria que tivessem muitas entrevistas com cantores famosos” “AAAHHHHEEEHHHH”, “eu gostaria que se falasse sobre profissões” “EEEEHHHHHEEHH”. Até que uma voz destoou do som uníssono: “bem, eu gostaria que houvesse... PALAVRA DE DEUS, ONDE ENSINARIAM OS ADOLESCENTES A VIVER...”, “.........eh.....”.
Para mim, foi o momento mais triste e lamentável do congresso.
Citando Roger Olson, se alguém tiver Deus, mas não tiver sua Palavra, não tem Deus nenhum, se alguém buscar a Deus fora de Sua Palavra e acima de tudo a Jesus Cristo vai encontrar o diabo e não Deus. Sim, haverá tempo em que muitos buscarão ouvir a Palavra de Deus com fome dela, mas onde ela estará? Por acaso ela não dura eternamente? Sim certamente, porém muitos a buscarão e não a acharão. Ela desaparecerá de muitos de nossos púlpitos e de nossas salas. Todavia, não podemos culpar a Deus pela nossa própria negligência, ainda há muito a ser feito, e por mais que ela desapareça de nossos púlpitos, ela ainda aparecerá!!! Jesus está voltando, por isso, trabalhemos mais e mais e não sejamos como os tessalonicensses.
É bastante triste para mim escrever essas palavras, afinal muitos ali presentes são conhecidos e amigos em que eu estimo bem. Mas a verdade não pode ser negligenciada, e infelizmente(ou felzimente) por mais duro que seja é necessário falar tais coisas. Há muito que s e pode fazer por um congresso, sem necessariamente transgredir a Palavra de Deus e não cair no emocionalismo barato.
Soube por meio do rádio, antes de terminar este artigo, em um programa de que não me lembro o nome, sobre uma adolescente que participou do congresso e quer mudar de denominação. Outra adolescente ligou para a rádio afirmando que o congresso era uma benção e por isso talvez tenha sido algo que ela tenha visto.
É...talvez...tenha sido o mundo que ela viu.
Alguém poderá objetar: “Mas Victor... tu queres tirar as músicas, as barulheiras, o Shofar, os ritmos alucinantes, as unções, o que vais querer dar para eles, para suprir a vida espiritual de jovem povo?”
Bem eu responderia: “a única coisa que e realmente me preencheu verdadeiramente, está acima de qualquer ritmo, música, ou modismo do povo, que seria...”.

“CRISTO”
Soli Deo Gloria

sábado, agosto 25, 2007

John Wesley, o neo-teísmo e os teólogos tupiniquins.



Não há como negar a importância do pregador e avivalista inglês do século 18 John Wesley. Quem lê um pouco de sua biografia deslumbra-se com esse grande homem e pregador por seu caráter, santidade e amor pelas almas perdidas.
Há uma interessante questão acerca de Wesley que pode ser encontrada no livro do teólogo batista e amigo de Gregory Boyd Roger Olson, em seu livro História da Teologia Cristã. Neste livro, ao falar acerca de Wesley, ele nos relata que Wesley não produziu sistematicamente uma teologia, pois para ele, os teólogos já haviam produzido suficiente. Porém o próprio Wesley “contribuiu” para a teologia cristã ao falar acerca da doutrina da “santificação plena”, ou seja, o crente pode desfrutar uma santidade plena ainda nesta vida. Até hoje a doutrina de Wesley é controvertida, e gera bastantes discussões no meio teológico, creio que isso dará uma boa discussão em outros artigos. Todavia, me prendo a opinião de Wesley sobre teologia e busco aplicar este principio no cenário teológico brasileiro atual.
A comunidade teológica brasileira está vivendo dias movimentados com relação ao processo que envolve o pastor Ricardo Gondim e Ed René Kivitz desde quando eles aceitaram a doutrina do neo-teísmo proposta por Gregory Boyd e outros ph’deuses da teologia americana. A controvérsia foi tão grande que até o pastor Augustus Nicodemus Lopes se viu dentro desta discussão ao debater e dar uma réplica ao pastor Godim, que publicou certa critica às opiniões “calvinistas” de Nicodemus em seu site.
Meu intuito a escrever este artigo não é criticar em si a pessoa de Ricardo Gondim ou de Ed René Kivitz, e sim buscar fazer uma reflexão sobre essa delicada questão que envolve a teologia tupiniquim. É algo que tenho notado desde tempos de jovem convertido, quando me deparei pela primeira vez com o artigo “estou cansado” do pastor Gondim. Fiquei intrigado e um tanto perplexo como que li. Hoje, com tantas polêmicas envolvendo o absurdo do Neo-teísmo por parte de teólogos com mentes brilhantes cabe perguntar: O que há de errado com a teologia tupiniquim? Será que para ser um bom teólogo brasileiro é necessário ter um pensamento totalmente novo, ainda que esse pensamento seja contrário às Escrituras? Pois é isso que parece, e é algo que vejo em vários seminários. Há professores de teologia que ensinam que Deus não é onisciente, onipotente, nem onipresente, e ainda é mutável!(isso bem antes do teísmo aberto ter se tornado moda, um professor de um conceituado seminário batista aqui em Belém já havia proposto tais definições), será que teologia é como as outras ciências, onde conceitos são revistos à luz da intelectualidade humana, e às vezes são mudados pela simples vontade de mudar? Creio que não.
Creio que existem temas que precisam ser mais bem explorados das Escrituras, mas nada com relação às doutrinas essenciais da Bíblia. Grandes homens doaram sua mente para sistematizar uma doutrina complicadíssima como a trindade divina em controvérsias brutais com hereges. Grandes homens sofreram quando afirmaram que uma doutrina, uma doutrinazinha qualquer dessas por aí que fica rolando na boca de todo mundo que se diz genuinamente crente, afirmando que essa doutrina é essencial para poder compreender a salvação, uma doutrinazinha chamada justificação pela fé, que ninguém reformula por uma melhor, nem pelo nome, ora essa! Lembro-me de grandes homens que afirmaram que Jesus é Deus feito carne, e não um Deus e um homem compostos, penso naqueles homens que lutaram contra uns criativos teólogos, que buscavam dar uma nova visão à teologia, algo mais adaptado a mente moderna, algo que pudesse sustentar uma visão cristã mais moderna, sabe como é... Algo mais de acordo com o mundo, a ciência, quem sabe, qual é o problema de dizer que Jesus não é Deus? Ora, todo mundo sabe que Deus é o pai de todos, e que sua qualidade maior é o amor? Porque não abraçar certas idéias científicas? Sabe como é... algo mais light e contemporâneo para agradar as pessoas, afinal estamos na dispensação da graça. Sim, lembro-me desses homens que lutaram contra isso e foram humilhados, uns sujeitinhos rústicos e anti-intelectuais, tais chamados fundamentalistas, anti-evolução, etc, e uns brabos que diziam que Jesus veio de uma virgem, oh que mito!!! Sim, aquele tal de Machen que, graças a Deus foi desprezado e humilhado em julgamento infame e tirado de sua denominação. Ainda bem que foram substituídos por teólogos mais inteligentes como Karl Barth, que afirmava que a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas se torna quando Deus a toma, afinal Deus é transcendente. Ora por que não??? Ora por que então ainda há tanta relutância com esses crentizinhos mixurucas que só recebem o que os outros pensam, esses robozinhos medíocres, uns piores que os outros, tem um grupo então que se acha melhor que os santos apóstolos e quer falar em línguas e profecia, oh que soberba e misticismo!!! Por que será que existe tal relutância?
Talvez...
Talvez seja porque eles preferiram as palavras de homens rústicos que falavam de acordo com o que Deus fala.
Talvez seja porque eles, ao pensarem por si mesmos, viram que não precisavam criar um novo conceito, mas sim viver o conceito antigo, é...isso mesmo, aquele conceitozinho de acordo com aquele livrinho chamado Bíblia.
Oh, talvez seja porque eles viram que teologia é uma amostra, amostra daquilo que Deus fala na Bíblia, não dos pensamentos dos intelectuais e ph’deuses.
Talvez porque eles viram que não precisam mudar aquilo que está totalmente de acordo com a palavra Imutável.
Oh pior! Talvez seja porque eles viram que teologia É VIDA, É PRATICA, e boa teologia é feita em meio a controvérsias, é feita visando à salvação e o crescimento espiritual, e não a questões de sofrimento onde Deus fala não que Ele não podia prever isso, mas sim, Ele é Soberano, e faz todas segundo o conselho de sua vontade ( Ef 1:11).
É. Talvez seja por isso.
A muito do que se pode fazer para uma boa teologia sem ferir o próprio Deus, porém não é isso que eu vejo acontecer com os teólogos tupiniquins. Caio Fábio sugere que devemos ser de acordo com a lei homofóbica, Gondim e outros, afirmam que Deus não conhece todas as coisas e não é todo-poderoso.
O mundo cristão brasileiro está em grave crise com modismos, heresias, e pecados horripilantes, que espero nunca cometer em minha vida, pois sou um pecador e não estou livre de tais coisas, que Deus me guarde! Que Deus nos guarde e nos dê graça para podermos ser como aquela igrejinha, “rústica”, “ignorante”, “primitiva”. Esses crentizinhos que “perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.”(At 2:42)

Soli Deo Gloria
P.S : Não deixe de ler o artigo anterior em que eu, Carlos Eduardo e Nilton Rodolfo entrevistamos Carlos Moysés, vocalista do Voz Da Verdade.