sexta-feira, dezembro 31, 2010

GQL 2010: o ano em que nos tornamos marginais



Nilton Rodolfo se dirige tristemente pelos corredores de uma das salas da congregação, a desolação interior é um reflexo das cenas que se seguem. Esbarra com Renan Diniz na porta:

- E aí, onde vai ser a aula? - era um domingo.

- Não sei - responde apressadamente Nilton.

Para se entender o contexto desta história, é necessário fazer um breve balanço deste ano que daqui a algumas horas terminará.

Não se pode dizer que este ano não fora um ano acompanhado de muitas bençãos para os editores do blog, tanto na vida pessoal quanto eclesiástica. Dentre as bençãos que seguiram tivemos o casamento de Carlos Eduardo e o noivado de Renan Diniz, as ministrações regulares dadas por mim, Nilton Rodolfo e Janyson Costa aos domingos na Escola Dominical da Missão com Adolescentes das Assembléia de Deus em Belém, na congregação do bairro de Nazaré, comumente chamada de igreja-mãe. Apesar de toda as dificuldades que enfrentamos para poder ministrar, pela graça de Deus, tivemos aulas freqüentes e a dedicação à comunhão foi expandida consideravelmente, a própria comunhão e unidade entre os editores foi edificada e fortalecida. Muitas outras bençãos vieram neste ano, que não foram escritas aqui.

Apesar do blog fechar na média das postagens regulares por ano, não se produziu tantos artigos regulares, sendo que desta vez foram mais alternados pela divulgação de outros irmãos e amigos e pela exibição de vídeos de nosso recente canal na internet. Poderíamos ter discursado sobre mais temas teológicos (algo que refletimos positivamente neste ano) e temas relacionados a políticas eclesiásticas (algo que também refletimos, mas sempre com uma conclusão não muito positiva). Por certo, espera-se que neste próximo ano o número de postagens aumente consideravelmente.

Porém nem tudo são flores. Devido ao nosso pedido de licença- que foi tratado como recusa oriunda de rebeldia e nunca de motivos teológicos saudáveis - feito por Nilton, Janyson e eu; para não participar de um evento supostamente evangelístico promovido pela liderança geral da missão de adolescentes, que em seu bojo trazia uma raiz extremamente pragmática, tivemos nossos cargos retirados, tanto da escola dominical (na qual nós três atuávamos como professores, Janyson e eu servindo como coordenadores) quanto de qualquer outra atividade que podíamos exercer, como o programa de rádio liderado por Nilton e seu ensino em um dos grupos pequenos.

A cena no início do artigo se deu em nosso último domingo como professores, que fora um momento de despedida e tristeza, não somente por nossa parte, como também de nossos alunos. O choque foi muito duro para Nilton, que desde de tenra adolescência participava desta missão.

Com isso, pode-se dizer que ficamos à margem de todo o processo deliberativo da missão e o ensino regular sofreu um forte choque e ruptura.

Mesmo em meio a uma profunda decepção, há certas reflexões que pudemos retirar de tudo isso: a gravidade do sistema eclesiástico assembleiano, aliado a um papismo aparentemente velado, que não têm compromisso com a doutrina é tão forte que nos atingiu de frente. E ao mesmo tempo vemos o quão bondoso Deus é, até mesmo quando enfrentamos as mais cruéis das tormentas. Podemos ter a motivação e noção da tranquildade dos morávios contemplados por John Wesley quando este se viu em meio a uma tempestade no meio do oceano. O que nos deixa certamente perplexos é que que essa tempestade violenta ameça se estender por todo o oceano assembleiano, quebrando todos os navios existentes. Porém não podemos perder a esperança quando sabemos que temos o Senhor dos Exércitos descansando em nossas embarcações, que tem poder sobre o céu e a terra, assim também como a fúria dos mares e da tempestade ( Sl 24: 1-2/ Mt 8:23-27).

Apesar de não anularmos a responsabilidade humana, cremos firmemente n'Aquele que "faz todas as coisas segundo o conselho de Sua vontade" (Ef 1:11b), sabendo que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam (Rm 8: 28). É em tão forte revelação que temos firmado a nossa fé e nosso contentamento, com genuína alegria por meio de Cristo Jesus, sabendo que em meio a tudo isso, Deus trata não somente de outros, mas também dos nossos próprios corações.

"Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porem não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos...

Como enganadores, e sendo verdadeiros; como desconhecidos, e entretanto, bem conhecidos; como se estivéssemos morrendo e contudo eis que vivemos; como castigados, porém não mortos; entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo" (2 Co 4:8-9/ 6: 8-10)

Que o Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo seja louvado!

Um feliz 2011 a todos!

Soli Deo Gloria

sexta-feira, dezembro 24, 2010

O genuíno presente de Natal


"Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será chamado Emanuel¹" (Is 7:14)

Não há dúvida que este sinal, dado ao rei Acaz, era fora do comum. Um genuíno milagre que vai além da compreensão humana. Coisa comum é uma jovem ter filhos, porém a natureza do sinal revelava a glória divina: Uma virgem conceber. Tal nascido seria diferente de todos os outros. Mais a frente, afirma o profeta:

" O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os que habitavam a região da sombra da morte resplandeceu a luz... Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, príncipe da Paz"(Is 9: 6)

Tal menino iria de crescer, e este se assentaria no torno de Davi (versículo 7). Uma das maiores bençãos para o povo de Israel seria que este menino não somente os livraria dos inimigos externos, não simplesmente livraria de seus opressores, mas que este povo que "andava em trevas" veria a Luz brilhar. Nos cabe considerar tal importante texto: O menino era Deus e vinha de Deus (Is 9:6). O próprio Deus havia dado este menino, que também seria chamado de "Deus forte" cujo reinado não teria fim(vrs 7). Este menino era (e é) O verbo que se fez carne( Jo 1: 14); Jesus Cristo, o Justo.


Nessa época é comum nossa sociedade afirmar estar vivendo o "espírito de natal", entretanto, a verdade é que esta não compreende o significado dado a esta celebração: o próprio presente de Deus dado ao seu povo. A manjedoura deve apontar para o calvário. Tal menino nasceu, cresceu, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou.

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3:16)

Um Salvador foi dado, não somente ao povo de Israel, mas para todo o mundo. Que possamos a cada dia de nossas vidas confiarmos cada vez mais no Senhor Jesus Cristo, o Emanuel, o verdadeiro Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Que possamos, não somente nesta data, mas por todos os dias de nossas vidas, nos alegramos por tão grande e imerecido presente de Deus. Não nos foi dada simplesmente a salvação, foi nos dado o Salvador, O Rei e todos aqueles que o confessam como tal também podem dizer: Deus Conosco! Por isso podemos recitar o cântico angelical:

"Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens" (Lc 2:14)

Um Feliz natal a todos!

Soli Deo Gloria

Nota:

[1] Mateus faz questão em seu Evangelho de nos dar a tradução desta palavra hebraica: "Deus conosco".

domingo, dezembro 19, 2010

Especial natal: seria a árvore um ídolo?


por John Macarthur


À medida que o Natal vai chegando, questões como esta começam a aparecer. Como tudo na vida, é importante olharmos para estas questões com discernimento bíblico.

Neste caso, não vemos nada de errado com a tradicional árvore de Natal. Porém, alguns têm ensinado que é errado para qualquer cristão ter uma árvore de Natal em suas casas. Será que as razões para isso são válidas? Achamos que não. Vamos dar uma olhada nas duas objeções mais comuns que as pessoas fazem contra as árvores de Natal.

Primeiro, alguns são contrários às árvores de Natal por elas terem origens pagãs.

Acredita-se que Bonifácio, missionário inglês na Alemanha do século oitavo, instituiu a primeira árvore de Natal. Ele supostamente substituiu os sacrificios feitos ao carvalho sagrado do deus Odin, por um abeto enfeitado em tributo a Cristo. Alguns outros afirmam que Martinho Lutero foi quem introduziu a idéia da árvore de Natal iluminada com velas. Baseado nestas informações podemos dizer que a árvore de natal tem um excelente pedigree cristão.

Porém, mesmo se um histórico pagão fosse claramente estabelecido, isso não necessariamente significaria que nós não poderíamos usar árvores de Natal. Talvez a analogia a seguir ajude.

Durante a II Guerra Mundial, os militares americanos usaram temporariamente algumas ilhas remotas do Pacífico Sul como pistas de aterrissagem e como depósitos de suprimentos. Antes daquela época, os povos indígenas tribais nunca tinham visto tecnologia moderna de perto. Grandes aviões cargueiros chegavam cheios de materiais, e pela primeira vez os nativos viram isqueiros (que eles achavam ser mágicos), jipes, geladeiras, rádios, ferramentas elétricas e uma enorme variedade de alimentos.

Quando a guerra terminou, os nativos concluiram que os homens que trouxeram a carga eram deuses, então eles começaram a construir templos para os deuses da carga. Eles tinham a esperança de que os deuses da carga voltariam com mais bens.

Bonifácio

Bonifácio [suposto criador da árvore natalina].

A maioria das pessoas sequer sabe sobre esta superstição religiosa. Da mesma forma, poucos sabem qualquer coisa sobre a adoração de árvores. Quando uma criança puxa um grande presente de debaixo da árvore de Natal e desembrulha um modelo de avião cargueiro, ninguém olha pra aquele objeto como um ídolo. Nem nós vemos a árvore de Natal como uma espécie de deus dos presentes. Nós entendemos a diferença entre um brinquedo e um ídolo tão claramente quanto entendemos a diferença entre um ídolo e uma árvore de Natal. Não vemos uma razão válida para fazer qualquer conexão entre árvores de Natal e ídolos de madeira ou adoração de árvores. Aqueles que insistem em fazer essas associações deviam prestar atenção nos avisos nas Escrituras contra julgar os outros em coisas duvidosas (vejam Romanos 14 e I Coríntios 10:23-33).

Outra reclamação comum é que as árvores de Natal são proibidas na Bíblia. Jeremias 10 é muito usado para dar apoio a este ponto de vista. Mas uma olhada mais de perto nesta passagem vai mostrar que o texto não tem nada a ver com árvores de Natal e tudo a ver com adoração a ídolos. O verso oito diz “querem ser ensinados por ídolos inúteis; Os deuses deles não passam de madeira.”

Adoração a ídolos era uma clara violação dos Dez Mandamentos. Êxodo 20:3-6 diz: “Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o SENHOR,o teu Deus, sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta geração daqueles que me desprezam, mas trato com bondade até mil gerações aos que me amam e obedecem aos meus mandamentos.”

Não há conexão entre a adoração aos ídolos e o uso de árvores de Natal. Nós não devíamos ficar ansiosos a respeito de argumentos vazios contra as decorações de Natal. Em vez disso, deveríamos focar no Cristo do Natal, esforçando-nos com toda a diligência a lembrar a verdadeira razão de comemorarmos esta data.

Traduzido por Daniel TC | iPródigo


Extraído do blog iPródigo


[Soli Deo Gloria]

quinta-feira, dezembro 16, 2010

O natal e o crente - por John Macarthur

Importante artigo e vídeo(legendado em espanhol) do pastor John Macarthur, no qual trata sobre o real sentido da celebração de natal.


As Escrituras não ordenam especificamente que os crentes celebrem o Natal — não há “Dias Sagrados” prescritos que a igreja deva celebrar. De fato, o Natal não era observado como uma festividade até muito após o período bíblico. Não foi antes de meados do século V que o Natal recebeu algum reconhecimento oficial.

Nós cremos que o celebrar o Natal não é uma questão de certo ou errado, visto que Romanos 14:5-6 nos fornece a liberdade para decidir se observaremos ou não dias especiais:

Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus (Romanos 14: 5-6).

De acordo com esses versos, um cristão pode, legitimamente, separar qualquer dia — incluindo o Natal — como um dia para o Senhor. Cremos que o Natal proporciona aos crentes uma grande oportunidade para exaltar Jesus Cristo.

Primeiro, a temporada de Natal nos lembra das grandes verdades da Encarnação. Recordar as verdades importantes sobre Cristo e o evangelho é um tema prevalecente no Novo Testamento (1 Coríntios 11:25; 2 Pedro 1:12-15; 2 Tessalonicenses 2:5). A verdade necessita de repetição, pois nós facilmente a esquecemos. Assim, devemos celebrar o Natal para recordar o nascimento de Cristo e nos maravilhar ante o mistério da Encarnação.

O Natal também pode ser um tempo para adoração reverente. Os pastores glorificaram e louvaram a Deus pelo nascimento de Jesus, o Messias. Eles se regozijaram quando os anjos proclamaram que em Belém havia nascido um Salvador, Cristo o Senhor (Lucas 2:11). O bebê deitado na manjedoura naquele dia é nosso Senhor, o “Senhor dos senhores e Rei dos reis” (Mateus 1:21; Apocalipse 17:14).

Finalmente, as pessoas tendem a serem mais abertas ao evangelho durante as festividades de Natal. Devemos aproveitar desta abertura para testemunhar a eles da graça salvadora de Deus, através de Jesus Cristo. O Natal é principalmente sobre o Messias prometido, que veio para salvar Seu povo dos seus pecados (Mateus 1:21). A festividade nos fornece uma maravilhosa oportunidade para compartilhar esta verdade.

Embora nossa sociedade tenha deturpado a mensagem do Natal através do consumismo, dos mitos e das tradições vazias, não devemos deixar que estas coisas nos atrapalhem de apreciar o real significado do Natal. Aproveitemo-nos desta oportunidade para lembrar dEle, adorá-Lo e fielmente testemunhar dEle.

Extraído do site monergismo

Soli Deo Gloria

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Não fiquem animados


Conversando com um professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie soube que pelo menos 70% dos alunos de graduação em teologia pertencem à igrejas pentecostais. E segundo esse mesmo professor, pelo menos metade são das Assembleias de Deus. Conversando com outras pessoas soube que o mesmo acontece nas demais faculdades tradicionais, talvez com menos intensidade, mas acontece. Os jovens assembleianos estão se qualificando no ensino teológico.

Depois de anos de anti-intelectualismo no seio assembleiano a notícia acima é muito animadora. Mas ao mesmo tempo o ânimo acaba. O motivo? Quase nenhum desses jovens talentos chegarão no ministério eclesiástico. Mesmo que muitos deles sejam vocacionados para o ministério da Palavra, as igrejas continuam em um esquema antibíblico de ordenação. Muitos “chegam lá” por meio não convencionais, como amizade e bajulação. Forte isso? Mas é verdade.

Certa vez, quando ajudava na liderança de um grupo de jovens, tive um pequeno problema em um evento. Então fui conversar com o líder geral daquele grupo para solucionar o impasse e ele me perguntou: - Olha, Fulano da Silva (que era a liderança maior na área) viu você no evento? Eu respondi positivamente. Então ele respondeu: - Isso é o que importa! Fiquei calado e dias depois saí daquele grupo.

Ou seja, ainda muitos que fazem algum trabalho eclesiástico estão interessados em serem vistos por lideranças maiores. E infelizmente os “vistos” são promovidos. Há até ditado no meio eclesiástico assembleiano: “Quem não aparece não é visto”. Isso é horrível! É o caminho da bajulação. Nada tem a ver com as qualificações exigidas em o Novo Testamento.

Então não adianta preparo educacional e convicção da chamada ministerial. Ora, para a ordenação é importante “aparecer” aos líderes maiores. Sim, isso existe. Vamos ficar calados e achar que é assim mesmo? Muitas das ordenações está baseada em uma relação de amizade, compadrio e nepotismo.

Não estou generalizando. Mas há muito disso sim! Ou seja, muitos jovens vocacionados e teologicamente educados não chegarão lá porque simplesmente não são “vistos” e nem querem entrar nesse esquema. Chega disso!

Por Gutierres Siqueira (para acessar esse e outros artigos do autor, visite o blog Teologia Pentecostal).


Nota: não há dúvidas que a bajulação se tornou o quesito quase indispensável para ingressar no ministério eclesiástico assembleiano. Aos genuinamente vocacionados, peço eu que confiem na soberania de Deus, que estabelece reis e tira reis (Dn 2:20), para que, como Esdras, estejam preparados para a hora que Deus os chamar ( Ed 7:10).

Soli Deo Gloria


sexta-feira, novembro 19, 2010

Berg e Vingren: O desafio começou há 100 anos

Navio Clement, navio que trouxe Berg e Vingren a Belém, em 19/11/1910


A bordo do navio Clement, vindo de Nova York, os dois jovens evangelistas possuíam apenas alguns pertences e muito pouco dinheiro. A viagem tinha sido longa, mas em breve eles pisariam no chão de seu campo missionário. Um dos maiores contratempos daqueles jovens é que não falavam a língua do povo no qual criam ter sido destinados no agir missionário. Só havia uma coisa que os poderia sustentar: a Providência do Deus Todo-Poderoso.

Passados cem anos, uma das coisas que mais me impressionam dos dois jovens é sua confiança em Deus e zelo no cumprimento de seu chamado. As dificuldades que enfrentaram há 100 anos não é muito diferente da enfrentada por todos os genuínamente chamados para missões de vanguarda, assim como certamente semelhante as dificuldades enfrentadas por missionários hoje, porém a natureza das tribulações por certo nos chama a atenção.


Berg e Vingren tinham de início apenas o auxílio mútuo e de alguns irmãos. Porém quando o choque com a 1º Igreja Batista ocorreu, poucos acreditavam que tais jovens alcançariam frutos tão excelentes a serviço da causa do mestre. Eles não haviam frequentado seminários de peso, nem tampouco passaram por cursos sobre crescimento de igreja, estratégias de evangelismo mescladas com pressupostos mercadológicos. Se Francis Schaffer escreveu que um cristão com a Bíblia na mão pode mostrar que a maioria está errada, me atrevo a afirmar que esses dois jovens, com a Bíblia na mão e o Evangelho no coração, mostram para muitos que podem fazer a diferença sem precisar de nenhum outro artíficio. Crendo apenas nos resultados vindos da ação do Santo Espírito no coração dos que herdariam a vida eterna.


As mais diversas explicações para o grande crescimento das Assembléias de Deus são importantes, porém insuficientes se negarem o pressuposto da ação divina sobre esses rapazes. Que colocaram o Brasil e o mundo de cabeça para baixo. Creio que o zelos que eles tinham por Cristo tem muito o que nos ensinar.




- O Zelo pela doutrina Bíblico-pentecostal:

Como já escrevi anteriormente, Berg e Vingren tinham uma mensagem essencialmente cristocêntrica¹, que era acompanhada do fogo pentecostal iniciado em Azuza em 1906. Eles jamais colocaram a experiência ou o testemunho pessoal acima das Escrituras². Hoje conseguimos ver muita coisa, porém pouco daquilo que um dia foi o Evangelho pregado por Berg e Vingren. Nossos púlpitos estão mais cheios de modismos, política e caciquismo do que da simplicidade dos pioneiros. Não se conclui com isso que estes eram isentos de erros, porém nada que sirva para tirar o brilho e dedicação dados às almas.




- A Confiança sem par dada a ação do Espírito Santo na pregação do Evangelho.


É lamentável ver a denominação iniciada por Vingren utilizando de estratégias carnais pra atrair incrédulos ao seu seio. Utiliza-se todo tipo de artíficio hoje em dia, depois coloca-se de forma ímpia o Nome de Deus para justificar tais atos e dar uma aparência espiritual a tais ações. Muitos pastores assembleianos querem ter o mesmos resultados obtidos por Berg, porém não possuem metade de seu caráter, integridade e unção para tais, são como Davi tentando utilizar a armadura de Saul. Esquecem da primeira frase que Berg utilizava no início de seu trabalho missionário: "Jesus Salva". O trabalho de Berg era pregar a Palavra de Deus pelo poder do Espírito Santo. Não há dúvidas que O mesmo Espírito Santo iria atrair os pecadores e salvá-los da condenação. O que temo hoje são muito líderes confiando em seu próprio braço e pedindo a benção de Deus, porém nem ao menos atentam para a sua vontade revelada. Não era essa a visão de Berg, por certo não deve ser essa a visão de uma liderança genuinamente pentecostal também.




Não afirmo contudo, que devemos simplesmente nos prender ao passado e muito menos deixar de mudar para melhor. O problema é que poucos atentam para o pentecostalismo de Berg e Vingren e buscam a herança espiritual deixadas por eles, poucos querem verdadeiramente seguir os seus passos, querendo ou não, o que há na cabeça de muitos oficiais eclesiásticos pentecostais é simplesmente: "O que aconteceu com Berg e Vingren foi muito bom, mas já passou; busquemos coisas novas". Essas "coisas novas" nada mais são do que estratégias políticas e carnais para aumentar o número de membros, o espaço do estacionamento e um grande dízimo para obras faraônicas. Não há dúvida que precisamos de Berg para ensinar o que é pentecoste.




Há mudanças que verdadeiramente devem ser feitas, como por exemplo uma importância na capacitação de obreiros indicados para o ministério pastoral, uma formação teológica profunda e ortodoxa, com instituições piedosas em vários lugares do Brasil uma reflexão maior sobre pneumatologia e governo eclesiástico à luz da palavra de Deus. Uma forma de diminuir a corrupção e pecados no ministério, dissipar o legalismo oriundo das trevas do legalismo ignorante.



Muito se fala em desafio do centenário, porém o maior desafio sem dúvida (pelo menos o maior) não é o centenário, pois este acontecerá dentro de poucos meses, e ficará na memória. O genuíno desafio começou há 100 anos, e este não podemos esquecer: sermos instrumentos para a transformação de vidas, pregando o evangelho, obedecendo ao Senhor e confiando na ação de seu Santo Espírito.


Soli Deo Gloria


Notas:

[1] Este artigo está disponível no blog, intitulado "Os 4 Jotas do Pentecostalismo".


[2] Fiz uma reflexão a partir do relato da viagem de Berg a uma Assembléia de Deus em Portugal. Este relato está no artigo "Seriam os pentecostais místicos?", no qual ele confrontou a ênfase em experiências acima da Palavra de Deus.

segunda-feira, novembro 15, 2010

Piper versus Hipercalvinismo


"Cavalheiro, o senhor não tem direito de ir para o inferno - o senhor não pode ir para lá sem pisar no Filho de Deus". Charles Spurgeon.

Importante vídeo onde Piper, um calvinsita bíblico, tece alguns comentários sobre o hipercalvinismo. Que possamos nos ater a Palavra de Deus , nos apegando firmemente a textos bíblicos nesta questão.


Soli Deo Gloria



terça-feira, novembro 02, 2010

Oremos( e se possível, ajamos) por nosso irmão iraniano ...


Peço a oração dos irmãos da blogosfera e leitores do blog pelo pastor Youcef Nadarkhani, acusado de apostasia.


"Youcef Nadarkhani, um pastor do Norte do Irã, foi preso [prisão de Lakan] em outubro de 2009 depois que ele questionou o monopólio muçulmano no ensino religioso que seus filhos estavam recebendo na escola, argumentando que a Constituição do Irã permite criar os filhos na fé de seus pais. O Pastor Nadarkhani, e mais tarde sua esposa, Fatemeh Passandideh, foram acusados de apostasia. Enquanto sua esposa foi solta no começo deste mês, depois de quatro meses de prisão, de acordo com fontes iranianas o Pastor Nadarkhani foi acusado, declaradamente julgado, e informado verbalmente que ele vai receber pena de morte, embora nenhum nenhum veredito formal tenha sido emitido.

Durante o anos passado, os registros da combalida liberdade religiosa do governo iraniano deterioraram, especialmente quanto às religiões: baha'is, cristã e muçulmanos Sufis. Agressões físicas, aborrecimentos, detenções, prisões, intensificação de aprisionamento. Mesmo as minorias religiosas não-muçulmanas reconhecidas, como Judeus, arminianos e Cristãos Assírios e Zoroastrismo, protegidos sob a constituição iraniana têm enfrentado crescente discriminação e repressão. Desde a disputa eleitoral de junho de 2009, o governo iraniano tem intensificado sua campanha contra as minorias religiosas não muçulmanas..." (leia a matéria completa no blog do irmão João Cruzué, e no site da Missão Portas Abertas).


Oremos por nosso irmão e, se possível que possamos agir na medida do possível em favor de sua liberdade, para a glória o nome de Deus. Se possível for, divulgue em seu blog essa importate notícia.

Soli Deo Gloria

quinta-feira, outubro 21, 2010

A Mamãe Não Precisa Adulterar



Carlos Moysés, Vocalista do Voz da Verdade


Domingo passado foi um dia muito especial para mim. Na Escola Dominical Deus orientou a meus amigos e a mim para exercitarmos os nossos alunos na meditação das Escrituras. Foi algo muito bom. Mas o que me deixou mais feliz ainda, foi ouvir a voz de Deus pela Sua Palavra, que é viva e eficaz, no culto à noite. O pregador ensinou usando o salmo 23 de maneira simples e abençoada. Verdadeiramente a igreja pôde se alimentar com a Palavra neste culto.


Entretanto, em meio a tantas alegrias no Evangelho, temos passado por momentos bem dolorosos em nossa cidade. Infelizmente, é em Belém do Pará que ocorre uma das maiores festas idólatras: o Círio. Em que milhares de pessoas padecem de inúmeras formas afim de cultuar a um falso deus. O que é triste, pois ao invés dos indivíduos se arrependerem de seus pecados e confiarem na obra realizada por Cristo na cruz, eles procuram justificar os seus pecados através do cumprimento de promessas penitenciais hipócritas. E o pior de tudo isso, as crianças também são envolvidas neste processo idólatra- na manhã do domingo passado foi realizado o chamado 'círio das crianças'.

Porém, esses não são os nossos maiores problemas. Quando eu pensava que este mês já estava por de mais idólatra, sou informado do seguinte: a igreja a qual eu faço parte irá realizar uma chamada "Conferência do Espírito Santo"; e o grupo convidado para fazer parte de tal evento é(nada mais, nada menos...) o Voz da Verdade.


Você entendeu a incoerência doutrinária? É a igreja-mãe, berço do Pentecostes no Brasil (rumo ao centenário)- a qual crê que Jesus cura, salva, batiza no Espírito Santo e que em breve voltará- recebendo um grupo modalista¹ que não crê no Espírito Santo.
Judá e Tamar, Pintura de Horace de Vernet (1789-1863)

Recompensais assim ao SENHOR, povo louco e ignorante? Não é ele teu pai que te adquiriu, te fez e te estabeleceu? (Dt 32.6)



Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o.Sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado. ( Tt 3.10,11)


Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus.Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais. (1 Co 2.9-13)


Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade.Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem;Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo.Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais.Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro?Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo.( 1 Co 5.6-13)


O que está em jogo nesta conferência não é uma simples questão teológica. Não, não é. O que está em jogo é a glória de Deus, o louvor das pessoas e todo o culto. Como ser conduzido na adoração por pessoas que não conhecem ao Espírito Santo que nos guia ao Senhor Jesus, e que em Cristo nos leva a adorar o Pai? Se fizermos isso, é certo que Deus não receberá o nosso louvor. E não importa o quanto ele aparente ser piedoso e emotivo, pois Deus só pode receber a adoração daqueles que foram unidos a Cristo por meio do Espírito.

Oh, meus irmãos, eu sinceramente não estou interessado em denegrir a imagem da "mamãe" e ter o que falar durante os dias 25 a 29 de outubro. Pelo contrário, oro para que Deus nos repreenda por meio deste artigo e faça com que esta conferência NÃO aconteça. Pelo amor de Deus. Tem tanta gente boa para ser convidada para nossas conferências... Não precisamos de trevas.

Que Deus tenha misericórdia de Sua amada igreja.

Que Deus nos perdoe.


[1] O Modalismo é uma antiga heresia da história da igreja ocidental, promovida primeiramente pelo mestre cristão romano Práxeas e depois por Sabélio, sendo conhecida também como Sabelianismo, devido a este último. Tal doutrina ensina que O Pai, o Filho e o Espírito Santo não são pessoas distintas, mas apenas manifestações do único Deus. Esse ensino herético foi duramente combatido pelo pai da igreja Tertuliano, quem em sua magnum opus Contra Praxeas, afirma: "Práxeas serviu ao diabo...introduzindo a heresia, expulsando o espírito e crucificando ao Pai". Tal doutrina antiga ressurgiu com o unicismo moderno em torno do "Nome de Jesus" e é adotada pelo Grupo Voz da Verdade, sendo este grupo combatido fortemente pelo conceituado Instituto Cristão de Pesquisas e conceituados apologistas pentecostais.O Conjunto de doutrinas unicistas pode ser encontrado no próprio site do grupo (http://www.vozdaverdade.com.br/estudos/). O apologista Paulo Romeiro escreveu uma excelente refutação bíblica da doutrina sabeliana do grupo, disponível neste endereço: http://www.agirbrasil.org.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=146&sg=39&id=235

Em 2007, os blogueiros do GQL Victor Leonardo e Carlos Eduardo entrevistaram pessoalmente o líder do Grupo, Carlos Moysés. Nessa entrevista, o líder do grupo confirmou seguir as doutrinas sabelianas. O conteúdo integral da dessa entrevista está disponível neste link: http://gqlgeracaoquelamba.blogspot.com/2007/08/gql-entrevista-carlos-moyss.html

terça-feira, outubro 05, 2010

Sobre Serra, Marina e as razões de não concordar com o voto nulo


Há muitos cristãos que se encontram hoje diante de uma dúvida: finalmente, já se conscientizaram que votar em Dilma Roussef para presidente fere frontalmente seus princípios cristãos, devido às propostas que ela defende, mas ainda não se decidiram se é melhor, então, votar em Marina Silva ou em José Serra, porque nem Marina nem Serra atenderiam perfeitamente ao perfil do candidato que gostariam de apoiar. Diante do impasse, alguns já se decidiram que não vão votar nem em Marina, nem em Serra, nem em candidato algum – simplesmente irão votar nulo. Bem, o que acho disso?

Respeito todos aqueles que preferem votar nulo para presidente, não só porque têm todo o direito de assim fazê-lo, mas também pelo fato de, nesta eleição (como em outras), as opções não serem realmente nada ideais. Entretanto, prefiro, ainda assim, escolher entre um dos outros dois candidatos principais na disputa (Serra ou Marina), porque entendo que o princípio do mal menor é absolutamente cabível no atual contexto. Por mais que as opções que restam não sejam ideais, são opções razoáveis. Essa é minha posição pessoal, que assumo sem classificar os irmãos que votam em nulo para presidente como “alienados”, pois entendo que a decisão deles é válida também dentro da consciência cristã, embora particularmente não concorde com ela.
“Ok, mas dá para esclarecer melhor o porquê de você, particularmente, acreditar que, dentro do atual contexto, é preferível não votar em branco?”.
Primeiro, porque é praticamente impossível uma onda de votos nulos em protesto que chegue ao ponto de inviabilizar esta eleição, levando a nação a uma reflexão em prol do surgimento de outra proposta de candidatura que seja mais ideal. Isso é utopia. Em segundo lugar, porque, uma vez que isso não seja possível, votar em nulo, na prática, ajuda a quem está à frente na contagem de votos – no caso, Dilma Roussef. Ou seja, indiretamente, quem anula seu voto estaria ajudando a petista a vencer. E em terceiro lugar, porque, mesmo não tendo candidatos ideiais, temos, pelo menos, a certeza de que um governo de Marina ou Serra seria muito mais suscetível às pressões pró-valores cristãos do que um eventual governo Dilma.

Explicado isso, sobra a pergunta: Marina ou Serra? Serra ou Marina?
Claro que, para mim, seria muito mais tentador apoiar Marina Silva. Por quê? Ora, além de se opor a vários pontos esposados por Dilma, é evangélica e até assembleiana. Aliás, já imaginaram, irmãos assembleianos, como seria ter uma presidente da República membro das Assembleias de Deus exatamente no ano do centenário das Assembleias de Deus?

Entretanto, vejo tanto Serra como Marina como boas opções dentro do atual contexto destas eleições. Há prós e contras em cada um deles? Sim, há. Há pontos negativos em alguns posicionamentos da irmã Marina, para os quais não posso fechar os olhos e ouvidos, assim como há em alguns posicionamentos de Serra. Na questão do aborto, por exemplo, Serra é muito mais firme que Marina (falo disso mais adiante). Nos demais pontos, praticamente se assemelham.

No dia da eleição, infelizmente, não poderei votar, porque estarei fora do Rio de Janeiro, em viagem para atender a uma agenda; e na época em que vencia o prazo para informar no cartório que votaria em trânsito, eu estava com pouquíssimos dias de recuperação de uma cirurgia que fiz recentemente e por isso desisti da ideia de ir ao cartório, pois seria, para mim, naquelas condições, uma inconveniência física (Aproveitando: Esse período de convalescença foi a razão pela qual tive que ficar fora da blogosfera durante quase um mês).
“Mas, pelo menos, já se decidiu entre Marina ou Serra?”

Confesso que, de forma absoluta, ainda não. E não estou sendo murista; estou sendo sincero. Para definir de forma simplista, diria que se for pelo emoção, pela empolgação, tenderia a votar em Marina (o que não significa dizer que o voto em Marina seria uma atitude irracional, mas que é mais emoção); mas a minha razão tende mais a apoiar Serra. Aliás, acho que se votasse no dia 3, provavelmente votaria nele. A única certeza absoluta que tenho sobre esse pleito, e isso bem antes de a campanha para presidente começar, é que em Dilma nunca votaria, pelas razões que já abordei quase exaustivamente neste blog.
Enfim, se você votar em Serra ou em Marina, meu irmão, entendo que já estará votando bem dentro do atual contexto destas eleições.
E se ainda está indeciso, para ajudar você a definir o seu voto, coloco abaixo algumas informações sobre ambos. Avalie e escolha.

Serra e Marina

Historicamente, Serra sempre se posicionou contra a legalização do aborto no Brasil, posição que mantém até hoje. Em relação ao tema, pesa contra ele apenas um episódio de 1998, quando congressistas pró-aborto pressionaram o então ministro da Saúde José Serra para que editasse uma Norma Técnica dispondo sobre a excepcionalidade da prática de abortos no Sistema Único de Saúde (SUS) do governo federal em casos de crianças de até 20 semanas (cinco meses) concebidas em estupro. Como a legislação brasileira permite o aborto em casos de estupro (artigo 128 do Código Penal), Serra cedeu e editou a tal Norma, que fez com que o SUS praticasse pela primeira vez abortos.

Ainda naquela época e durante as eleições de 2002, Serra afirmou que a edição da referida Norma não significava a existência de alguma disposição de sua parte em apoiar alguma mudança na legislação brasileira a respeito do aborto. E durante a atual campanha, o candidato do PSDB enfatizou isso mais uma vez. Em maio, em entrevista ao apresentador Carlos Massa (“Ratinho”) do SBT, ocasião em que garantiu que seu governo não apoiará nenhuma iniciativa para mexer na legislação sobre o aborto. Outra declaração se deu em sua entrevista à estatal TV Brasil em julho: “A lei atual [sobre o aborto] ficará como está”. Mais uma declaração foi proferida na sabatina de presidenciáveis promovida pelo jornal Folha de São Paulo e o portal de notícias UOL em 21 de julho, ocasião em que Serra afirmou: “Considero o aborto uma coisa terrível. (...) Isso [a legalização do aborto] liberaria uma verdadeira carnificina. Dificultaria também o trabalho de prevenção, como no caso da gravidez na adolescência, que é um assunto muito grave. Isso [a legalização do aborto] liberaria gravidez para todos os lados”. Serra enfatizou na ocasião que o resultado da legalização do aborto seria que a prática “a mulher vai para o SUS e faz o aborto” acabaria por “virar um processo”, uma conduta habitual, gerando “uma carnificina”.
Há poucos dias, afirmou ainda, em contraposição a Marina, que não levaria o tema aborto sequer a um referendo, posto que o assassinato de uma vida não deve sequer ser levada a referendo (Veja o vídeo com a fala de Serra sobre o assunto aqui).

Marina, por sua vez, é pessoalmente contra a legalização do aborto, mas propõe um plebiscito para se avaliar o assunto. Seu atual partido, o PV, defende abertamente a legalização do aborto, embora não coloque a aceitação dessa proposta como condição para se filiar ao partido, diferentemente do antigo partido de Marina, o PT. Em uma de suas muitas declarações sobre o tema, como é o caso da entrevista ao programa Painel RBS em 18 de maio, transmitido pela Rádio Gaúcha, Marina afirmou: “Proponho um debate democrático sobre o tema. Quero que os brasileiros saibam minha posição pessoal, mas sei que temos um Estado laico”.

Ao que parece, a candidata do PV acredita, apoiada nas últimas pesquisas nacionais sobre a legalização do aborto (que mostram a maioria da população contra), que a proposta de legalização certamente perderia em um plebiscito e, assim, o tema seria encerrado, inclusive sem possíveis discussões no Congresso Nacional. Contra sua tese, porém, pesa o fato de que, como o aborto é o assassinato de uma vida, não deveria, na prática, sequer ser submetido a um plebiscito.

Continue lendo esta boa reflexão política no blog do pastor Silas Daniel.


sexta-feira, setembro 17, 2010

Palmada pode?


Para mim não foi uma completa surpresa quando me deparei com a reportagem de capa da revista Veja de 21 de julho de 2010, a manchete diz: “Mas nem uma palmadinha?”, e trata do novo projeto de lei assinado pelo presidente Lula que modifica o Estatuto da Criança e do Adolescente em seu artigo 18. Segundo a reportagem “(...) Pelo novo texto, fica vedado aos pais usar castigos corporais de qualquer tipo na educação dos filhos (...)”, a nova lei ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional, mas já cria polêmica entre os grupos sociais envolvidos e creio que nós como cristãos representantes de Deus nessa Terra precisamos ter uma visão realmente clara sobre o assunto.

Como imitadores de Cristo devemos seguir seu exemplo, apesar de Cristo não ter sido pai biológico ele sempre nos ensina que devemos seguir as Sagradas Escrituras, estas nos ensinam como devemos agir em todos os momentos de nossas vidas, inclusive quando nos tornamos pais: "Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá." (Provérbios 23 : 13); "Tu a fustigarás com a vara, e livrarás a sua alma do inferno." (Provérbios 23 : 14); "A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma, envergonha a sua mãe." (Provérbios 29 : 15).

Então, podemos pensar: “Será a Bíblia incentivadora de maus tratos às crianças?”. NÃO! A Bíblia é sim, incentivadora da autoridade dos pais sobre os filhos, incentivadora de disciplina e imposição de limites, afinal se “os filhos são herança do Senhor” (Sl 127:3) deve-se cuidar para que tais heranças se desenvolvam da melhor maneira possível.

Que fique claro que não estou incentivando nenhum tipo de agressão, abuso ou espancamento infantil, sou terminantemente contra qualquer tipo de abuso físico com relação à criança. Assim como sou contra pais que deixam seus filhos serem educados pela TV ou pela internet, contra pais que descontam suas frustrações e estresse do dia-a-dia em seus filhos, contra pais sem sabedoria que satisfazem todas as vontades de seus filhos sem imposição de limites criando futuros adultos que, mais tarde, acreditarão piamente que o mundo gira ao seu redor.

Não impor limites, e dentro disso se abster da “palmada pedagógica”, é mostrar às crianças de hoje que eles poderão ser adultos mesquinhos, egoístas e que suas atitudes não terão conseqüências. Algumas pessoas consideram que há formas “mais eficientes” de se impor limites, como: colocar de castigo, tirar algo de que a criança goste, proibir de brincar durante um período de tempo, etc. Mas não creio que isso seja suficiente, no vídeo que postei junto com este artigo veremos o posicionamento do Pr. John Piper, com o qual concordo, com relação a este assunto.

Concluo este artigo com uma reflexão, que é tanto para pais como para futuros pais como eu: Filhos são presentes, pedras preciosas de Deus para nossas vidas, que devem ser amados e respeitados, mas toda pedra preciosa também precisa ser lapidada para que torne jóia rara. Deus nosso Pai faz isso conosco sempre, nos corrige porque nos ama. Devemos amar nossos filhos, e futuros filhos, e, portanto, corrigi-los em amor. Utilizando a “vara” no momento certo, do jeito certo, estaremos criando uma geração mais madura e responsável por suas atitudes.





*Este post foi escrito em parceria com minha esposa Isa Karla Leite.

A PAZ DE CRISTO

terça-feira, setembro 14, 2010

O Chamado de Cristo para seguir os Seus passos

"O que eu tenho para lhes dizer é que o chamado de Cristo não é para apenas estar informado, mas para que se faça algo a respeito"

K.P. Yohannan




Extraído do blog Voltemos ao Evangelho


Por K.P. Yohannan. © Gospel For Asia. Website:gfa.org
Original:
Christ's Call to Follow in His Footsteps. Website: youtube.com/user/setapartlife
Tradução e Edição:
voltemosaoevangelho.com
Permissões:
Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que adicione as informações supracitadas, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

domingo, setembro 05, 2010

Nilton Rodolfo no Cara e Coroa, da Tv Brasil



Há cerca de duas semanas, Nilton Rodolfo foi entrevistado por João Rocha Lima, que faz dupla com Milton Coelho da Graça no programa Cara e Coroa, programa exibido pela TV Brasil e debate vários temas concernentes a sociedade brasileira.

O tema do programa a ser exibido nesta terça, dia 07/09, que conta com a presença de Nilton, aborda a questão do sentimento religioso do jovens de Belém e Manaus e segundo a chamada do programa, a visita a estas duas cidades serviu "para descobrir que religiões fazem a cabeça de jovens e idosos."

Questionado sobre os mais variados assuntos, Nilton teve a oportunidade de responder a várias questões religiosas, sociais e até filosóficas dos apresentadores. Dependendo de como sairá a edição do programa (sendo que outros jovens participam) creio que elas mostraram um testemunho importante da suficiência de Cristo como o único caminho para a Deus e esperança para pecadores necessitados de salvação. É esperar e conferir.

O Programa vai ao ar nesta terça (07/09), às 20:00hs.

Soli Deo Gloria

CPAD suspende publicação da Bíblia Dake


"Se você procurar a Bíblia de estudo Dake no site da CPAD, irá deparar com a mensagem: “Produto indisponível no momento”. O aviso é normal para produtos que esgotaram o estoque e aguardam nova impressão, porém no caso da Dake é diferente. As reimpressões da Bíblia de estudo que causou furor entre os defensores da confessionalidade da editora e instaurou uma crise institucional protagonizada pelo Conselho de Doutrina e pela Comissão de Apologética foram suspensas — ao que parece em definitivo.

De acordo com o que pude apurar, o motivo seria justamente o desgaste da imagem da editora em face da polêmica promovida por pertinazes blogueiros e pelas entidades mencionadas, que se opuseram à sua publicação. A ordem que o diretor executivo da CPAD, irmão Ronaldo Rodrigues de Souza, passou a todos os seus comandados foi textualmente esta: “Ninguém toca mais nesse assunto” (o que fez este blogueiro espernear um bocado para conseguir a informação).

No entanto, o real motivo pode ser outro, ou pelo menos o que contribuiu em definitivo para a decisão..."

Leia mais no Blog do irmão Judson Canto, clicando aqui

Soli Deo Gloria

quarta-feira, setembro 01, 2010

Lute pelas manhãs de domingo


Toda a manhã de domingo travo uma verdadeira guerra. Logo nos primeiros minutos pós-sono, a primeira guerra que travo é contra a preguiça misturada com o cansaço do dia anterior, que por vezes é repleto de atividades, tanto eclesiásticas quanto sociais.

Todavia, esse não é o maior embate que um professor de Escola Dominical enfrenta. Nesses poucos anos de como professor a infra-estrutura e o descaso de muitos colegas do mesmo ofício prejudicam o bom desempenho de uma escola dominical, às vezes dando quase uma noção na qual os incentivos que vemos em revistas de EBD não passam de mera suposição, dada a luta que nos aguarda em nossas congregações locais, quer sejam elas grandes ou pequenas. As pequenas possuem falta de espaço, enquanto que as grandes possuem um espaço extremamente mal distribuído, onde muitas vezes os carros, estacionamentos e monumentos imponentes são mais prioritários do que o rebanho de Cristo. Por isso, todo o professor que realmente busca se dedicar no ensino de Cristo, deve estar consciente que possivelmente travará uma guerra por sua própria aula.

Porém uma das maiores lutas, posso afirmar com certeza, não é simplesmente a falta de espaço ou o descaso quanto ao ensino bíblico dado pela liderança eclesial, mas por vezes o descaso que o próprio educando (em especial, os adolescentes) possui para com aquilo que está sendo ministrado, e pelo menos dentro de um contexto cristão, tenho por certo que não se pode simplesmente responsabilizar o professor( quando este se esforça no ensino). As razões não são poucas e ajuntam-se formando um só obstáculo. Creio que posso melhor expressar isso dentro de um contexto de faixa etária adolescente, faixa no qual já trabalho há certo tempo.

Preocupações com esta vida e pouca prática na leitura bíblica constituem um obstáculo considerável, porém nada se compara muitas vezes com o menosprezo dos pais pelo progresso dos filhos no conhecimento bíblico, sendo que focalizam mais o trabalho e a vida estudantil destes. Coisas importantes, porém não se comparam com coisas relacionadas ao seu futuro eterno! Porém há algo mais.

Todas as razões levantadas acima possuem validade e estão juntas, porém o maior problema que considero, sem dúvida, é algo que está muito acima do professor e da própria EBD: a falta de conversão de nossos alunos, juntamente com poucos exemplos de dedicação à suficiência das Escrituras testemunhados perante nosso alunos já convertidos. Diante de tais fatos, o que fazer? Como lutar pelas manhã de domingo? Creio que três elementos são indispensáveis para alguém que se propõe a ensinar:

1) Fidelidade às Escrituras: Quantos de nossos educadores dominicais possuem carisma e o dom da oratória, porém péssimos conhecedores da Bíblia, sendo que muitas vezes pouco se dedicam no aperfeiçoamento da aula e nada mais fazem do que transmitir clichês e frases de pára-choque de caminhões. Engana-se quem pensa que isso passa despercebido pelos alunos! Quanto maior profundidade bíblico teológica tiver sua aula, mais possibilidade você terá de testemunhar da glória de Deus na face de Cristo Jesus, pois a partir disso, é quase que impossível não despertar o interesse do aluno, pois o conhecimento de Deus será mostrado, o que muitas vezes pode chocá-los, amedrontá-los, encorajá-los, levá-los ao deleite ou então até mesmo causar violenta rejeição, porém a impassibilidade dificilmente será mantida.


2)Testemunho cristão: Por mais importante que seja a fidelidade do professor quanto à palavra revelada, isto por si mesmo pode não causar o impacto devido por um simples fato: o testemunho cristão é totalmente essencial. devemos viver aquilo que ensinamos e pregamos todos as manhãs de domingo no decorrer da semana. Acerca disso, Richard Baxter, em sua magnum opus Manual Pastoral do Discipulado (Cultura Cristã)¹ afirma:

"Preguem para sim mesmos os sermões que estudam, antes de pregar a outros. tal prática será para seu próprio bem e jamais será trabalho perdido; entretanto, eu falo sobre responsabilidade ministerial, isto é, que isso seja feito também para o bem da igreja. quando suas mentes se acertarem em santificação e paz, suas congregações participarão dos frutos do seu crescimento. suas orações, seu louvor e doutrina lhes serão como delícias celestiais. seus ouvintes perceberão que os senhores estiveram com Deus; aquilo que estiver em seus corações estará nos ouvidos deles".

O comentário de Baxter aplica-se perfeitamente a qualquer um que afirme ser mestre da palavra.

3) Oração perseverante: por mais que nos esforcemos, precisamos levar em conta que a Deus pertence a salvação e não a nós (Jn 2:9). Nossa tarefa é ensinar, crendo que o Espírito de Deus fará a obra nos corações (Mt 28:19). nossa responsabilidade está em orar de forma perseverante em favor daqueles a quem estamos ministrando, para que sejam salvos e dêem fruto. Nossa oração deve ser tão perseverante quanto a da viúva persistente(Lc 18:1-8) e do amigo importuno (Lc 11:5-10). Confiemos no bondoso Senhor, muito pode a oração do justo quando acompanhada de confissão de pecados (Tg 5:16).


Devemos lutar não somente pelas amanhã de domingo, mas lutar pela alegria de se deleitar em Deus ao conhecê-lo, não somente a nossa, mas também a de nossos próprios alunos.

Soli Deo Gloria


Nota:

[1] O título original desta é obra é mais conhecido como O Pastor Reformado, sendo extremamente recomendado para os ministros da Palavra, tanto experientes quanto os mais novos.

sábado, agosto 28, 2010

Muitos irão para o inferno - Tim Conway


"Então se muitos acham perdição, e poucos acham vida, não é provável que neste grupo para o qual eu estou falando agora mesmo, não há uma grande possibilidade de que muitos irão encontrar perdição e apenas poucos de vocês irão encontrar vida?"

Tim Conway



terça-feira, agosto 24, 2010

Vale a pena ler: A Outra Face


Em Guerra pela Verdade, John Macarthur tratou sobre a questão da verdade e o movimento da igreja Emergente. Sendo que a base bíblica de Macarthur foi a epístola de Judas, que foi abordada de forma sensata e fiel ao texto e propósito da Epístola. Com habilidade, precisão e fidelidade ao pensamento Cristão ortodoxo sobre o Conceito da Verdade, Macarthur fez fortes críticas ao movimento emergente.

Em seu mais novo livro lançado pela Thomas Nelson, intitulado A Outra Face ( no original O Jesus que você não pode ignorar) ele vai mais além e se aprofunda sua crítica a partir da exposição de textos chaves dos evangelhos, colocados de forma cronológica pelo autor, onde mostra as titânicas lutas de Jesus contra a liderança judaica daqueles dias. Um conceito chave que Macarthur apresenta é: A pergunta crucial do cristão não é necessariamente "O que Jesus faria?", mas sim "o que Jesus fez". Partindo desse pressuposto, Macarthur inicia a exposição do relacionamento de Jesus com as autoridades religiosas desde sua infância relatada no evangelho de Lucas até os eventos finais que culminariam com sua morte na cruz do calvário.[1]

Questões como a natureza da Verdade, o princípio do amor e da firmeza, assim também como a doçura e ironia por parte do cristão é explorado. Enquanto que muitas vezes a hipocrisia é associada ao fundamentalismo evangélico (algo muitas vezes categorizado por cristã os pós-modernistas), Macarthur faz o inverso, nos mostra a partir de textos das escrituras e dos Evangelhos, a hipocrisia presente nos círculos liberais e ecumênicos do evangelicalismo cult e boa praça, repleto de afinidade com os mais variados( ainda que contraditórios entre si) tipos de pensamento, e com Jesus tratou tal tipo de liderança(não somente os fariseus são incluídos, mas também os saduceus).

Quer seja por sua proposta fundamental, quer a partir de suas exposições bíblicas, ou então pelas frases pronunciadas por cristãos de peso, como Charles Spurgeon, Dorothy Sayers e Gilbert K. Chesterton, que iniciam cada capítulo, A Outra Face é uma ótima leitura, principalmente por mostrar algo do ministério de Jesus muitas vezes menosprezado, como a confrontação e o zelo por Deus contra o pecado e hipocrisia dos homens com um pulso extremamente firme.

Muito bem escrito, talvez seja considerado, juntamente com "O Evangelho Segundo Jesus" e "Com Vergonha do Evangelho" um dos livros mais importantes do autor. Deve ser lido e relido

Soli Deo Gloria

Nota:

[1] O que Jesus deixou após sua ressurreição também é abordado.

terça-feira, agosto 10, 2010

Voltando ao Evangelho - uma entrevista com Vinícius Pimentel


Dando prosseguimento a série de podcasts, o GQL teve o prazer de entrevistar Vinícius Musselman Pimentel, autor do blog Voltemos ao Evangelho.

A entrevista divide-se em três partes: autobiográfica, o trabalho no blog(questões técnicas e produção de vídeo) e por fim teológica, com temas que são debatidos no VE como dízimo, a igreja emergente e neocalvinismo, além da questão da atualidade dos dons espirituais dentro da igreja. Bíblico, sensato e às vezes reservado, Vinícius faz parte da nova geração de jovens cristãos fiéis para com a Palavra de Deus.
Vale a Pena conferir !



Soli Deo Gloria


Obs: para fazer o download dessa entrevista, clique aqui

domingo, agosto 08, 2010

Podcasts, entrevistas e bastidores...


Desde o ano passado, o blog Geração que Lamba vem produzido podcasts, dentre estes destacam-se os debates com os blogueiros Gutierres Siqueira e João Paulo Mendes, autores dos blogs Teologia Pentecostal e Blog do JP, respectivamente. Os assuntos abordados são vários como política, música cristã, usos e costumes e pregação do evangelho.

Neste pequeno bem humorado trailer - "making of" - semi-autobiográfico, há trechos dos bastidores de várias gravações realizadas que não foram incluídas na versão final dos podcasts, além de trechos dos bastidores de minha entrevista inédita com Vinícius Pimentel, editor do blog Voltemos Ao Evangelho, que será publicada em breve.

GQL Podcast Trailer from Victor Silva on Vimeo.




O áudio pode ser obtido nos posts publicados neste blog(siga o marcador de postagem), acessando nossas páginas especiais e visitando os blogs Teologia Pentecostal e Blog do JP.

Soli Deo Gloria

domingo, agosto 01, 2010

Eleitos: Filhos Obedientes




Finalmente, concluindo a minha simples ilustração, tem-se:
Aquela moça- que outrora não passava de um rebelde cadáver- declara ao rapaz, com um belo sorriso em seu rosto:

"Meu querido, porque me amaste primeiro, elegeste-me baseado em ti mesmo e me deste vida em abundância por meio de tua maravilhosa graça. Demonstrarei a minha infinita gratidão ao amar e obedecer a ti, com muita alegria."

Será que um eleito é salvo simplesmente porque Deus determina ou será que ele se envolve voluntariamente na vontade de Deus? Ou seja, a doutrina da eleição é um chamado à passividade carnal ou à atividade santa e obediente?
Uma das maravilhosas graças que Deus concede a um crente em Jesus é a justificação pela fé; na qual Deus declara 'justo' um pecador, baseado unicamente nas obras e nos méritos de Cristo- os quais são creditados ao pecador por meio da fé. Isso é realmente maravilhoso. Entretanto, se a justificação do crente é baseada nas obras de Cristo e não nas suas, surge a pergunta: as obras de um eleito realmente importam- pois o que Jesus realizou em Sua vida, morte e ressurreição satisfez perfeita e eternamente a justiça de Deus-? Analisemos o texto de Mateus 7.15-20 para respondermos a esta importante pergunta.

Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. ( Mt 7.15-20)

Jesus está ensinando em Mt 7.16-18 algo muito simples: o fruto de uma árvore manifesta que tipo de árvore ela é. Então, os atos das pessoas demonstram que tipo de pessoas elas são. Se alguém é morto em pecados, rebelde e odeia a Deus, sendo totalmente incapaz em si mesmo de obedecê-lO; a sua vida irá manifestar tudo isso: tal pessoa vive em contínua servidão ao pecado- e com prazer! E, semelhantemente, se alguém é regenerado pelo Espírito Santo, justificado por meio de Cristo e adotado pelo Pai: a sua vida irá manifestar tais obras da graça de Deus.

É interessante como os falsos crentes gostam de deturpar a 'justificação pela fé' e respondem erroneamente à pergunta acima feita (algo como:"Eu vou viver como eu bem quiser. Porque é Deus que me justifica!"). Mas, existe uma graça que Deus concede a um crente que é fatal para esse tipo de herege: a adoção.
Por favor, entenda que Deus não somente elege, regenera e justifica pecadores, mas Ele também os adota como filhos! E como filho, o pecador redimido honrará ao seu Pai celeste com obediência à Sua vontade (2 Co 5.17). E é a partir da inestimável graça da adoção- na qual Deus não somente perdoa pecadores, e sim se relaciona com eles como Pai, purificando- os e os corrigindo (Jo 15.2; Hb 12.5-9)- que entendemos com mais clareza o papel das obras na vida cristã: elas não conquistam a salvação de um crente, mas demonstram-na; ou seja, um cristão não obedecerá a Deus para ser salvo, e sim porque ele é salvo! A obediência a Deus sempre será a marca de um verdadeiro salvo, e portanto, de um eleito ( Jo 14. 15).

"Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar bons frutos", isto é sério! Se ainda achas que podes viver como um não-cristão e pensares que a tua suposta eleição irá te livrar do juízo de Deus no final das contas, estás muito enganado. Na verdade, meu amigo, a tua falta de temor e obediência a Deus, de arrependimento pelos teus pecados e de desejo por viver em santidade- não simplesmente porque o pecado irá te trazer más consequências, e sim porque ele é uma ofensa a Deus- declaram claramente que não és salvo.
Ó pecador, podes passar a vida toda enganando a ti mesmo dizendo:"Sou um eleito, sou um eleito. Relaxa, ó minha alma, pois tudo dará certo no final!". Mas se não tens frutos dignos de arrependimento, infelizmente, perecerás no inferno. Atente bem: "Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo". Tu entendeste que assim como não há justificação pela morte, não há 'justificação pela eleição'? [1] Entendeste que a passividade carnal não é fruto da eleição divina? Pois "E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou"(Rm 8.30). Ou seja, se não obedeces a Deus como filho, mostras que não és justificado; se não és justificado, declaras que não és regenerado; e se não és regenerado, a tua eleição é incerta. Como disse Jonathan Edwards:

Aqueles que não querem viver vidas piedosas descobrem, por si mesmos, que não são eleitos; aqueles que querem viver vidas piedosas descobriram, por si mesmos, que são eleitos.[2]


A partir disso entendemos quem se alguém recebeu a maravilhosa graça de Deus, tal pessoa responderá a Ele com a gratidão (alegre obediência). E se tens vivido como um carnal, arrependa-se e creia em Cristo. Ele cuidará de ti. Confie nEle!

Concluo com as palavras de um irmão em Cristo e com um versículo bíblico:

Quem ouvir a mensagem da salvação e a receber em seu coração evidencia ser um dos que estão no concerto. Por que, então, o espanta a doutrina da eleição? Se alguém escolheu a Cristo, tenha por certo que Ele antes o escolheu. Se com os olhos cheios de lágrimas dirige seu olhar a Cristo, então saiba que Ele, muito antes, já havia contemplado você. Se do seu coração brotar amor por Cristo, não esqueça que o Seu coração o ama com um amor que jamais o poderá igualar. Se você agora está clamando: ' Senhor, Tu serás o guia da minha juventude', eu lhe contarei um segredo: Ele tem sido o seu guia, levando- o a que você agora seja um pecador ansioso em buscá-lO e Ele o dirigirá e o conduzirá às mansões seguras da glória.[3]

Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. ( Mt 7.20)

Que Deus nos perdoe.


Notas:

1. Me refiro à ideia de ter uma pseudoeleição que consiste numa 'eleição' imaginada por carnais.

2. Citado em Supremacia de Deus na pregação, John Piper. Shedd publicações.

3. SPURGEON, C.H. Sermões do ano de Avivamento- PES, pág 61.

sexta-feira, julho 30, 2010

A fé como batatas....





"A condição de um milagre é a dificuldade, a condição de um grande milagre, não é a dificuldade, mas a impossibilidade"

Esta frase é de Angus Buchan. Não sei se você já o conhece. A história desse homem, me impactou. É um exemplo, de como Deus capacita pessoas simples de modo extraordinário. Angus, é um fazendeiro, que mora em Kwazulu-Natal Midlans na África do Sul. Escocês, de caráter impetuoso, passou por grande dificuldade econômica. Vendeu uma fazenda produtiva e comprou uma outra, que não tinha sequer água encanada. Casado e com três filhos menores, Angus, trabalhou bastante a fim de dar uma vida melhor à família que passou a morar em um apertado trailer. Em pouco tempo, os bons lucros, adquiridos com muito esforço, lhe garantiram conforto financeiro e destaque entre os fazendeiros locais.(leia mais no blog da irmã Wilma Rejane)


Lendo o artigo publicado no Tenda da Rocha sobre a vida de Angus Buchan, fazendeiro escocês na África do Sul, analisamos novamente o significado da fé a luz da palavra de Deus. Angus, de fazendeiro amargurado à seguidor de Cristo, viu sua fé ser testada não muito tempo depois de sua conversão. Tomando a incrível decisão de plantar batatas em sua fazenda, em uma época onde as condições climáticas estavam extremamente desfavoráveis, Angus testemunhou uma fé encontrada em homens como George Müller e seu orfanato. Em tempos onde a fé é vista apenas como um meio de garantir bençãos de Deus, a história de Angus mostra que uma vida cristã de fé não está imune ao sofrimento, sendo que o alvo maior de nossa fé é nosso Senhor Jesus Cristo.

Angus escreveu uma autobiografia intitulada "Fé como Batatas", o livro foi adaptado para o cinema em 2006 (África do Sul), mas seu lançamento em DVD ocorreu apenas no ano passado. O Filme recebeu elogiosas críticas e foi premiado em vários festivais de cinema cristão. O filme, distribuído pela Sony Pictures, no Brasil, recebeu o título de "O fazendeiro e Deus". Vale a pena dar uma conferida.




Assista ao trailer do filme:






Soli Deo Gloria

sábado, julho 24, 2010

Por que os crentes têm de morrer?

Por David P. Murray

Sábado passado, estive diante do túmulo de minha querida amiga Ellen Bazen, uma cristã. Antes de falar para a família e amigos ali reunidos, novamente pensei sobre a questão “por que os crentes têm de morrer”?

Por que os crentes têm de morrer? O salário do pecado é a morte, e os crentes pecaram. Entretanto, Cristo pagou toda a penalidade por nossos pecados. Então, por que os crentes têm de morrer?

A resposta simples é: “eles não têm”.

Crentes não têm de morrer porque Cristo morreu no lugar deles. Não existe um átomo de penalidade que eles devam pagar. Portanto, Deus poderia transportar os crentes ao céu sem que eles tenham de passar pela morte; assim como ele fez com Enoque e Elias, e ele fará com os crentes vivos durante a volta de Cristo.

Então, crentes não têm de morrer, uma vez que Cristo comprou a liberdade da morte física e a redenção de nossos corpos. Mas, em muitos casos, o Senhor escolheu adiar ou postergar a aplicação desses benefícios até a ressurreição geral de todos. A questão, entretanto, permanece: “por quê?”. Se os crentes não têm de morrer, por que morrem?

A resposta é que Deus sabiamente permite que a grande maioria de crentes passe pela morte devido aos imensos benefícios espirituais da experiência.

1. Morrer nos leva à comunhão com os sofrimentos de Cristo

A morte de Cristo é diferente da morte “sem penalidade” do crente, porque a morte de Cristo foi uma penalidade pelo pecado (nosso pecado). Entretanto, morrer nos lembra do que Cristo fez por nós. Nada nos ajuda mais a entender a morte que Cristo experimentou por nós e, portanto, isso nos leva à uma comunhão mais próxima com Ele e aumenta nosso amor por Ele (Fp 3.10).

2. Morrer nos uma experiência única da graça todo-suficiente de Cristo

Morte corporal ainda é um mal doloroso para o crente. Ele a temerá e sentirá. Quando os últimos momentos aproximam-se, frequentemente há grande dor física e, algumas vezes, medo espiritual. Há também o stress emocional de ver pessoas queridas chorando. Em tempos assim, um crente pode experimentar tremenda ajuda de Cristo. Sua graça mostra-se mais que suficiente nesse momento de grande necessidade.

3. Morrer transforma-nos à imagem de Cristo

Uma das bênçãos de morrer é o rápido amadurecimento do caráter do crente e a aceleração de sua santificação. A pessoa externa torna-se mais fraca, mas seu interior torna-se cada vez mais forte. Embora a morte possa causar um estrago feio no corpo de um crente, ainda assim, sua alma está sendo rapidamente embelezada. Tenho certeza de que muitos pastores viram como a chegada da morte pode resultar em um crente “brilhando” de uma maneira que eles nunca brilharam antes.

4. Morrer é nossa última, e talvez a maior, oportunidade de testemunhar para a glória de Cristo

A morte, de muitas formas, é o teste supremo de fé. Que oportunidade para falar de como a fé em Cristo nos ajuda a morrer e dar vitória sobre o maior inimigo. Quantos incrédulos têm sido convertidos pelas palavras finais de pais ou mães piedosos.

5. Morrer nos leva à presença de Cristo

A morte os transporta à presença de Cristo e a nossa coroação como Seu povo precioso. A morte nos separa temporariamente de nossos corpos, mas une nossas almas a Cristo de uma nova e maravilhosa maneira.

Resumindo, crentes não têm de morrer, mas eles morrem: para ter comunhão com os sofrimentos de Cristo, para experimentar a graça de Cristo, para serem feitos à imagem de Cristo, para testemunhar para a glória de Cristo, para serem levados à presença de Cristo.

Traduzido por Josaías Jr | iPródigo | Original aqui


Nota: Tive o privilégio de, juntamente com Nilton Rodolfo,conhecer o Dr.Murray pessoalmente em sua vinda à Belém como preletor do Simpósio Os Puritanos no ano passado. Pude conhecer alguém que possui sabedoria, testemunho e sólido conhecimento cristão.

Soli Deo Gloria