sábado, dezembro 31, 2011

GQL 2011: Porque Deus nos faz triunfar em Cristo

                                   


A noite fora complicada para Janyson Costa. Durante a madrugada, tivera um sonho terrível. Juntamente com seus companheiros de Escola Dominical, se encontrava em cenário desolado, tomado de destruição, estando ele e seus amigos diante de uma guerra. Em determinado momento, o líder de sua escola dominical fora fuzilado, assim também como ele. Todavia, tanto ele quanto Nilton Rodolfo conseguiram sobreviver e continuaram sobrevivendo nesse cenário devastador.

Esse sonho, ocorrido em meses derradeiros de 2010, preocupou Janyson, que orou, tanto por si quanto por seus amigos, e serviu como alerta. Alerta esse importantíssimo levando-se em conta o que ocorrera poucos meses depois. Devido a vários fatores que levaram aos três amigos se retirarem da Missão com Adolescentes da Igreja-Mãe em Belém. Assim iniciou-se o ano seguinte, que pela graça de Deus, chegamos ao final.

Não se pode contar as bençãos recebidas durante todo esse ano, tanto para mim, quanto para meus amigos e companheiros do blog Geração que Lamba. Porém, além de relatarmos o recebimento das bençãos, é importante ver como a recebemos, e se pudermos classificar esse ano de bençãos, podemos também chamá-lo de superação.

Também tivemos tristeza e ficamos abatidos, a perda de minha amada avó, que tanto amávamos, foi observada com profundo pesar por todos, mas tivemos nossos corações consolados por Aquele que as tomou nossas dores sobre si (Is 53:4 ), e pela graça de Deus, triunfamos. 

Nesse ano, os desafios foram diferentes, e as lutas, por vezes, silenciosas. Eu (Victor), Nilton Rodolfo e Janyson Costa nos encontramos em um ambiente simples, diferente, com menor espaço, e nem por menos abençoado e acolhedor: uma congregação assembleiana local. A experiência fora nova. Há muito eu não trabalhara em uma congregação local, nem tampouco Janyson ou Rodolfo, ambos desde a infância membros da igreja-mãe. A Responsabilidade aumentou, sendo que tanto nós quanto Carlos Eduardo (em outra congregação), tivemos responsabilidade redobrada com o aumento de pregações regulares e condução dos cultos em certas ocasiões. Os desafios foram diferentes, assim também como complicada fora a adaptação, porém, pela graça de Deus, conseguimos triunfar. 

No GQL, duplicou o número de postagens, graças aos serviços de Nilton Rodolfo e Janyson Costa, que através de abençoada escrita, muito contribuíram para a edificação da blogosfera cristã. Nesse ano, celebrou-se o centenário de nossa amada denominação, sendo que tal celebração foi desafiada pelo quadro por vezes devastador que encontramos em nossas tribunas.Mas ainda assim, o triunfo veio.E pela graça de Deus, continuará a vir, sendo que a criação estruturada e oficial da Terceira Via na CGADB foi o passo inicial nesse processo por mudança em prol de uma denominação centenária. Outro elemento de mudança que pudemos realizar foi a I Conferência Graphe, onde pudemos tratar do evangelho puro e simples revelado na Cruz de Cristo. Outra conferência importante fora a Conferência Sola Scriptura, que contribuiu e muito para a edificação e formação da consciência Cristã. Nesse ano, Deus nos concedeu a oportunidade de pregarmos com a maior fidelidade possível o Santo Evangelho, e pela graça de Deus, triunfamos. E esse triunfo está em nosso Senhor Jesus Cristo.

No ano anterior, nos encontrávamos em um mar, diante de uma tempestade com negras nuvens; ou como no sonho de Janyson, em um ambiente de guerra. Mas pela graça de Deus, chegamos na praia, e após a tempestade, vimos a bonança. No cenário de guerra, o coordenador de Janyson também sobrevivera ao fuzilamento, e viu seus alunos prontos para guerrear e sobreviver, ainda que às vezes atingidos por fogo inimigo. 

Na beira da praia, ao contemplarmos as nuvens que passaram, atentamos para o que vivenciamos, a tempestade onde muitos conhecidos caem, e não sabemos se se levantarão;  E também vimos a bonança trazida pelo Senhor através do vento. Podemos, juntamente com o apóstolo Paulo:

" E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo e, por meio de nós, manifesta em todo o lugar a fragrância de seu conhecimento. Porque para Deus somos o bom cheiro de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. 
Para estes, certamente, cheiro de morte para a morte;mas, para aqueles, cheiro de vida para a vida. E, para essa coisas, quem é idôneo?
Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da Palavra de Deus, antes, falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus"

2 Coríntios 2: 14-17.

Muitas outras grandes bençãos vieram, e mesmo não sendo relatadas aqui, a essas damos a Deus toda a Honra e Glória, sabendo que Ele é o Senhor dos mares e da tempestade, assim também como da doce brisa e da bonança.

Que Deus abençoe a todos os leitores desse blog, com todas as ricas bençãos  que se encontram em Cristo Jesus, nosso Senhor!

Um feliz 2012!

Soli Deo Gloria

quinta-feira, dezembro 29, 2011

Devocional: Deus do impossível!


Hoje venho compartilhar sobre a Graça de Deus me utilizando de uma expressão maravilhosa porém, usada com uma idéia muito errada no meio evangélico a expressão é " O meu Deus é o Deus do impossível".

O que as pessoas devem entender é que tal impossível não se trata, como muitos restringem, a conquistas materiais, fama, reconhecimento mundano, ao contrário essas coisas são tão possíveis que até ímpios, cegos e perdidos, não só alcançam mais vivem de forma dispendiosa e inútil a vida toda desfrutando unicamente de tais coisas sem pensar que o que chamamos de vida toda não se compara a uma partícula do julgamento eterno que os aguarda, e quando tais homens acordarem tudo o que eles tinham por força se dissipará tal qual um sonho, os levando a realidade do início eterno do seu pior pesadelo. (Para estudar sobre o assunto Sl 73)

Portanto meus irmãos e aqueles que ainda não ainda não são irmãos, reflitamos sobre um apenas, dos verdadeiros reais motivos de o meu Deus ser o Deus do impossível.

O Senhor se manifesta como o Deus do impossível, por várias vezes, revelando-se como Senhor tanto do sobrenatural quanto do natural, revelando que todas as coisas se encontram sob Seu poder e soberania e uma dessas vezes é exatamente quando o Senhor liberta um povo fraco e oprimido da morte em um mar intransponível e das mãos de um Faraó, um inimigo tirano e grandioso aos frágeis olhos humanos, povo sem esperança, escravizado vivendo em um caminho de opressão e derrota destinados após sua vida de escravidão unicamente à morte.(ver Ex cap 1 - 15)

O Senhor se revela o Deus do impossível quando para possibilitar tal completa libertação e salvação, propicia diante de um terrível e poderoso mar, intransponível um caminho seco e seguro.

O Senhor se mostra o Deus do impossível quando propicia libertação e salvação a humanidade inteira de uma situação idêntica a do povo de Israel meus amados. Uma humanidade caída, fraca, oprimida pelo maior inimigo e único inimigo, senhor até mesmo de todos os faraós e tiranos que já passaram pela terra, os fazendo tão oprimidos e fracos quanto todo o resto da humanidade, O PECADO.

Humanidade sem esperança, escravizada pelo pecado que domina o seu coração, vivendo em um caminho pavoroso de opressão e derrota destinados após a sua vida de escravidão unicamente "para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos"(Mt 25: 41), preparados para a morte eterna da qual não há escape, servos do pecado e rebeldes inimigos de Deus que excutará a sua punição(Rm 3: 10 - 20) .

O Senhor se mostra o Deus do impossível quando em meio essa situação ele também propicia um caminho através de tão intrasnponível mar, através de tão grandioso mar que separava o homem da liberdade em Deus, caminho seco, seguro, inabalável que não só é o caminho, mas a verdade e a vida Jesus Cristo o Filho de Deus, o único caminho para a salvação, para que o homem possa se achegar a Deus. ( Rm 3: 20 - 31)

Portanto meus irmãos que possamos lembrar da vida de escravidão e morte que nos aguardava, contemplar tão grande escape propiciado pelo Pai e nos alegrarmos de fato bendizendo ao Senhor e anunciando ao mundo "O meu Deus é o Deus do impossível."

Que fujamos da simplista idéia de reduzir o impossível á coisas tão possíveis quanto bens e reconhecimento mundano, quando o impossível de Deus é tão maravilhoso e soberano.

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.

Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.

Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.
Isaías 53:4-6


Você que ainda não conhece a Cristo, que Deus abra os seus olhos para perceber o quão frágil e pavorosa é a sua vida, impotente para reagir a tamanha condição diante de tão cruel inimigo da alma e diante de tão pavoroso mar e após reconhecer isso clame a Deus Ele já providenciou o caminho, busque-o siga por ele e você também poderá cantar ao final com os salvos com alegria, força, vitalidade, com o regozijo de uma alma que desfruta de tão imenso amor, o meu Deus é o Deus do impossível.

Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.

Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer.

Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.

Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.

Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.
Romanos 5:6-10


Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.

E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.

Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.

Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.

Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.

Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;

Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.
Romanos 5:15-21
Solus Christus,
J.C.Ferreira

quarta-feira, dezembro 28, 2011

A sua vida é um sonho?


Você gosta de seus sonhos? Você não gostaria de viver neles? Não seria melhor viver aquela maravilhosa realidade para sempre? Quanto você pagaria para que ela nunca acabasse ao abrir de seus olhos, pela manhã? Se você pudesse escolher entre viver a sua vida ou um sonho, o que você escolheria?

Eu tenho novidades para você. Uma delas é que você pode estar vivendo (sem perceber) o que você mais deseja: um grande sonho.

Um sonho geralmente é curto. Quase sempre nem lembramos completamente dele - somente os seus acontecimentos mais marcantes são guardados na memória. Entretanto, você é privilegiado. E muito. Pois o sonho que você tem experimentado já dura muito mais que alguns anos. Como uma das características fundamentais de um sonho é desfrutar de uma liberdade total, na qual você faz o que quiser sem ter a quem prestar contas, eu posso dizer sem errar que o seu sonho é perfeito: você vive para si mesmo.

Mas os seus privilégios não passam de ilusão, afinal, isto é um sonho. Mais cedo ou mais tarde, o grande sonho, a sua vida, chegará ao fim. Entretanto, ele não desaparecerá quando você acordar, pois você não está simplesmente dormindo um sono profundo e pesado; é pior que isso, você está morto. Seus pecados lhe impedem de acordar e eles são tão escuros e sujos que você nem sequer deseja fazê-lo - eles lhe tornaram inútil.

O seu sonho acabará quando Deus destruí-lo. Sei que você acha que Deus não está nem aí para o que você faz ou deixa de fazer. Mas isso não é verdade. Deus conhece os seus caminhos. Pelo fato de você ser criatura dEle, saiba que um dia Ele julgará as suas obras. Neste dia você verá quão perfeitamente Deus conhece a sua vida. O seu sonho acabará e você será lançado no inferno, porque você rejeitou a Deus durante toda a sua vida. Você será punido eternamente por cada pecado cometido contra o eterno Senhor e Deus. Saiba que não será um anjo ou um demônio que lhe punirá - pois até o próprio diabo será lançado no lago de fogo; será o próprio Deus que derramará a Sua justa e ardente ira sobre você para todo o sempre.

“Certamente, tu [Deus] os puseste [os ímpios] em lugares escorregadios; tu os lanças em destruição. Como caem na desolação, quase num momento! Ficam totalmente consumidos de terrores. Como faz com um sonho o que acorda, assim, ó Senhor, quando acordares, desprezarás a aparência deles" (Sl 73.18-20).

sábado, dezembro 24, 2011

O Único Presente de Natal




"Um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz".
                                                                                                                                Isaías 9:6

Um feliz natal da GQL a todos os cristãos espalhados em todo o mundo.


                                                                                                                   Soli Deo Gloria.


Obs: Para ler nossa série de artigos sobre tão importante data, clique aqui

terça-feira, dezembro 20, 2011

Bons livros para ler no Natal

Nestes últimos dias eu venho refletindo sobre "a minha época de adolescente", afinal não faz tanto tempo assim (risos). E uma das coisas que acho mais importante na vida de um adolescente é o que ele lê. Não estou preocupado somente em saber se um jovem lê ou não, pois não basta ler. A questão é o que se lê. Porque é melhor não ler nada do que ler um livro ruim (e herético).

Portanto, gostaria de indicar alguns livros que tive o prazer de ler; os quais me beneficiaram além do prazer de ter uma boa leitura, sendo, portanto, meios de graça para o meu conhecimento de Deus e de Sua maravilhosa Palavra- além de me ajudarem a construir uma boa teologia prática.

- Livros de ficção cristã:
Creio que muitos adolescentes e jovens conhecem As Crônicas de Nárnia de C. S. Lewis. Talvez seja o primeiro livro que vem à mente quando se fala em ficção cristã. Mas eu gostaria de falar um pouco sobre dois livros de ficção que marcaram muito a minha vida:



[1] O Peregrino (de John Bunyan): Este é um dos melhores livros deste gênero que você pode ler na vida (digo sem medo de errar). Pois se você está atrás de uma boa ficção, este é o livro perfeito. Entretanto, se você estiver atrás somente de uma ficção, Bunyan irá surpreendê-lo. Pois O Peregrino é a ficção da vida real. E se você é um cristão a caminho do céu, você precisa ler este livro. Eu garanto que você encontrará muitas semelhanças entre você e os personagens: Cristão, Fiel, Esperança e muitos outros.

E embora não haja em O Peregrino as mesmas guerras de As Crônicas de Nárnia e de O Senhor dos Anéis; aventura e emoção é o que não vai faltar. O Peregrino trata de modo interessante e profundo sobre temas cruciais da vida cristã, como: conversão; a diferença entre conhecer sobre Deus e conhecer a Deus; os altos e baixos da vida de um cristão; o pecado: desde o próprio coração até às vaidades que nos são oferecidas neste mundo caído; e muitos outros.

O Peregrino possui menos de trezentas páginas (ou seja, ele é muito menor que As Crônicas de Nárnia) e você pode desfrutar de sua leitura neste Natal e nas suas férias. E em especial, eu indico a edição comentada publicada pela Editora Fiel.



[2] Jornada para o Inferno (de John Bunyan): Este é mais um grande livro (e por sinal, também é do grande Bunyan). Enquanto que O Peregrino consiste da aventura de Cristão e seus irmãos em Cristo até a cidade celestial. O Jornada para o Inferno tem como enredo o diálogo entre Prudente e Atencioso sobre um homem que acabara de morrer: o senhor Mau. E neste diálogo você vai encontrar uma poderosa reflexão da vida por meio de uma cosmovisão bíblica.

Neste livro você será ricamente instruído em temas como: servir a Deus sendo criança; a morte dos salvos e a morte dos ímpios; e em especial, um tema de extrema emergência para os nossos dias: a união afetiva entre cristãos e não-cristãos (jugo desigual)- e aqui gostaria de chamar a atenção das jovens: você precisa ler este livro! No Jornada para O Inferno John Bunyan irá lhe mostrar, minhas amigas, a verdadeira motivação de um ímpio querer se relacionar com você e o plano maléfico para conseguir lhe iludir- e acredite, você precisa ser aconselhada; e muitos outros.

O Jornada para o Inferno é do mesmo "calibre" de O Peregrino, também tem menos de trezentas páginas. Eu sugiro a edição das Publicações Evangélicas Selecionadas (PES). Você pode conferir. E vale a pena!

Que tal desfrutar do Natal e das férias lendo algum desses dois livros? Você não irá se arrepender!

Que Deus seja glorificado.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

A Eleição Estimula a Santidade - Abraham Booth


Humildade, amor e gratidão são três elementos essenciais da verdadeira religião. O ensino bíblico a respeito da eleição promove esses três elementos.

A graça discriminativa, certamente, ocasiona a humildade. Todos os homens estão igualmente arruinados. Os pecadores não são salvos porque merecem, porém, tão--somente pela misericordiosa escolha de Deus. Daí ninguém ter razão alguma para orgulhar-se. A salvação "não vem das obras para que ninguém se glorie" (Ef. 2:9). Por isso, a graça discriminativa torna os crentes humildes. Eles são obrigados a reconhecer que não têm mais direito de ser salvo do que o maior miserável que já está no inferno. E como Paulo escreve: "...quem te diferencia? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?" (1 Cor. 4:7).

Além disso, a eleição dos filhos de Deus cria neles um grande amor para com Ele. Quando eles tomam consciência das bênçãos da salvação que Deus graciosamente lhes deu, ainda que não a merecessem mais que quaisquer outros homens, hão de ficar cheios de amor e admiração. Deus podia, com justiça, tê-los mandado para o inferno, mas ao invés disso, os elevou para o céu. Não deverão eles amá-10 por isso?

E esse amor se expressará por meio da gratidão. Se Deus fez tanto por nós, sem que o merecêssemos, não deveríamos nos entregar totalmente a Ele, em serviço de gratidão? Com Paulo, dizemos: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais, em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor" (Ef. 1:3-4).

Humildade para com os nossos semelhantes, amor e gratidão para com Deus - são esses os frutos de uma compreensão da graça discriminativa de Deus. A eleição, portanto, influencia-nos para nos tornar melhores crentes.
Ao mesmo tempo, por mais cheia de auxílio que esta verdade possa parecer àqueles que já são crentes, será que ela não vai desencorajar os que ainda não o são? Os que buscam tornar-se crentes poderão argüir: "Se eu não estiver entre os eleitos de Deus, então não importa o quanto eu deseje ser salvo, pois jamais o serei".

Esse pode parecer um argumento plausível, mas na verdade é um grande erro. Deixe-me ilustrar o que quero dizer. Suponhamos que um alimento é repentinamente apresentado a um homem faminto. Teria sentido ele dizer: "Não sei se Deus pretende que eu seja alimentado por este determinado alimento. Por isso, não importa o quanto eu o deseje, não posso comê-lo". Não seria muito mais sensato dizer: "Tenho um forte apetite. O alimento é o meio de satisfazer o meu apetite. Portanto, eu comerei este alimento".

Ora, Cristo é o pão da vida, o alimento das nossas almas. Este alimento celestial é provido pela graça oferecida no evangelho e livremente apresentado a todos os que têm fome, sem exceção. Que teria de fazer, então, o pecador espiritualmente despertado senão, sendo habilitado pelo Senhor, tomar, comer e viver para sempre? Os pecadores não são encorajados a crer em Jesus em troca de saberem que são eleitos. Não, as novas da misericórdia de Deus são dirigidas aos pecadores considerados como prontos para perecerem. Todos, sem exceção, que conhecem sua situação perigosa e sentem sua incapacidade, são convidados, sem demora, a aceitarem as bênçãos espirituais, antes mesmo de pensarem a respeito de sua eleição. Assim, esta verdade não deve aterrorizar um despertado ou qualquer pessoa que tenha consciência de seu pecado. Os que estão indiferentes a respeito de suas almas, ou têm elevada opinião sobre sua própria bondade, de qualquer maneira jamais se inco modarão com a eleição!

No entanto, não poderia alguém dizer: "Se eu estou entre os eleitos, então necessariamente serei salvo, não importa como eu me comporte". Por acaso este ensino das Escrituras referente à graça discriminativa não encoraja o crente a viver descuidadamente?

Às vezes, você pode encontrar pessoas que dizem crer na eleição e cujas vidas são cheias de impiedade. Tais pessoas, porém, estão enganando a si mesmas. A eleição não significa meramente que um certo número de pessoas irá, seguramente, para o céu. A razão da eleição é que o povo de Deus fosse santo e irrepreensível diante dEle (Ef. 1:4),

ou seja, a eleição significa que um certo número de santos alcançará o céu.
Deus não indicou apenas o lugar (o céu) para onde os eleitos irão, porém, mostrou também o caminho pelo qual eles chegarão lá. Paulo escreve: "Devemos sempre dar graças a Deus... por vos ter elegido desde o princípio, para a salvação, pela santificação do Espírito, e fé na verdade" (2 Tess. 2:13). Assim, uma parte essencial da experiência espiritual dos eleitos deve ser a "santificação" e a "fé na verdade". Onde esses elementos não estiverem presentes, não há eleição.

Há um outro argumento semelhante a esse último, o qual se costuma apresentar contra a verdade da eleição. E o seguinte: qual é a utilidade da pregação, da oração e da auto--negação? Se os eleitos já estão certamente escolhidos, não há necessidade dessas coisas. A resposta a esse argumento é a mesma que demos ao argumento anterior, ou seja, Deus usa deliberadamente a pregação, a oração e a auto-negação para efetuar aquele viver santo para o qual Ele escolheu o Seu povo. Posso mostrar o absurdo desse argumento por meio de outra ilustração.

Vamos concordar que há um Deus que governa todos os nossos negócios humanos por Sua providência. Se Ele planejou tudo aquilo que fará, então a objeção de que "se alguém é eleito, esse alguém não precisa ser santo" também se aplica a todos os negócios da vida diária. Se Deus planejou todos os negócios humanos, então quer com saúde ou doentes, quer bem sucedidos ou falhos em nossos negócios, quer habilidosos ou não na execução de nossas tarefas, tudo é governado pela providência. Contudo, quem será tão insensato para dizer; "Não importa se eu como, durmo ou estudo, desde que as circunstâncias de minha vida já foram determinadas pela providência!" Uma vez que não raciocinamos tão absurdamente em relação aos afazeres de nossa vida natural, por que o faríamos em relação aos interesses de nossa vida espiritual?

O perfeito conhecimento de Deus inclui todos os detalhes de nossas vidas, tanto quanto o nosso destino final. Não podemos separar os pormenores do fim. Deus prevê que chegarão aos céus somente aqueles que, segundo Sua previsão, se tornam santos por esforço espiritual diário; e ninguém Ele prevê no inferno, exceto aqueles pecadores que diariamente rejeitam Sua verdade.

Alguns, porém, acrescentam o argumento: "Este ensino torna Deus injusto, desde que Ele é misericordioso para com alguns e não para com todos. Deus Se tornou desleal". Eu respondo: a injustiça só pode estar presente quando a recompensa proveniente de um compromisso assumido deixa de ser dada. Se um magistrado aplica a lei rigorosamente no caso de um pobre e indulgentemente no caso de um rico, ele é injusto. Todavia, se ele como um benfeitor é generoso para com os necessitados entre seus vizinhos, nunca diríamos que é obrigado a ser generoso para com todos os necessitados. Isso seria impertinência de nossa parte! Se é apenas um problema de doação graciosa, não pode haver injustiça -mesmo que todos não recebam. E isto é ainda mais verdadeiro com relação a Deus, pois Ele é o Criador que tem o direito absoluto de fazer o que quiser com o que é Seu - e Sua natureza perfeita nos assegura que Ele nada faz de errado.

Deixe-me perguntar-lhe: todos os homens pecaram ou não? Se pecaram, então todos são culpados perante Deus. Se admitimos isso, então mesmo que todos perecessem Deus seria justo. E a eleição de alguns para a salvação não causa dano aos não eleitos. Assim, a "não-eleição" não é uma punição injusta. Dizer que Deus não pode deixar ninguém se perder é dizer que todos têm direito à salvação. No entanto, ninguém tem direito à salvação. Ela é somente pela graça.

A verdade é que o argumento "Deus é injusto ao eleger alguns e não todos" procede da auto-estima que nós, errada mente, temos de nós mesmos e da visão míope que temos de Deus. Será o altíssimo e sublime Deus tão limitado que não possa fazer o que Lhe agrada?

Deixe-me, agora, mostrar-lhe o valor real e prático da eleição para nós. Primeiro, a verdade tem algo a dizer ao pecador descuidado. Você já viu que todos são culpados aos olhos de Deus, e que Ele escolheu alguns para a salvação, deixando outros sofrerem as justas conseqüências de seus pecados. Como você pode saber que esse não é o seu caso? Ser rejeitado por Deus é estar perdido para sempre. Você ainda está desinteressado? Ora, você está nas mãos de um Deus ofendido e, contudo, não tem idéia certa daquilo que Ele fará com você! Se você teme a possibilidade do inferno, deve saber que é exatamente isso que merece. Você tem boas razões para tremer. Medite sobre estes fatos terríveis! Que o Senhor possa ajudá-lo a "fugir da ira vindoura" (Mat. 3:7).

Assim, a partir disso, é claro que o ensino de que o amor de Deus é geral e igual para com toda a humanidade, e de que Cristo morreu por todos, pode entorpecer as consciências. Se todos são igualmente amados e salvos, por que devo me preocupar? Somente as verdades bíblicas, isto é, a graça discriminativa e Cristo como o substituto dos eleitos, têm poder para despertar o pecador descuidado.

Segundo, a verdade da graça discriminativa tem algo a dizer ao crente. Você é um verdadeiro crente? Nesse caso, a graça lhe mostra a quem deve louvar e lhe diz que você deve ser humilde! Essa verdade também lhe dá a certeza de que aqueles que recebem essa graça estão seguros para a eternidade, pois coisa alguma pode derrotar a graça de Deus. Ela reina! Quão importante, então, é "fazer firme a vossa vocação e eleição" (2 Ped. 1:10). Você está convencido de que esta verdade da eleição é uma verdade bíblica? Então, tome posse de todos os seus benefícios. Sem dúvida, de todos os nomes que são dados na Bíblia ao povo de Deus, o de "eleito de Deus" é o mais marcante. Ele significa que você está autorizado a desfrutar de todos os imensos privilégios que a graça oferece. "Uma geração escolhida, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo adquirido para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (1 Ped. 2:9).

Terceiro, esta verdade da graça discriminativa tem algo a dizer ao que é crente só de nome, que fala muito a respeito de doutrina, mas em cuja vida se vêem, freqüentemente, a falta de santidade, o orgulho e a malícia. Você é desse tipo? Então, você pode falar quanto quiser a respeito de doutrina; isso não lhe fará bem algum. A sua vida torna claro que você é um inimigo da graça. Você obedece realmente aos seus apetites pecaminosos. Você realmente não ama a Deus! Que a graça da qual fala - sem nenhuma experiência dela possa livrá-lo misericordiosamente do seu pecado. Seria difícil encontrar um caso mais deplorável do que o de uma pessoa que finge conhecer aquilo que realmente não experimenta.

Fonte:http://www.mayflower.com.br/2010/06/eleicao-estimula-santidade-booth-1734.html
MayFlower

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Ler a Bíblia é legalismo?


"A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" (Romanos 10.17).

Quando falamos sobre santificação diária, é imprescindível falarmos também sobre leitura bíblica. Pois dizer que alguém está crescendo em santificação sem estar crescendo no conhecimento das Escrituras e do Deus das Escrituras, é completamente incoerente. Portanto ter comunhão com Deus por meio de Sua Palavra não é opcional, é totalmente necessário para sermos santificados. Mas será que isso não soa legalista? Dizer que a minha santificação está intrinsecamente ligada à minha leitura bíblica não implica em afirmar que a minha salvação se baseia em minhas obras? Vejamos.

Creio que o cerne desta questão entre a leitura bíblica e o legalismo é a antinomia de dois temas muito importantes: a soberania de Deus e a responsabilidade do homem. Pois ter um entendimento errado destes dois pilares da teologia cristã acarretará em vários tropeços na vida cristã, e em especial, no que diz respeito à leitura bíblica.

Ao considerarmos a leitura bíblica à luz da soberania de Deus, e à parte da responsabilidade humana, cairemos no erro de acharmos que não é preciso praticá-la, pois ao final de tudo, "Deus é soberano e tudo o que Ele quiser que eu aprenda acerca Dele, eu aprenderei. Pois Ele é soberano e nada que eu faça mudará isto."

Pela consideração da leitura bíblica somente à luz da responsabilidade humana, cairemos numa espécie de legalismo fatal. Pois os que assim pensam, acharão que a saúde de sua vida cristã depende unicamente de seu desempenho em guardar a lei de Deus.

E através da consideração da responsabilidade humana como sendo a causa ou o catalisador da ação soberana de Deus na leitura bíblica, o erro é declarado a partir da tentativa de "conquistar" a Deus. Esta é a ideia de "agradar a Deus primeiro, para que Ele nos abençoe com o conhecimento necessário acerca Dele". E creio que este é o mais intrigante dentre todos estes erros que podem ser cometidos devido a uma má compreensão acerca da soberania de Deus e como nós nos envolvemos nela. Pois se você assim entende a sua leitura bíblica, sem dúvida alguma, a sua leitura da Bíblia se constitui uma obra legalista. Porque isto mostra que você está querendo alcançar a graça de Deus por seus próprios esforços. E ao conseguir certo crescimento em "santidade", o seu coração pecaminoso se deleitará em dar todos os créditos de tal crescimento a você mesmo, que conseguiu "forçar" que Deus agisse em prol de você.

Mas não é assim que estas duas verdades bíblicas se relacionam entre si. A verdade é que a soberania de Deus é a grande razão para a responsabilidade humana. Pois as nossas ações seriam inúteis se Deus não fosse soberano e gracioso. O que implica em dizer que se Deus não tivesse prometido que a fé é pelo ouvir a Palavra, o ato de ler a Bíblia não passaria de um meio para nos tornarmos morais ou algo semelhante a isto; pois sem a fé dada por Deus, ler a Bíblia em nada iria diferir da leitura de qualquer outro livro.

Portanto, o ato de ir para a Bíblia a fim de conhecê-la[1], e assim conhecer a Deus, já é fruto da soberania de Deus em afirmar que tal leitura é o meio para que o nosso coração receba fé. É tão gloriosa soberania de nosso Deus que nos cativa e nos impulsiona a irmos para a Palavra. E isso mostra que, longe de ser uma atitude legalista, a leitura bíblica é uma ação de humildade e de dependência da graça de Deus. Pois damos tanta ênfase à leitura bíblica não para que conquistemos por nossas próprias obras o que precisamos de Deus; mas porque sabemos que é pela Palavra que Deus irá nos purificar, ensinar, exortar, repreender, disciplinar, consolar, capacitar-nos a vencer o pecado e nos conceder, acima de tudo isto, a Sua auto-revelação.

Que o Senhor nos dê de Sua maravilhosa graça para que entendamos que a leitura bíblica é a atitude de alguém que confia unicamente nas promessas graciosas de Deus. À semelhança de alguém que corre para debaixo de uma cachoeira de águas límpidas, não para exibir suas capacidades, mas para receber o banho necessário das águas que jorram nesta beleza criada por Deus.

Que Deus seja glorificado.

Nota:
[1] Refiro-me ao ato da leitura bíblica sadia a qual é feita por alguém que entende que é Deus que opera nele "tanto o querer quanto o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fl 2.13).

Aplicando o Conhecimento de Deus: Aspectos Práticos do Arrependimento





Apresento desde já aos irmãos que, sobre o assunto que irei tratar aqui disporei em campos gerais, peço perdão se não conseguir o objetivo de apresentar a distinção entre a Justificação e a Santificação e quais os aspectos práticos que o correto entendimento acerca de tão maravilhosas e infinitas obras realizadas por Deus em nós pode contribuir para um maior desfrute n'Ele, bem assim como todo o conhecimento acerca de nosso Senhor traz ao homem caído, porém creio na misericórdia de Deus e que Ele age mesmo através de um pecador como eu, mostrando a Sua imensa força onde só enxergamos fraqueza e debilidade.

Muito da complicação para reestabelecimento de um cristão após a queda em pecado é a confusão que esse possui em sua mente e coração sobre os três aspectos da Salvação sendo esses: A Justificação, a Santificação e a Regeneração, principalmente entre os dois primeiros:

"Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;"1Co 1:30


Como J.I.Packer bem coloca:

"Na realidade, a santidade é o alvo da nossa redenção. Assim como Cristo morreu para que pudéssemos ser justificados, também somos justificados para que possamos ser santificados e santos"


Portanto se você se encontra em uma situação difícil, tentando se reerguer segue alguns conselhos:

1 - O perdão foi concedido a você na Cruz do Calvário por Cristo, não tente antes de se confessar a Deus se tornar agradável através de sua própria justiça, nada você encontrará em seu coração além de pecado, somente através de Cristo possuímos plena e perfeita interseção. Buscar torna-se agradável com suas próprias forças não dará resultados se não a piora de seu estado devido ao aumento do orgulho que habita em nós, a saber o pecado.

2 - Perdão não significa Santificação: Portanto muitos pensam que após se confessarem de forma imediata estarão isentos da consequência do ato pecaminoso e sem lutas contra as tentações que acabara de cair, grande engano. O ato de confessar seus erros e falhas, seus pecados sem dúvida alguma produz santificação pois tal ato de submissão a Deus só pode ser realizado por intermédio do Espírito Santo na vida de um homem, porém diferentemente da Justificação que é uma obra consumada por Cristo na Cruz e unicamente consumada pelo Filho de Deus e nada além de Seu sacrifício a propicia - não necessitando portanto de um outro Sacrifício como bem explica Hb 1- 28 e Hb 10:12 e:

"Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados" Hb 10:14 ;


A Santificação é uma obra ainda incompleta no sentido que todos os dias, horas, momentos e fração de tempo é operada e deve também ser buscada, realizada nesse último sentido em um aspecto duplo na significação de que é obra exclusiva do Espírito Santo de Deus quanto ação e somente o Espírito de Deus pode operá-la no homem, porém estando também sob a responsabilidade do homem a reação e a busca pela santidade creio eu que esse duplo aspecto pode ser visto claramente nas Escrituras:

“Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação.” 1Ts 4:7


“Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” Fp2:13

"Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus." 2Co 7:1

“Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” Hb12:14


Ou seja, A santificação é um processo contínuo sabendo portanto:

"Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. " 1Jo 3:2

Portanto meus amados a santidade plena é algo desejado pelo homem, porém ainda não completa devendo ser buscada diariamente.

Como bem cita J. I. Packer:

“ Santidade é sempre a resposta de gratidão a Deus, do pecador salvo, pela graça recebida”


3- Portanto em conclusão. Se você realmente se achegou a Deus com o coração quebrantado e sincero, clamando por Salvação – aspecto que não abordamos diretamente aqui- ou clamando por reestabelecimento das conseqüências por ceder ao pecado saiba que Sim, você está perdoado porém, à semelhança de um soldado ferido você necessitará de um tratamento para curar sua ferida. Clame a Deus, chore ao Espírito Santo clame por mortificar tão grande inimigo de sua alma. O PECADO. E saiba que ao mesmo tempo que você estará em processo de cicatrização da ferida que tão maligno adversário causou em sua alma, você estará lutando a todo instante contra as tentações a sua volta, o mundo e o Diabo, portanto lute, guarde a Palavras de Deus em Seu coração como diz meu grande irmão Rodolfo "leia a Bíblia para fugir do pecado e fuja do pecado para lê-la". Ela é a voz de Deus, o direcionamento do Pai, o comando de seu capitão, a Santidade expressa de Deus. Submeta-se ao senhorio de Cristo e da ação de Seu Santo Espírito assim você andará segundo essa boa obra para a santificação. Ore sem cessar, vigie, lembre-se não há tréguas, esses são os próximos passos após o arrependimento, são os resultados; a manifestação de um coração contrito, grato a Deus e inimigo do pecado que busca reestabelecimento. E por último meus irmãos, lembremos sempre das maravilhosas promessas que desfrutamos em Cristo:

“Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.” 1 Co 10:13



"Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” Jo 16:33


Portanto meus irmãos não desanimemos, corramos para Cristo, Ele deve ser a centralidade de nossas vidas. Você que é um não-crente corra para Cristo. Sem Ele não resta para você esta tão árdua luta que nós salvos enfrentamos, para você não há luta, há somente submissão ao pecado. Seja livre! Para você Crente centre-se em Cristo não desvie o seu olhar dele nem por um momento, se alegre em Cristo seu libertador, sua liberdade e sua alegria , lembre-se que:

“Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” Hebreus 4:14-16

Meus amados tenham por certo que :

“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente;” 2Co 4:17
"Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;" Fp 1:6


Solus Christus.

J.C.Ferreira

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Eles perderam o milhão...


Ontem à noite eu assisti algo muito interessante. Eu havia acabado de tomar banho quando ouvi a seguinte pergunta feita na televisão: "Quem foi que recebeu os dez mandamentos no monte?" E as possíveis respostas eram: Davi, Salomão, Abraão e Moisés.

Esta pergunta foi feita no programa "Um milhão na mesa", e quando a ouvi disse para a minha mãe: "Isto só pode ser brincadeira. Todo mundo sabe isso!" Mas o casal que estava participando ficou em dúvida entre Moisés e Abraão, sendo que no final das contas eles apostaram R$660,00 em Abraão e R$340,00 em Moisés. E como todos vocês sabem, eles perderam R$660,00 por não saberem responder a esta pergunta que qualquer criança que frequente a Escola Bíblica Dominical sabe responder (assim espero).

Tal casal ainda teve que responder outras perguntas, mas lá pela quarta questão, eles haviam perdido tudo. Pois bem, façamos algumas reflexões a partir deste caso lastimável:

A ignorância bíblica em nosso meio é gritante! Até as histórias mais famosas da Bíblia são desconhecidas pelas pessoas. E tal ignorância envolve os não-cristãos, e tem grassado entre os cristãos. E isso traz à minha mente algo muito importante para avaliarmos:

Como está o nosso trabalho com crianças? Neste pequeno comentário só gostaria de dizer o seguinte: Não podemos mais permitir que as crianças sejam desprezadas em nossas igrejas. E isto implica em algo bem simples: parar de colocar um monte de professores despreparados para ensinar as crianças. O que custa à igreja presente e futura, não somente a superficialidade e a falta de conhecimento de fatos bíblicos, mas também a falta de fundamentação doutrinária acerca de Evangelho, Trindade, divindade e humanidade de Cristo, e todos os demais temas essenciais para que as crianças conheçam a Deus e Sua Palavra verdadeiramente.

E voltando ao caso do casal em si, o que aconteceu ontem foi realmente terrível. Eles perderam muito. Mas se você acha que estou me referindo somente ao milhão de reais, você ainda não entendeu a real situação em que eles se encontram (e todos aqueles que desprezam a Bíblia). Porque a ignorância bíblica de tais pessoas não lhes custou somente a perda de dinheiro, mas lhes custou principalmente a perda de alegria na vida e na eternidade: na vida, porque a falta de conhecimento das Escrituras indica a falta de comunhão com Deus, e logo, a falta de amor, alegria, paz e esperança. Elas são totalmente miseráveis porque não possuem o único tesouro genuíno: Cristo Jesus; e na eternidade, porque a falta de comunhão com Cristo- o caminho, a verdade e a vida, e somente por quem há acesso ao Pai- os levará a passar a eternidade ausentes de Deus e sob a Sua santa e terrível ira...

Que Deus tenha misericórdia desse casal e de todos aqueles que não amam a lei do Senhor. Pois sabemos que somente Deus, através da convicção ministrada por Seu Santo Espírito por meio da pregação do Evangelho, pode produzir fé e amor por Sua Palavra nos corações.

"A salvação está longe dos ímpios, pois não buscam os teus estatutos" (Salmo 119.155).

Que Deus seja glorificado.



sexta-feira, novembro 25, 2011

Lendo para fugir e fugindo para ler.


"Desviei os meus pés de todo o caminho mau, para observar a tua palavra" (Salmo 119.101).

A luta contra o pecado é uma luta diária. Às vezes passamos por momentos "de trégua", mas isto não passa de ilusão, pois são nos momentos de aparente paz que tendemos a vigiar menos e, portanto, a cair quando menos esperarmos. E esta verdadeira guerra é travada de diferentes formas entre os irmãos em Cristo. O que para um de nós é uma grande batalha, pode não ser tão difícil assim de ser vencido para outro, e vice-versa. Mas, independente de qual seja o ponto fraco, cada um dos santos é tentado pelo pecado.

Entretanto, conscientizar-nos desta guerra feroz não é o bastante para vencê-la; assim como o simples saber que há um rifle apontado para a sua cabeça, não é suficiente para livrar da morte um soldado na guerra. É necessário sair da mira do pecado de modo ativo. Pois ficar esperando pela "sorte" de o nosso inimigo errar o alvo do nosso coração é simplesmente loucura! É imprescindível que corramos o mais rápido que pudermos para um lugar seguro, a fim de estarmos longe, bem longe, da mira do diabo.

Qual é, então, tal atitude de fuga ativa não somente das minhas grandes lutas, mas também as de todos os cristãos? A resposta é simples: a leitura bíblica. Isto pode aparecer frustrante para você, eu sei. Porque talvez você tenha buscado solucionar a sua falta de espiritualidade de muitas outras formas supostamente mais radicais como: jejuar por vários dias, não assistir televisão, não acessar o Facebook; e quem sabe você fez até um propósito de não acessar a internet durante um grande intervalo de tempo... Mas fique certo disto: em si mesmo, nada disso pode guardá-lo do pecado.

Eu sei que muitas vezes verdadeiramente é preciso fazer tudo isto que foi acima citado, mas o que estou afirmando é que sem ter a leitura bíblica como o fundamento sólido de sua fuga do pecado, todas estas coisas não passarão de superficialidade.

Portanto, analisemos o porquê de ler a Bíblia é a grande solução para vencermos a nossa luta contra a carne:

1) "Desviei os meus pés de todo o caminho mau..."

O salmista, inspirado pelo Espírito Santo de Deus, descreve a primeira etapa de nossa vitória contra o pecado: desviar-se do caminho mau.

O desviar-se do mal é fruto de um coração sábio, como escreveu o grande rei Salomão: "O sábio teme e desvia-se do mal, mas o tolo encoleriza-se e dá-se por seguro"[1]. E esta tem de ser a nossa atitude sincera: afastar-nos do pecado. Nós conhecemos as nossas fraquezas e, ao invés de testar a nós mesmos tentando descobrir até que ponto podemos ficar perto do pecado sem cair nele, devemos fugir delas e dos caminhos que podem nos levar até elas. Isto prova o nosso coração. Pois alguém que de fato quer vencer o pecado não pode ser lerdo ou desatento nesta batalha: precisamos fugir sobriamente do pecado.

2) "...Para observar a tua palavra."

Eis o porquê de fugirmos do pecado: para observar a palavra de Deus.

Lembre-se que este é um verso só, que possui uma ordem importante. Pois fugir do pecado para fazer outra coisa que não seja observar a palavra do Senhor é "morrer à beira da praia". Fuga do pecado e leitura bíblica são coisas que sempre andam juntas, pois uma gera a outra ciclicamente. Ou seja, nós fugimos do pecado para ler a Bíblia, e lemos a Bíblia para fugir do pecado, e assim sucessivamente, de modo que isso é algo constante em nossa caminhada cristã.

Diante do que já foi dito surge uma questão: "se eu sou um pecador, como posso ter forças para me afastar da iniquidade e, no lugar disto, buscar a Palavra de Deus?" Isto é muito interessante de ser analisado, pois se nos atermos somente no verso 101 do maior de todos os salmos poderemos cair em um erro antropocêntrico e legalista: o de achar que a nossa santificação provém de nós mesmos, e que ela depende fundamentalmente de nosso desempenho em buscar a Deus, porquanto "o desviar-se do caminho mau" vem antes do "observar a palavra". Mas para não cairmos em tal erro é necessário lermos outros versos deste maravilhoso salmo. Vejamos alguns:

"Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti"[2]: neste verso nós vemos que é o ato de guardar a Palavra no coração que irá nos preservar de pecarmos contra o Senhor;

"Considerei os meus caminhos e voltei os meus pés para os teus testemunhos"[3]: este verso mostra que a Palavra leva o cristão a considerar e discernir os seus caminhos, de modo que ele volte a observar os mandamentos de Deus em suas ações. Ou seja, por meio de Sua palavra, Deus nos repreende para que voltemos a obedecê-lo, e assim nos afastar do pecado.

"Pelos teus mandamentos alcancei entendimento; pelo que odeio todo o falso caminho"[4]: e este verso é bem direto: é pelo conhecer os mandamentos do Senhor que somos capacitados a odiar o pecado, e, portanto, fugirmos das transgressões.

Logo, o início do verso 101 ("Desviei os meus pés de todo o caminho mau") é fruto de algo que o salmista já tem retratado no decorrer desta canção inspirada: a observãncia da Palavra do Senhor Deus. Logo, a fonte de nossas forças nesta guerra é a lei do Senhor; pois é a leitura bíblica que nos leva a fugir do pecado e, por conseguinte, nos capacita a fugirmos dos maus caminhos para lermos e obedecermos à Palavra.

Tal ideia também é tratada pelo apóstolo Paulo na epístola aos filipenses: "[...] Operai a vossa salvação com temor e tremor. Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer quanto o efetuar, segundo a sua boa vontade"[5]. Portanto, conhecer esta verdade tem de nos guardar de toda a confiança em nós mesmos, e do legalismo de acharmos que é o nosso desempenho e a nossa capacidade de fugir da carne que nos mantém santos.

Que Deus nos capacite a vivermos na Sua santa Palavra, para que assim sejamos preservados em todo o nosso caminho, por amor ao nosso salvador Jesus Cristo e capacitados pelo Seu Santo Espírito.

Que Deus nos perdoe.

Notas:
[1] Pv 14.16
[2] Sl 119.11
[3] Sl 119.59
[4] Sl 119.104
[5] Fl 2.12b,13




terça-feira, novembro 15, 2011

Falando novas línguas – uma análise de 1 Co 14.


Para visualizar corretamente certos trechos do artigo, baixe as fontes gregas clicando aqui

Talvez não haja maior polêmica entre crentes de cunho tradicional e cessacionista e os pentecostais (em especial no Brasil) do que o fenômeno conhecido como “glossolalia”, ou seja, a prática espiritual do “Falar em Línguas”, que acompanha o movimento pentecostal desde o início de seu nascimento. Pode-se dizer que o dom de línguas ainda é mais debatido do que o de profecia, ainda que seja menos importante do que este. Seria o dom de línguas, assim como o de profecia, válido para hoje? Creio que debati sobre essa questão em artigo anterior, no qual tratei sobre o texto de 1 Coríntios 13. Todavia, é importante saber definir a natureza do dom de línguas, e seu correto exercício dentro do contexto da comunhão na igreja, tudo isso atentando para os preceitos da Palavra de Deus. Vejamos as dúvidas e objeções que comumente são afirmadas ou questionadas quando o assunto é a glossolalia.

- O Falar em línguas: conhecidas ou não?


Os dons de profecia e línguas estão intimamente ligados, sendo que ambos são encorajados pelo apóstolo Paulo no início do capítulo 14:

Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar. Porque o que fala em língua [desconhecida/estranha] não fala aos homens, senão a Deus, porque ninguém [o] entende, e em espírito fala mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens [para] edificação, exortação e consolação” (vrs 1-3).

Paulo é bem enfático em seu encorajamento, apesar de todos os problemas envolvendo a igreja em Corinto, Paulo nem mesmo cogita um tipo de cessação temporária do falar em línguas, muito menos sua proibição. Todavia, os Coríntios deveriam seguir o curso da vida cristã, procurando zelosamente (zhloute) os dons espirituais, em especial o de profecia. Qual seria o motivo? Lembre-se que Paulo está tratando do correto uso dos dons dentro do contexto do culto público. Nesse contexto o dom de profecia é superior ao de línguas pelo fato que quem fala em profecia fala na linguagem comumente usada ou entendida pela congregação, quem fala em línguas aqui fala uma linguagem simplesmente não conhecida por ninguém, sendo que ninguém entende o que se está falando, mas em espírito fala com Deus coisas misteriosas (vrs 1). O resultado é a falta de edificação por parte da igreja. Há uma nítida diferença aqui entre o fenômeno descrito por Paulo e o que ocorreu no dia de pentecostes em Atos dos Apóstolos, quando a igreja fora cheia do Espírito Santo, as línguas que foram faladas ali eram idiomas conhecidos pelos que a ouviram:

E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.
E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.
E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando?
Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos [ênfase acrescentada]? Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, e Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus.” (At 2:1-11).

Seriam então o falar em língua desconhecida registrada em 1 Coríntios 14 do mesmo gênero do manifesto em Atos? O contexto e as declarações de Paulo apontam para uma resposta negativa. Em atos os crentes falam “noutras línguas” (e9te)raij glwssaij = outros idiomas) , já em primeira coríntios o que fala em língua não fala a homens, mas a Deus (ou0k a0nqropoiv lalei a9lla tw qew) , sendo que “ninguém entende, mas em espírito fala mistérios”( pneumati de lalei musthria). Paulo prossegue nos versículos subseqüentes mostrando claramente que no fenômeno apresentado na igreja em Corinto os ouvintes não conseguiriam entender:
Assim também vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? Porque estareis [como] que falando ao ar. Há, por exemplo, tanta espécie de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem significação. Mas, se eu ignorar o sentido da voz, serei bárbaro [estrangeiro] para quem falo, e ele será bárbaro para mim” (vrs 9-11).

Alguns podem contra-argumentar afirmando que Paulo incentiva os coríntios a buscarem entender os idiomas falados pelo mundo e interpretá-los para o benefício da congregação, todavia o texto não está tratando aqui se as línguas são idiomas conhecidos ou não, mas sim o que acontece se não interpretarmos, seremos bárbaros para quem falamos e eles serão bárbaros para nós, sem uma comunicação inteligível, não há como haver comunhão (vrs 16). .
O que mais distingue as línguas aqui das de mencionadas em Atos era que no dia de pentecostes as línguas eram idiomas conhecidos (porém desconhecidos para os locutores) e anunciaram as bênçãos de Deus para os descrentes. Enquanto que em 1 Coríntios, isso só pode acontecer se houver um dom espiritual de interpretação:
Está escrito na lei: Por gente de outras línguas e por outros lábios falarei a este povo, e ainda assim não me ouvirão, diz o Senhor. De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é um sinal para os infiéis, mas para os fiéis” (vrs 21-22).
A situação como descrita por Paulo era clara. Caso algum descrente entrasse na congregação a fim de acompanhar o culto a Deus e visse os Coríntios falando em línguas, isso acarretaria em juízo para ele. Paulo explica isso utilizandoo exemplo da invasão assíria profetizada por Isaías, sendo o povo de Israel fora assolado por um povo de língua desconhecida. De modo semelhante, o infiel, ao ver o culto desordenado em Corinto, não entenderia a mensagem, taxaria os Corintos como loucos e, por conseguinte, não seria salvo (vrs 23)
O falar em línguas tem como propósito básico o mesmo dos outros dons espirituais: ele é útil para a edificação da igreja e trabalha em perfeita unidade com outros dons(1 Co 12) . O dom de línguas envolve o ato de orar e adorar a Deus louvando e glorificando-o, sendo algo extremamente íntimo do crente. Esse dirigir-se a Deus em línguas manifesta-se através de oração e cânticos (vrs 15) e também pode ocorrer em maior ou menor freqüência (vrs 18).  Nesse contexto são pronunciadas coisas ininteligíveis, tanto para o ouvinte quanto para o que fala; ainda que uma mensagem direcionada aos homens possa estar incluída. A partir de 1 Coríntios 14, vemos que o foco do falar em línguas não é a homens, mas sim a Deus em primeiro lugar. Comentando sobre o versículo um, diz o teólogo Wayne Grudem:
“O ponto principal do versículo é que só Deus pode entender as línguas sem interpretação, não que Deus seja o único a quem se pode m dirigir as palavras em línguas”.[1]

Então como deveríamos analisar o falar em línguas hoje? Seria o dom de línguas constituído apenas de idiomas ou uma língua desconhecida na terra? A resposta é: ambas. As instruções do apóstolo Paulo se aplicam para todos os casos em que esse fenômeno se manifeste, quer seja um idioma conhecido por algum ouvinte, quer seja uma língua desconhecida na terra e dada de forma sobrenatural pelo Espírito Santo. Por vezes há casos na história do movimento pentecostal que mostram os dois tipos de manifestações.Cabe agora analisarmos os padrões e mandamentos bíblicos concernentes ao uso do dom de línguas.
O dom de línguas e a congregação:


Infelizmente muito do que se vê nos círculos pentecostais não é o correto uso do dom de línguas (se é que tantos possuem o dom), mas por vezes um falar descontrolado, em voz alta, que não somente prejudica a oração individual, mas o próprio desenrolar no culto. Por vezes vemos apenas o falar em línguas sem o uso de interpretação, ocorrendo que em vez da igreja ser edificada, o que ocorre nada mais é do que uma desordem no culto e muitos manifestado o dom somente pelo manifestar, tal procedimento entra em choque com os firmes mandamentos declarados pelo Apóstolo Paulo.

Nada mais necessário do que atentar para a santa recomendação do apóstolo:

Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para a edificação. E se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, o quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas se não houver intérprete, esteja calado na igreja e fale consigo mesmo, e com Deus.” (1 Co 14: 26-28).


Tal texto passa distante da leitura de muitos crentes, que acabam por cair em meninice espiritual. O texto de 1 Coríntios é claro, o falar em línguas, ainda que seja importante edifica somente aquele que fala, a nãos ser que haja alguém que interprete, nesse caso, nem mesmo deve se falar em línguas em voz alta no culto. Porém por vezes o que vemos são vários irmãos tendo os mesmos problemas que Paulo há muito procurou sanar. Os resultados são conhecidos: meninice espiritual, valorização demasiada do dom de línguas e em detrimento dos outros, escárnio e menosprezo de outros irmãos e pessoas de fora da igreja. É extremamente necessário que nossos ministros busquem serem fiéis no ensino bíblico concernente aos dons espirituais, e orientarem corretamente sua congregação na busca desses dons.
Conclusão:

O dom de línguas é uma realidade para a igreja hoje, por isso é mais do que necessário buscarmos genuinamente esse dom, porém sabendo que nem todos o receberão. Há certo tempo atrás escrevi que o maior problema das igrejas pentecostais hoje é o mesmo problema da igreja em Corinto. Ninguém está realmente tendo "ordem e decência”, e quase ninguém segue os padrões bíblicos de como tratar as línguas e profecias dentro da igreja. Todavia, tal quadro pode ser mudado. E a Escritura nos fornece clara direção para isso.





Soi Deo Gloria
Nota:


[1] GRUDEM, Wayne.Teologia Sistemática. Atual e exaustiva. São Paulo: Vida Nova, 1999.

quarta-feira, outubro 26, 2011

"Quando vier o que é Perfeito" - Uma análise de 1 Coríntios 13: 8-13




Desde o surgimento do movimento pentecostal, a controvérsia em torno da atualidade dos dons espirituais foi objeto de intensas disputas e controvérsias dentro do cristianismo protestante, sendo que afetou inclusive setores da igreja católica. No âmbito evangélico, pode-se dividir esse debate entre muitos reformados e dispensacionalistas, oriundos de igrejas protestantes históricas, que não crêem que dons como o falar em línguas e o exercício da profecia sejam válidos atualmente, assim também como não crêem em curas extraordinárias da parte de Deus. Os que integram essa ala são comumente conhecidos como Cessacionistas, porque afirmam que tais dons cessaram com o final da era apostólica. De outro lado há aqueles que integram o chamado  grupo de igrejas pentecostais, notadamente através das denominações Assembleia de Deus; e os Renovados/Carismáticos, que juntamente com alguns reformados que integram o grupo dos chamados neocalvinistas, como John Piper e Mark Driscoll¹, que crêem na atualidade dos dons espirituais para hoje. Os que pertencem a esse grupo são classificados como contemporaneístas, porque crêem na atualidade de tais dons no contexto eclesial de hoje. Como pentecostal, creio ser de grande valor fazer uma breve reflexão sobre esse delicado tema, tanto para a saúde como para a edificação cristã. Com um entendimento melhor das posições de ambos os grupos, muito poderá ser feito em prol de uma interação e enriquecimento espiritual mútuo.


As mais variadas críticas feitas na atualidade acerca do uso dos dons espirituais são feitas acompanhadas de críticas ao movimento pentecostal em geral. Muitas vezes pregadores como Benny Hinn são tidos como padrões do movimento carismático, assim também como a teologia da prosperidade como sinônimo de reflexão teológica pentecostal/carismática, junte-se a isso com problemas de ordem moral, litúrgica e soteriológica. Caso se concorde com todas as críticas feitas por muitos cessacionistas, dificilmente não se verá  o movimento pentecostal como algo pseudo-cristão de cunho herético. Tais críticas já foram  analisadas e refutadas de forma muito melhor do que este autor poderia sonhar em fazer (Vide excelentes artigos clicando aqui e aqui). É óbvio que não se pode classificar o movimento pentecostal como algo simplesmente homogêneo e denominá-lo herético. Comparar Mike Murdock com Stanley Horton ou Benny Hinn com Gordon Fee ou Myer Perlman simplesmente não faz justiça aos fatos. Todavia, é importante analisar a raiz do problema e depois chegar as demais conclusões. Teriam de fato os dons desaparecido? Seriam os pentecostais um grupo sub-cristão destituído de base doutrinária sólida? Antes de mais nada o problema é exegético, e antes de outras análises serem feitas, é mais do que prudente analisar um trecho-chave das Escrituras concernente a essa controvérsia. E esse trecho é o 1 Coríntios 13:8-13.

O apóstolo Paulo, lidando com vários problemas existentes na igreja em Corinto trata nos capítulos 12 a 14 de 1 Coríntios sobre o correto exercício dos dons espirituais na igreja. Um dos textos utilizados pelos cessacionistas é o já citado capítulo 13, dos versos 8 a 13 onde o apóstolo diz:

"O Amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas, havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque em parte vemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o [que é] perfeito, então o que é em parte será aniquilado.
 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino, mas logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como sou conhecido.
Agora pois, permanecem a fé, a esperança e o amor,estes três, mas o maior destes é o amor."

Para muitos cristãos sinceros, o texto em questão não visa autenticar o correto exercício dos dons espirituais atualmente, mas simplesmente falar acerca do fechamento do Cânon escriturístico, ou algo derivado dele, o qual é o conhecimento de Deus revelado nas Escrituras.  Acerca deste texto, comenta o Rev. Josafá Vasconcelos:

"O grande problema aqui nessa passagem é a discussão perene sobre quem é o "teleion", o perfeito [do texto]. Seria Jesus? Ou a manifestação da sua glória? Seria o canôn das Escrituras? Quem, ou que é este "perfeito"? Meus irmãos, a regra elementar de hermenêutica manda que consideremos o contexto imediato e geral da passagem, que indicará o sentido da palavra. Do que Paulo  está tratando no sentido anterior? Não é a respeito dos exercícios que nos fazem conhecer a Deus e a sua vontade? o ponto básico da discussão é sobre "conhecimento". O que o apóstolo quer apresentar no capítulo 13? duas coisas:

1. Em relação à prática da igreja, ele fala do exercício daquilo que Deus outorga para a edificação do corpo, que sobretudo o amor deve nos nortear.

2. Fala do conhecimento de Deus e de Sua vontade. Ele está dizendo que  há um conhecimento parcial que se aperfeiçoará. Um ekmerous (palavra utilizada para conhecimento parcial - "em parte conhecemos") que caminha para o teleion que é o conhecimento perfeito. Não há como fugir disso aqui, é muito claro. No contexto ele fala ainda de infantilidade (ser como menino) e de amadurecimento (ser como grande ou adulto); usa, a metáfora do espelho: ver por espelho (instrumento imperfeito na época de Paulo para mostrar as coisas) e ver face a face (as coisas são mostrada de  um modo claro). Não sei porque a palavra 'teleion' não pode ser metafórica também. Porque tem que Deus ou a face de Deus, ou o céu, e não o que, pelo contexto, parece realmente ser, aperfeiçoamento do conhecimento genuíno."

Para Josafá, o dom de profecia era um sinônimo de inspiração plenário-verbal, ou seja a profecia era a Palavra de Deus sendo transmitida a igreja do primeiro século, que não contava com o Novo Testamento completo. A forma argumentativa é convincente, mas será que realmente diz aquilo que o texto apresenta? Vejamos por partes:

1. O Contexto de 1 Coríntios 13:

O contexto do texto em questão não se refere especificamente sobre o conhecimento de Deus através das escrituras, mas ao correto exercício dos dons espirituais, essa é a principal preocupação do apóstolo, como testemunhado no primeiro versículo do capítulo doze: "Acerca dos dons espirituais, não quero irmãos, que sejais ignorantes". A partir daí Paulo prossegue dando uma descrição da lista de dons espirituais possíveis de serem exercidos na igreja, sendo que seu propósito máximo é exaltar a Cristo como Senhor e glorificá-lo, sendo que cada dom, dado a indivíduos, são importantes para o aprimoramento do corpo de Cristo. Com isso o apóstolo repreende uma possível vanglória existente na igreja de Corinto, onde uns se achavam mais espirituais do que outros devido a exercerem determinado dom, mas todos são importantes para o bom funcionamento do corpo, e todos devem ser usados com amor. Com isso o apóstolo encoraja: "procurai com zelo os melhores dons, e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente." (vrs 31).

2. O Texto de 1 Coríntios 13:

O capítulo 13 de primeiro coríntios  é um dos mais universalmente conhecidos das Escrituras, onde o apóstolo Paulo, após descrever a natureza de vários dos espirituais e sua importância, Paulo mostra a superioridade do amor, sendo que este não é um tipo de amor no sentido geral do termo ou um amor fraternal, mas o amor divino no qual todo genuinamente crente recebe:"Porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que no foi dado"  (Rm 5:5b). Tal "dom" é superior a todos os outros. Aí então entra o texto-chave para entendermos a questão da duração dos dons de sinais.

Ao mostrar a superioridade do amor sobre os dons de sinais, o Apóstolo então mostra a durabilidade do amor de Deus, tal amor é tão forte e superior que não pode falhar ("Ekpiptei", que também pode ser traduzido por acabar), ele durará para sempre, tanto nesta era quanto na outra. Enquanto isso, as línguas cessarão e a profecia será aniquilada, a ciência também desaparecerá (vrs 8) pois quando “o perfeito” vier (vrs 9) tais coisas já não serão mais necessárias. É aí que chegamos num impasse textual, e consequentemente doutrinário.

Muito se debate sobre o significado do termo "perfeito", sendo que a palavra grega original (teleion) possui uma variedade de significados como : Maduro, pleno, completo e também perfeito. Para cessacionistas como Vasconcelos, a melhor tradução aqui seria "maduro" ou "completo", pois o próprio Paulo faz uma comparação entre ser um menino e amadurecer como adulto. Mas então como entender a expressão ver face-a face? Tal texto deve ser entendido de forma metafórica juntamente com a comparação feita por Paulo.  Todavia, fica claro que a metáfora proposta por ele termina quando finaliza sua ilustração de infância-maturidade. O teólogo reformado Wayne Grudem pungentemente afirma:

"O uso da expressão  'face a face' no AT, no sentido não apenas de ver claramente, mas de ver Deus pessoalmente (no versículo acima) continua sem explicação. O fato de Paulo incluir  a si mesmo nas expressões "veremos face a face" e "então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido" impede que vejamos isso como uma referência ao tempo da finalização das Escrituras".
A tradução da palavra "teleion" nesse trecho é melhor expressa como "perfeito", ou então como "pleno", pois na verdade o texto não se refere propriamente ao Senhor Jesus, mas a Era vindoura, que somente será inaugurada quando Cristo voltar. Tal interpretação também se encaixa no contexto geral da epístola, haja vista o apóstolo saudar a igreja com um grande elogio:  "De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo" ( 1 Co 1:7). O teólogo pentecostal Donald Stamps, comentando sobre esse trecho afirma:
"Os dons espirituais, como profecia, línguas e ciência terminarão no fim da presente era[século]...até chegar esse tempo, precisamos do Espírito e dos seus dons na congregação. Não há nenhuma evidência aqui, nem em qualquer outro trecho das escrituras de que a manifestação do espírito santo através dos seus dons cessaria no fim da era apostólica."
Conclusão:
Muito se pode ainda dizer sobre essa delicada questão, que separa muitos cristãos tradicionais (reformados e dispencacionalistas) dos pentecostais clássicos. Há implicações importantes que devem ser analisadas, porém creio que melhor seriam expressas em outros artigos.  Levando em consideração a importância da doutrina bíblica da atualidade dos usos dos dons de sinais, juntamente aliados com um correto uso desses dons. 

Permanece o importante fato: mesmo que haja abusos constantemente vistos em meios que se auto-proclamam como pentecostais genuínos, não menosprezemos a validade e a importância deste importante texto, que nos encoraja a buscarmos mais e mais ação do Espírito Santo em nossas igrejas, para a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.

Soli Deo Gloria 


Notas:

[1] A crença da atualidade dos dons espirituais no meio reformado não é exclusiva aos neocalvinistas, sendo mesmo alguns reformados que não fazem parte desse movimento crêem na possibilidade de se repetir tal ação na vida da igreja. Na história da igreja, vemos vários reformados que criam e até mesmo tinham dons espirituais, como John Knox, Richard Baxter e Charles Spurgeon.

Referências:

Grudem, Wayne. O Dom de profecia: do novo testamento aos dias atuais. São Paulo: Editora Vida, 2004.
Stamps, Donald in: Bíblia de Estudo pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
Vasconcelos, Josafá. Nada se acrescentará:. O que dizer das novas revelações de hoje? São Paulo: Os Puritanos, 1998.


terça-feira, outubro 11, 2011

Deus é soberano, então ore!


Deus é soberano sobre tudo e sobre todos. Nada deste mundo foge à Sua vontade soberana. Nem mesmo o circuito realizado por uma poeira em algum lugar do globo foge do decreto divino. Deus, de fato, reina sobre tudo- exatamente tudo!

"Mas o nosso Deus está nos céus, e faz tudo o que lhe apraz." [1]

E o que dizer do coração humano? Será que temos que ficar amedrontados com a livre agência das pessoas? Será que temos de nos desesperar ao vermos tanta iniquidade nas obras de nossos colegas e amigos? Claro que não. Como diz o sábio rei Salomão:

"Como ribeiros de águas é o coração do rei na mão do Senhor, que o inclina a todo o seu querer." [2]

Não estou desprezando a responsabilidade humana em suas escolhas. Cada homem dará conta de si mesmo a Deus. E aqueles que forem lançados ao inferno, serão lançados por causa de seus próprios pecados. Ninguém pode dizer que, ao pecar, "está fazendo a vontade de Deus, porque Deus é soberano". Deus não participa do pecado de ninguém, os homens são os únicos culpados de suas próprias iniquidades. Como Tiago ressalta:

"Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado por sua própria concupiscência." [3]

Mas estou focando mais intensamente nossas mentes na soberania de Deus, porque é exatamente esta doutrina que nos encoraja a orarmos. É saber que Deus reina, que nos dá esperança ao lutarmos em oração por nosso próximo, mesmo que este tenha o coração tão duro como o diamante, por causa de seu pecado. É saber que Deus tem poder para conceder arrependimento e fé até ao mais perverso pecador, que nos motiva a orarmos.

Então, oremos! Não importa qual seja a densidade das trevas à sua volta, ore. Mesmo que pareça não haver mais esperança para seus amigos e colegas, ou para este mundo como um todo, não pare de orar. Deus é soberano, e esperemos inteiramente em Sua graça sempre.

Que Deus seja gracioso conosco em nos conceder a graça de vermos acontecer ao nosso redor o mesmo que ocorreu com os ninivitas após a pregação de Jonas:

"E os homens de Nínive creram em Deus; e proclamaram um jejum, e vestiram-se de saco, desde o maior até ao menor. Esta palavra chegou também ao rei de Nínive; e ele levantou-se do seu trono, e tirou de si as suas vestes, e cobriu-se de saco, e sentou-se sobre a cinza. E fez uma proclamação que se divulgou em Nínive, pelo decreto do rei e dos seus grandes, dizendo: Nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem se lhes dê alimentos, nem bebam água; mas os homens e os animais sejam cobertos de sacos, e clamem fortemente a Deus, e convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há nas suas mãos. quem sabe se se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos? E Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha anunciado lhes faria, e não o fez." [4]

Que Deus nos perdoe.

Notas:
[1] Sl 115.3
[2] Pv 21.1
[3] Tg 1.13,14.
[4] Jn 3.5-10.






segunda-feira, outubro 10, 2011

Devocional: Você crê na Soberania de Deus?


"O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo" (Salmos 103.19).

A soberania de Deus é o tema central da doutrina bíblica. Sem ela não temos nada. Crer num deus que não é soberano sobre tudo e todos em nada difere de crer num deus feito por mãos humanas, um deus inútil e nada diferente dos homens, e, mais que isso, inferior aos próprios homens. Pensar em um deus que não tem soberania é conceber um deus que não é criador, e sim criatura; um deus que não é rei, mas súdito; um deus que não é auto-suficiente, e sim completamente dependente de homens.

Mas o verdadeiro Deus é soberano. E a Sua soberania não tem limites: exatamente tudo o que ocorre neste mundo e no universo é controlado pelo Senhor. E Deus não está preocupado se Sua vontade será feita, como um rei que fica a caminhar ao redor de seu trono- confuso e ansioso; mas Ele está assentado em Seu trono com soberania completa, como o nosso texto declara: Ele tem o "seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo".

Esta verdade traz aplicações bem práticas para nossas vidas. Eu gostaria de trazer neste texto apenas uma:

Saiba que o contexto em que você está inserido, as pessoas que você conhece, as pessoas que você irá conhecer ou se deparar não são por acaso ou por coincidência- nem mesmo por sorte. Mas a verdade é que cada uma delas é controlada pela perfeita soberania de Deus. Cada coisa em sua vida é provida por Deus de modo soberano, e dada a você como um presente.

Que esta verdade nos faça repensar nossas vidas e nosso papel neste mundo. Que Deus nos conceda graça para que não enxerguemos nossas vidas e as pessoas que nos cercam como "meramente naturais". A fim de que O glorifiquemos em tudo isso. Termino esta reflexão com esta oração por nossas vidas:

"Senhor, não permita que nosso legado seja somente falar de modo teórico sobre Ti e Tua salvação em Cristo Jesus, Teu Filho. Mas que o Senhor nos use como teus instrumentos para que o Teu Nome seja glorificado em nossas vidas, famílias, amigos e aqueles que levares até nós por Tua maravilhosa soberania, através da pregação ativa de Teu Evangelho."

Que Deus nos perdoe.