sábado, dezembro 31, 2016

GQL 2016: Prosseguindo para o alvo


"...uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim,
Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." (Fp 3.13b-14)

“E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele”. (Mt 11.12).




Finda-se o ano de 2016, e olhando para trás podemos ver, em mais um ano, inúmeras bençãos do Senhor sendo derramadas nas vidas dos membros deste blog, bençãos tais que não podem ser enumeradas pelos dedos das mãos.  Obviamente, não significa que tudo foram rosas ou "mar de flores", pois bem sabemos que como bem disse o amado Lucas, por muitas tribulações no importa entrar no Reino de Deus (At 14.22), portanto,temos a constante necessidade, em meio a uma era perversa, de receber encorajamento e ânimo vindos de irmãos firmados na Palavra de Deus.  

Nesse ano, não faltaram fatos e lutas que nos surpreenderam (não pela luta em si, mas as do tipo que apareceram). Não foram poucos os desafios e batalhas contra hostes espirituais da maldade neste mundo tenebroso. Lutas pessoais, problemas na família de amigos, problemas gerais na própria família e várias lutas ministeriais. Diante de todas as batalhas enfrentadas, é essencial lembrar das palavras ditas pelo apóstolo Paulo pelo Espírito Santo, e pelo próprio Senhor Jesus.

A metáfora da competição atlética é uma das preferidas do apóstolo Paulo.  Como alguém nascido em Tarso, Paulo tinha contato constante com as competições de atletismo e jogos, provavelmente teve contato também com jogos Ístmicos. Observando a dedicação dos atletas corredores, dos treinos e empenho dos lutadores, o apóstolo vê ali uma ilustração excelente da caminhada do homem com Deus através de Cristo e em Cristo. O cristão precisa completar a sua corrida ("carreira", na ARC).

Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar (1 Co 9.24-26).
Ser cristão envolve perseverança, envolve luta, envolve dedicação e envolve suor; envolve uma luta tanto interna quanto externa, envolve andar diário na luz e e confissão de pecados. Mesmo nas lutas externas, há a necessidade de um cuidado interno. Nas lutas que envolvem o ministério, isso se intensifica. Envolve se manter sóbrio diante das dificuldades e pautar o agir na Palavra de Deus, e depositar a confiança em Deus, e por vezes o desânimo pode se tornar um alto e forte muro, e o amor pela presente era uma tentação. Todavia, devemos ter em mente a mesma inflexibilidade, e virilidade bíblica apresentada por João Batista pelo reino dos céus, algo testemunhado pelo próprio Senhor Jesus:


...começou Jesus a dizer às turbas, a respeito de João: Que fostes ver no deserto? uma cana agitada pelo vento? Sim, que fostes ver? um homem ricamente vestido? Os que trajam ricamente estão nas casas dos reis. Mas, então que fostes ver? um profeta? Sim, vos digo eu, e muito mais do que profeta... Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele. E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele. (Mt 11.7b-9;11-12).

João Batista, aprisionado por Herodes, após receber uma palavra de encorajamento do Senhor Jesus, recebe agora um forte testemunho do mestre:  Ao contrário dos juncos daquela região, que iam de um lado para o outro com o vento, João permanecia constante, e ao contrário dos bajuladores com roupas "delicadas" (a palavra grega aqui é a mesma utilizada por Paulo 1 Co 6.10) que estavam usufruindo das benesses palacianas de Herodes, João estava no cárcere mantendo sua firmeza e sua fé. Ele era o último dos profetas da Antiga Aliança, e também era o prenúncio da Nova, desde então o reino dos céus está diante dos homens, que com violência se apoderam dele. João apontou o caminho e prostitutas e publicanos entravam no Reino, indo adiante dos fariseus, que com seus bons modos legalistas, ficavam para trás¹. Entrar na vida exige esforço, exige renúncia, exige negação, e exige perseverança, esforço para entrar pela porta estreita e andar pelo caminho estreito. Devemos ter o mesmo vigor e força para entrar no reino dos céus como os homens violentos saqueavam os reinos. É necessário perseverar, como bem mostrou Bunyan em sua alegoria imortal:

"Cristão viu um homem de semblante resoluto aproximar-se do que estava sentado escrevendo e disse: - Anote meu nome, senhor.

Viu então que o homem desembainhava a espada e colocava um capacete na cabeça, avançando rumo à porta, contra homens armados, que sobre ele caíram com força mortal. O homem, porém, não se deixou esmorecer, e mesmo caído, golpeava e talhava ferozmente. Assim, depois de ser ferido e ferir muito dos homens que tentavam evitar sua entrada, conseguiu abrir caminho entre todos eles, entrando no palácio. Ouviu-se, então uma bela voz que vinda dos que estavam lá dentro... e dizia:

Entre, entre;
Glória aqui você terá para sempre"²



Esse é uma imagem belíssima de perseverança, mesmo diante das batalhas, ferindo e sendo feridos. O Cristão é como o homem resoluto da alegoria de Bunyan, ele mantém firme o seu propósito de entrar, fazendo força, fazendo violência. No dizer de Matthew Henry: "Não há boa maneiras quando se trata de entrar no Reino dos Céus". Esse deve ser o alvo, esse deve ser o nosso foco. Mais um ano se finda, e muitos têm o próximo ano como um recomeço, até mesmo uma vida nova. Todavia, não é o marcar meia-noite do ponteiro do relógio que marca a passagem de uma nova vida, mas sim a confiança e entrega de si mesmo a Cristo, que vive e reina para sempre, é que nos dá uma nova vida. "Assim que, se alguém  está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas se passaram, eis que tudo se fez novo" ( 2 Co 5.17), portanto deixando as coisas que para trás se foram, prosseguimos para o alvo, para o prêmio recompensador que está em Cristo Jesus!

Amém!

O blog Servorum Dei deseja a todos um próspero ano novo em Cristo Jesus. 


Soli Deo Gloria

Notas:

1. Entre os comentaristas bíblicos, há duas opiniões acerca dessa passagem. Uma vê o trecho da violência no Reino dos Céus como um exemplo negativo dado pelo Senhor no que tange aos fariseus quererem se apoderar do Reino, interpretação defendida por C. I. Scofield, D. A. Carson e vários outros dos mais variados espectros teológicos. Todavia, outros veem com um sentido positivo no que tange à perseverança e tomada do Reino dos céus por aqueles que aparentemente estavam excluídos do Reino (Cf. Mt 21.31;Lc 16.16). A meu ver, a segunda opinião faz muito mais sentido dentro do contexto de Mateus e dos sinóticos, essa é a opinião defendida por Matthew Henry, William Hendrikssen, entre outros.
2. BUNYAN, John. O Peregrino. Tr. Eduardo Pereira e Ferreira. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

quarta-feira, dezembro 28, 2016

Ótimas leituras de 2016

Ler é fundamental. É imprescindível. Pare. Pense. Se você quer viver bem e para a glória de Deus, você necessita se engajar em bons livros!

Claro, ler bons livros não é todo o caminho para vivermos bem. Precisamos da graça de Deus. Contudo, não podemos nos enganar: sem nos engajarmos na leitura bíblica e na leitura de bons livros, nossa vida será medíocre.

Livros são dignos do adjetivo "bons" quando eles nos transformam. Ou pelo menos são instrumentos para isso. Com eles: aprendemos coisas novas de maneira consistente e ordenada; rimos e choramos de maneira saudável; enxergamos erros que precisam ser corrigidos; exercitamos bem a nossa mente pela criatividade e reflexão profundas. Em suma, um bom livro é vida.

Pela graça de Deus, este ano de 2016 foi marcado pela leitura. Nunca havia lido tantos livros em um ano. Para mim, isto não é motivo de orgulho. É motivo de temor. "[...] A qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá" (Lc 12.48), são as palavras do Senhor Jesus.

Pois bem, gostaria de compartilhar com os prezados leitores alguns dos livros que mais me marcaram neste ano. Eles não são apresentados em ordem de importância. Tentei organizá-los em categorias. (Não chamei este texto de "top 10" porque simplesmente não quis ser injusto com as leituras que ficaram de fora da lista.)

(Aproveito para lembrar-vos de nossa meta de leitura deste ano: 24 livros (2 livros por mês). Se você foi influenciado pelo texto Como Finalizar Mais de 100 Livros em 2016 (e alguns comentários próprios), por favor, deixe o seu comentário sobre os livros que você leu.)

Vida Cristã


1. Russell Shedd. O mundo, a carne e o diabo (Vida Nova, 1995). 

Terminei este livro ontem à noite e ele já entrou para o meu hall da fama. O Dr. Russell Shedd consegue unir várias virtudes em sua escrita: é objetiva (este livro e Lei, graça e santificação, também lido neste ano, têm 120 páginas em média), simples, precisa (até as referências citadas por ele são fantásticas), pastoral e encorajadora. Ele não escreve como se estivesse apenas despejando seu vasto conhecimento em linhas. Não. Shedd é um maduro guerreiro de Cristo que nos mostra com acurácia os perigos que nos cercam. Ele é um capitão que nos instrui em como devemos combater o sistema maligno do mundo, nossas próprias inclinações pecaminosas herdadas de Adão (a carne) e o inimigo de nossas almas: o diabo. A abordagem de Shedd é simples: definir o inimigo (mundo, carne e diabo), mostrar suas estratégias de combate (secularismo, independência de Deus e mentira, por exemplo) e a solução bíblica, revelada por Deus, para vencermos o inimigo. Como não poderia ser diferente, a união com Cristo e o uso correto da Palavra de Deus são o fundamento das soluções apresentadas pelo irmão Shedd. Por favor, adquira este e outros livros deste amado irmão que foi para a glória neste ano. Sem dúvida, você não se arrependerá.

Excertos:

"Não é verdade que todo prazer seja pecado. Foi Deus quem inventou o prazer, e não o diabo, mas a fonte e o objetivo do prazer devem ser cuidadosamente avaliados." (33)

"O potencial que o mundo tem para nos enredar está em proporção inversa ao nosso prazer e gozo no Senhor. Se nos cansamos da comunhão com Ele, se a 'alegria do Senhor' (Fp 4.4) não passa de uma vaga lembrança, então o mundo pode nos seduzir facilmente, como um homem simpático, de boa aparência e palavras suaves, enreda a mulher ressentida, carente de convicção moral, há muito tempo separada do marido." (45)

"Mas a carnalidade ultrapassa as paredes da igreja local. Algumas denominações evangélicas, dentro e fora do Brasil, pensam que são os únicos cristãos verdadeiros. Quem não apoia [nova ortografia] integralmente sua doutrina, usos e costumes é como parceiro de Satanás. Em vez de se estruturar em torno da coluna da verdadeira 'fé que uma vez por todas foi entregue aos santos' (Jd 3), eles se mantêm coesos unicamente pela luta agressiva contra os evangélicos que não aderem a seu partido." (66-67)

2. A. W. Tozer. Os perigos de uma fé superficial (Graça, 2014). 

Este livro faz parte de uma série publicada pela Graça Editorial. Ainda não adquiri todos da coleção, mas pelos três que já li, vale a pena tê-la em casa. Cada livro é independente. Sobre este livro, é uma leitura recomendadíssima. Tozer é o tipo de escritor que vem para nos mostrar o quanto ainda precisamos amadurecer em Cristo Jesus e nas coisas de Deus. Ele nos mostra a importância de levarmos a sério os meios de graça (leitura bíblica, oração, pregação da Palavra, etc.) e a disciplina cristã.

Excerto:

"Lutas são sempre decididas antes de serem disputadas. Você pode escrever essa frase sobre o seu coração ou guardá-la na memória, e a história e a biografia do mundo a apoiarão. [...] As tentações, muitas vezes, chegam de modo inesperado e sutil. Contudo, ainda que sejam assim, as orações antecipatórias preparam a alma para o que possa vir.

"Foi no dia que Davi andou no telhado que ele caiu na trágica e vergonhosa tentação com Bate-Seba? Não, foi durante um longo intervalo de tempo não registrado [pelas Escrituras] que os historiadores dizem ter-se passado antes disso, [período no qual] eles não sabem o que Davi estava fazendo. Contudo, eu sei o que Davi não estava fazendo: aquele rei não estava esperando no seu Deus nem olhando para as estrelas e dizendo: Os céus proclamam a glória de Deus (Sl 19.1a - ARA).

"Sim, ele o fizera antes, mas, agora, não mais. Davi caiu porque todo o peso das semanas desperdiçadas antes dessa tentação lhe sobreveio. A tentação não pode tocá-lo se você a tiver antecipado por meio da oração, mas certamente o fará tropeçar se não houver essa precaução." (261, 268-269)

3. Fabrini Viguier. Ser homem (Thomas Nelson Brasil, 2015).

Talvez você nunca tenha ouvido falar deste autor. Normal. Antes de encontrar este livro num evento em minha cidade, ele era um total desconhecido para mim também. Na internet, você encontrará que este livro é um best-seller da categoria "auto-ajuda". Isso pode lhe deixar receoso, certo? Acho que é por essa possível rejeição que o livro possui um prefácio escrito por Russell Shedd - que diz que se tivesse lido este livro antes, evitaria alguns erros em seu casamento - e duas apresentações, sendo a primeira escrita por Hernandes Dias Lopes. Fabrini é um exemplo de que se pode fazer uma obra prática, motivacional e de fato bíblica. Ele trata de vários relacionamentos em que um homem se envolve. Vale a pena. Espero concluir a releitura deste livro até o fim do ano.

Excerto:

"Os homens precisam de seus amigos. É nessa coletividade, nessa confraria de valores, normas e condutas que desenvolvem o senso de masculinidade. É entre eles que fortalecem o sentimento de grupo, de turma, de galera. Até porque a Trindade também é provida dessa importância. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo interagem entre si com harmonia, embora cada um tenha sua função. Homens agrupados podem servir de espelho, de alerta, de referência. Podem ser sinalizadores do que esteja tomando um rumo certo ou errado. Escolher as companhias certas trará o melhor resultado." (50-51)

Teologia Sistemática

4. Paulo Anglada. Imago Dei (Knox Publicações, 2013).

Neste ano, ocorreu uma maratona de Paulo Anglada. Li a sua trilogia de teologia sistemática (TS), da qual Imago Dei é o último volume. Paulo Anglada faz o que é difícil vermos em livros de TS: apresentar as doutrinas cristãs de maneira profunda e sucinta. Esta série é uma ótima introdução (robusta) à TS, de uma perspectiva reformada. Se você nunca leu Anglada nesta área, seria uma boa pedida para 2017.





Evangelho/evangelismo

5. David Platt. Siga-me (Thomas Nelson, 2013).

Geralmente, gostamos de ler sobre temas dos quais já possuímos certa propriedade. Queremos nos refinar. Isso é bom. Porém, precisamos ser "retirados de nossa zona de conforto". Necessitamos de livros que nos confrontem. Eis um exemplo disso: David Platt. A sua vida evangelística nos deixa desconcertados. Siga-me é simples: ele começa abordando o Evangelho e as doutrinas fundamentais da fé cristã. Após isso, ele trata das implicações de ser um seguidor de Jesus. A principal delas: discípulos fazem discípulos. O que me chamou bastante a atenção foi o que Platt chama de "costurar fios do evangelho". Abaixo, cito um trecho em que ele fala de como irmãos evangelizam muçulmanos. Este livro é leitura obrigatória.

"[...] Eles simplesmente tentam saturar todas as suas interações com vários fios do evangelho, como ao entrelaçar vários fios coloridos em uma colcha. Eles oram para que Deus, no tempo certo, abra os olhos dos homens e das mulheres ao redor de si para que enxerguem a tapeçaria do evangelho e venham a Cristo." (Como li na versão Kindle, não sei o número da página :-) )     

Biografia

6. Steven Lawson. O foco evangélico de Charles Spurgeon (Editora Fiel, 2012).   











7. Douglas Bond. A poderosa fraqueza de John Knox (Editora Fiel, 2011).

Não somos os últimos dos moicanos. A igreja não começou conosco. Precisamos aprender com os antigos. Conclusão: a leitura de biografias deve fazer parte de nossa dieta literária. Esta série publicada pela Editora Fiel é interessante. Vale a pena acompanhá-la. 






Ficção

8. J. R. R. Tolkien. Os filhos de Húrin (WMF Martins Fontes, 2009).

Preciso confessar: não havia lido nada de Tolkien até este ano. É verdade, concordo com você, isso é um problema sério. Mas tomei as medidas necessárias. Espero estar falando de novos livros de Tolkien que li pelos próximos 5 anos, se Deus permitir :-) Sendo direto: se você quer uma história bem desenvolvida, de altos e baixos (mais baixos do que altos): não deixe de ler este livro. Dizem que é um dos contos mais sombrios de Tolkien. Só posso dizer que a história é triste mesmo. Ah, tome cuidado com a lábia de Glaurung. Ele não é um dragão confiável (se é que existe algum).


9. John Milton. Paraíso Perdido (Martin Claret, 2006).

Uma leitura grandiosa. No início, há certa dificuldade para se concentrar na leitura. Contudo, depois de umas 60 páginas você já estará acostumado. Vale a pena forçar. Você não se arrependerá. Milton passa a emoção correspondente ao período do qual está se tratando. Ou seja, ao falar de Adão e Eva enquanto inocentes, as descrições são grandiosas; porém, ao falar deles após a queda, você sente o "baque" do texto: É muito bom. Uma ótima reflexão sobre a criação e a queda. 




10. L. L. Wurlitzer. As Crônicas de Olam (Vol. 2): Mundo e Submundo (Tolk Publicações: Fiel, 2016).

Chegamos à obra mais esperada por mim neste ano. Não irei falar muito deste livro porque oráculos antigos dizem que este blog produzirá uma resenha dele, por um de nossos editores. Esperemos. Mas o que posso dizer é o seguinte: é fantástico, bem escrito, emocionante, divertido, traz reflexões importantes e é show! Se você ainda não leu o Vol. 1 (Luz e Sombras), por favor, faça um favor a si mesmo: adquira-o já. Você curtirá bastante. Uma palavra final: ler ficção é importantíssimo. Não caia na armadilha de que um bom leitor só lê textos complicados, pesados e super volumosos. Ler uma boa ficção descansa a mente, aguça a sua criatividade e lhe concede uma diversão saudável. Louve a Deus por um atributo especial com o qual ele nos dotou: a criatividade!

Excerto:

"- Toda leitura é um processo que envolve quem escreveu, o que está escrito e quem lê. É uma espécie de choque de mundos. O mundo do leitor e o mundo do escritor se chocam, misturam-se durante a leitura e criam um novo mundo; este não é apenas o do escritor nem o do leitor, mas, de certo modo, outro mundo." (63-64)

Que o Senhor nos ajude a aplicar com sabedoria tudo de bom que aprendemos neste ano. Graças a Deus por tudo.

sábado, dezembro 24, 2016

Natal: Paz na terra; Deus entre os Homens


Δόξα ἐν ὑψίστοις θεῷ,
καὶ ἐπὶ γῆς εἰρήνη·
ἐν ἀνθρώποις εὐδοκία. (Lc 2.14).


O texto de Lucas reflete a excelência e importância do nascimento de Cristo. Não se trata simplesmente de um nascimento, mas de uma pessoa que "se fez carne" (Jo 1.14). O Natal reflete uma verdade teológica fundamental, em que celebra-se uma doutrina basilar da Fé Cristã: a Encarnação do Verbo e sua habitação entre os homens.
Ainda que o foco não seja a manjedoura, mas a cruz, não há dúvida de que o relato do nascimento de nosso Senhor seja de fundamental importância: é aqui que a obra de salvação se manifesta e começa a se cumprir. No nascimento de Cristo, a graça salvadora de Deus se manifestou a todos os homens (Tt 2.11, tradução livre). Então, inicia-se o evangelho. É assim que o anjo anuncia o nascimento do salvador aos pastores: "eis que vos evangelizo com uma mensagem de grande alegria". Vemos porque Jesus encarnou e nasceu: para a nossa plena salvação. Os pais da igreja foram unânimes em declarar tal verdade fundamental:

"Se o homem não necessitasse ser salvo, de nenhuma maneira o Verbo teria se encarnado" (Irineu).

"Não existe outra causa da encarnação senão esta; Deus nos viu perdidos, perecidos, oprimidos pela tirania da morte, e se compadeceu de nós" (João Crisóstomo).

É por isso que ainda que não seja uma festa obrigatória dentro do escopo da Escritura, é mais do que natural haver alegria por parte do crente. Não há como não nos alegrarmos ao meditarmos no nascimento do Salvador. Quando lemos o evangelho de Lucas e vemos a canção celestial, sentimo-nos compungidos a participar de tal festa. E não há como não querermos participar. Assim como os pastores, sentimos o desejo de ir até Belém, pois ali vemos o céu descendo na terra, ali vemos algo ainda melhor que a canção angelical. Ali vemos Deus manifestado em Carne (1Tm 3.16). E como os magos, sentimos profunda alegria.

Em Cristo contemplamos a glória de Deus, a paz é anunciada e trazida aos homens, e a boa vontade graciosa de Deus é expressa. É por isso que cantamos com os anjos:

Glória nas alturas a Deus.
Sobre a terra, Paz.
Para os homens, Boa-vontade.

Que a graça benevolente de Deus esteja sobre o seu coração, trazendo-lhe a paz da salvação em Cristo, para a glória de Deus!


O blog Servorum Dei deseja a todos os leitores um Feliz Natal!

quarta-feira, dezembro 07, 2016

A PREGAÇÃO EXPOSITIVA E O CRESCIMENTO SAUDÁVEL DA IGREJA.



Ao  longo dos anos a preocupação com o crescimento da Igreja tem sido um dos pontos de grande conflito no meio dito cristão:
 De um lado consistentemente muitos pastores e teólogos ortodoxos, denunciam métodos extremamente carnais e a utilização do pragmatismo sob a motivação de “ganhar” vidas para Cristo, bem como a megalomania perniciosa de algumas denominações e igrejas em olhar para vidas como simples proporções numéricas e deliberadamente se agarram a qualquer estratégia, mesmo antibíblica, para aumentar o número de membros e congregados em suas igrejas.
Do outro lado, temos aqueles que acusam a ala ortodoxa de ser indiferente ao evangelismo e negligenciar o crescimento de suas igrejas e por isso fazem parte ou conduzem igrejas anãs e que diminuem ainda mais ano após ano.
Ressaltamos que biblicamente, de fato, a Igreja deve promover o Evangelho de maneira ativa, o Grande Comissionamento é indiscutível em Mateus 28, assim, indubitavelmente estão cometendo um grave erro aqueles que tratam de maneira indiferente e negligente o evangelismo e o crescimento de suas igrejas.
Contudo, não temos sido chamados para acompanhar qualquer um desses dois erros, mas sim para evangelizar, fazer missões e nos preocupar com o crescimento da igreja, todavia de maneira Escriturística e em fidelidade ao Senhor.
Nosso Senhor não somente nos comissiona, mas prescreve como isso deve ser realizado, sendo assim nos comissiona segundo um direcionamento completo e preciso:

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”Mateus 28:19,20

Analisando o texto resta claro que tanto o Evangelismo como o Discipulado cristão devem estar alicerçados na Palavra de Deus, Cristo mesmo assim o fez, tanto a apresentação do Evangelho por parte de nosso Senhor como o cuidado de seus discípulos foram desenvolvidos ao longo de seu ministério de maneira alicerçada na Palavra.
  Deste modo existe uma determinação para o Evangelismo, assim como para tudo o que é praticado e desenvolvido na Igreja do Senhor e para experimentarmos o poder de Deus este deve ser obedecido. Paulo ressalta este ponto:

Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas. Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. Romanos 10:13-17

E ainda: ”Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.” 1 Co 1:21.
É inquestionável a conclusão dos textos mencionados de que o Evangelismo e o Crescimento da Igreja devem estar alicerçados na pregação da Palavra de Deus e não encontraremos direcionamento diverso na Escritura.
Deste modo, o crescimento da igreja deve ser almejado sim, porém com fervor e de maneira íntegra e santa, sendo executado por meio da pregação da Palavra de Deus.
Dito isto, ressaltamos que quando nos referimos a pregação não estamos nos referindo a alguém subindo no púlpito e proferindo o que bem entender de lá, contando histórias inventivas e antropocêntricas, mas em submissão a Deus deve expor a Sua Palavra.
O texto de Romanos que lemos acima é direto e claro nesse ponto “ouvir a Palavra de Deus”, logo o que deve ser anunciado é a Palavra de Deus, o que deve ser pregado é a Palavra de Deus, pois somente nela há o Evangelho que é o Poder de Deus para a Salvação de todo o homem.
Entendendo que o conteúdo do sermão deve ser a própria Palavra de Deus, temos que o método que se submete integralmente e atende essas exigências por se primeiramente bíblico, é o sermão expositivo. James Braga afirma:
O sermão expositivo é o modo mais eficaz de pregação, porque, mais que todos os outros tipos de mensagens, ele, com o tempo, produz uma congregação cujo ensino é fundamentado na Bíblia.
Ao expor uma passagem da sagrada Escritura, o ministro cumpre a função primária da pregação, a saber, interpretar a verdade bíblica (o que nem sempre se pode dizer dos outros tipos de sermões).
O poder de Deus por meio do sermão expositivo é apresentado ao longo de toda escritura, tanto no Antigo Testamento, a título de exemplo citamos Neemias 8 e o livro de Jonas em sua missão evangelística a Nínive.
 Todavia, mais detidamente ao propósito do texto, observamos tal poder ao longo de todo o livro de Atos, já no início do livro quando Lucas registra que no sermão de Pedro, três mil almas foram acrescentadas ao número dos santos.(At 2:14 - 47)
O Pr. John MacArthur prefaciando a excelente Obra do Pr. Dave Aby, Pregação Poderosa para o Crescimento da Igreja, assim comenta o crescimento da Igreja Neotestamentária por meio da Pregação:

No Novo Testamento, o registro da igreja primitiva revela que a pregação deveria ser o coração de toda a atividade da Igreja. A pregação era a principal estratégia para o crescimento da igreja primitiva – e o crescimento da igreja primitiva era mesmo mensurado pelo progresso e a expansão da Palavra de Deus. No texto a seguir vemos como o historiador Lucas registrou o crescimento da igreja primitiva: “E divulgava-se a palavra de Deus, de sorte que se multiplicava muito o número dos discipulos em Jerusalém” (Atos 6:7), “A Palavra de Deus crescia e se multiplicava” (Atos 12:24). “Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia” (Atos 19:20).

Como destacou MacArthur, o crescimento genuíno da Igreja se dá por meio da Pregação da Palavra de Deus, de maneira vívida, poderosa e em submissão total do pregador a esta Palavra.
Hoje em dia presenciamos várias estratégias para o crescimento das congregações, contudo os resultados são claramente perecíveis, emocionais e visivelmente passageiros. A expansão genuína e poderosa do cristianismo se deu por meio da Palavra e os resultados são relatados ao longo de Atos e de toda a História da Igreja do Senhor tanto na reforma protestante, alicerçada na Sola Scriptura (Somente a Escritura é a Palavra de Deus e deve ser anunciada e vivida) como nos movimentos avivalistas onde países inteiros foram impactados pela pregação da Palavra, como na Inglaterra de Spurgeon e Wesley e Whitefield, como nos E.U.A de Edwards e Moody, homens conhecidos por um zelo ardente pela Pregação da Palavra.
Devemos então, de fato nos preocuparmos com o Evangelismo e Crescimento da Igreja, mas de maneira genuína, poderosa e saudável, e o mesmo só se dará, quando as igrejas retornarem a Palavra, reconhecendo e crendo que Ela é o poder de Deus e que aprouve a Deus por meio dela salvar o pecador, pois nela Cristo é anunciado, exaltado e apresentado de maneira plena e perfeita, somente em Sua Palavra.  Isso implica em pregar expositivamente todo o conselho de Deus. (2 Coríntios 2:17; 3:5; 4:1-2; 13-14).

BIBLIOGRAFIA:

BRAGA, James. Como Preparar Mensagens Bíblicas. Minas Gerais Editora Vida. 1994.

EBY, David. Pregação Poderosa para o Crescimento da Igreja: O papel da pregação em igrejas em crescimento. São Paulo. Arte Editorial e Candeia.2001

solus christus

domingo, novembro 20, 2016

5 Maneiras de Criar uma Geração de Cristãos Perdidos

Caro Pséustês,


Antes de lhe falar o que realmente importa, quero deixar algo bem claro: eu dito as regras; você as obedece.

Pséustês, você precisa ser sutil e persuasivo. Siga religiosamente cada passo abaixo. Quanto mais obediente você for, mais perdidos os membros de sua igreja estarão. Não há tempo a perder.

1) Utilize métodos carnais para atrair e manter novas pessoas na igreja. Nada de ensinar a Bíblia com seriedade e fidelidade. Se você quer que as pessoas curtam um estilo alucinante de igreja, é melhor fazer com que elas gastem bastante tempo com música, teatro, dança, jogos e diversas outras coisas mais fáceis de lidar e envolver-se.

2) Faça de tudo para que os membros de sua igreja não progridam sozinhos. Incentivar a leitura bíblica pessoal? Nunca! Combata os grandes avanços da reforma protestante nesta área; seja o discipulador pessoal absoluto de cada cristão de seu povo; passe a imagem de que, sem você, eles nada podem fazer.

3) Prenda-os na igreja. Seja criativo. Há sete dias na semana, utilize-os bem. Ensine aos seus amigos que Deus não se interessa nos estudos e tampouco no trabalho deles. "Servir a Deus é estar na igreja somente", seja a suma de seu ensino. Se algum pai de adolescente vier reclamar da ausência de seu filho em casa, responda: "senhor, seu filho está engajado na obra; não se preocupe, eu cuido dele."

4) Blinde-os espiritualmente. Não deixe que eles aprendam a maneira bíblica de verificar se são cristãos genuínos ou não. Em vez disso, ratifique a ideia de que o importante é o passado. Deixe impresso em suas mentes: "Orei, chorei, está tudo ok." Por favor, não invente ensiná-los a máxima do salmista: "Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra" (Sl 119.9).

5) Torne-os elegantemente orgulhosos. Busque desenvolver neles o sentimento de que, além de você, eles são os únicos que sabem a verdade. Isso facilitará bastante a tarefa de distanciá-los de boa teologia. Desestimule-os ao máximo na leitura de bons livros cristãos e do consumo de material saudável na internet (artigos e vídeos produzidos por homens de Deus). Aliás, ajude-os a odiar a leitura em geral. O caminho para a luz, lembre-se disso, quase sempre é indicado pela leitura de um bom texto.

Saudações pecaminosas, seu mestre, Airetikós.

terça-feira, outubro 11, 2016

Declare e exija




 Para mais reflexões como essa (em inglês), acesse: adam4d.com
Link do original: http://adam4d.com/name-claim/

domingo, setembro 18, 2016

Eu, Netflix e a Escola Bíblica Dominical


Neste trimestre da Escola Bíblica Dominical (EBD), na congregação da qual faço parte, temos presenciado uma expressiva redução na frequência dos alunos (em especial, dos jovens). Sem dúvida, o período de férias contribuiu para que entrássemos em um clima de relaxamento dos compromissos. Sucessivamente, vieram as olimpíadas. Os jogos de vôlei da seleção brasileira geralmente terminavam depois de meia-noite. Os shows de Michael Phelps, Katie Ledecky, Bolt e cia também nos faziam curtir ainda mais este clima de “tranquilidade”.

Entretanto, nossos problemas não pararam aí. Mesmo após o fim das olimpíadas, a frequência na EBD se manteve baixa. Conversamos com alguns irmãos e ouvimos suas resoluções de não faltar nas próximas semanas, mas isso não mudou muita coisa. Então, qual é o nosso principal problema? Por que muitos de nossos jovens não estão conseguindo ir às aulas ou chegar no início destas?

Eu sei a resposta. A razão é simples: eu passo pelas mesmas lutas que eles. Faço parte destes jovens. Por isso, gostaria de tratar deste tema levando em consideração a minha própria experiência. Aliás, sou um dos membros que não tem conseguido chegar no início das aulas de EBD. Uma vergonha.

Além das interações virtuais comuns no Twitter, Facebook e Whatsapp, no último mês algo passou a fazer parte de meu cotidiano: a Netflix. Tenho o objetivo de estudar inglês com as séries que assisto (pelo menos em tese :-) ). Neste contexto, comecei a assistir a série Daredevil. Há uma história legal, discussões religiosas e sociais interessantes e uma boa ação. Aprendi algumas palavras novas, treinei um pouco mais os ouvidos e, pronto, tchau primeira temporada. Muito legal. Entrou para o hall da fama que tem a série 24 horas no topo. No entanto, adivinhe qual o dia da semana candidato ao prêmio de melhor dia para assistir aos episódios da 2ª temporada, até mais tarde que o comum? O sábado.

Geralmente, o período de sábado à noite me dá uma impressão de “serviço cumprido”. As tarefas da universidade, a priori, foram realizadas; bem como as atividades da igreja. Após o passeio com a noiva ou amigos, nada melhor do que relaxar no fim do dia, não é mesmo? E é só colocar o fone nos ouvidos e curtir mais um episódio do suposto estudo de inglês no período de maior silêncio de minha casa. Até segunda ordem, nenhum problema até aí. O problema é que quase sempre este(s) episódio(s) terminam por volta de 1h30 da madrugada. Resultado: grande probabilidade de atraso na EBD às 8h30.

Quando eu era aluno de graduação, aprendi a dormir tarde e a acordar cedo (até mesmo a não dormir, quando as provas do dia seguinte eram ameaçadoras demais). Contudo, não sou mais aquele jovem de 19 anos. O avanço da idade e o aumento de minhas responsabilidades não me permitem mais fazer esse tipo de coisa. Preciso dormir em torno de seis horas a cada noite. No entanto, nas últimas semanas tenho me arriscado a achar que “conseguirei acordar certinho às 7h00 e chegar à igreja antes de 8h30”, mas não tem dado certo. Tenho presenciado piscadas na cama que duram minutos, quase horas. Não dá mais para arriscar o que está em jogo na EBD.

“Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite”, escreveu o salmista inspirado, acerca do homem bem-aventurado. A Escola Bíblica Dominical tem este propósito: nos auxiliar no estudo das Escrituras, a fim de que nos deleitemos em Deus e aprendamos a exercer o nosso chamado nas mais variadas situações da vida. Vale muito a pena nos prepararmos para estarmos nesta escola. Fora o risco de não irmos à igreja de manhã, ficarmos na internet até tarde no sábado à noite nos levará a um baixo aproveitamento das aulas. Com sono não há como se concentrar bem. Netflix e cia podem ficar para outro momento. Nossas desculpas para faltar à EBD caem por terra quando Facebook, Twitter e Whatsapp testemunham de que saímos da rede de madrugada. Que Deus nos ajude a honrá-lo.

Neste texto, trato acerca de alguns de meus problemas e dos irmãos próximos a mim, não com o intuito de envergonhá-los ou de dar um puxão de orelha neles indiretamente. Pelo contrário, aproveito o dia nacional da Escola Dominical para compartilhar de nossas dificuldades sabendo que isso aflige muitas igrejas. Oro para que o Senhor nos ajude a usar com sabedoria e vigilância as tecnologias que estão disponíveis a nós, e a nos deleitarmos cada vez mais no Seu conhecimento nas manhãs dominicais de nossas igrejas, com alegria e gratidão pela maravilhosa salvação que Ele nos concedeu.

Que Deus seja glorificado.

quinta-feira, julho 28, 2016

Namorar ou stalkear? (Parte 1)


       São nove horas da noite. O culto de jovens foi bom: os louvores bíblicos e a pregação fiel da Palavra de Deus foram centrais na reunião. Porém, não é o tema da pregação que está tomando conta da mente de Jorge. É o belo sorriso de uma garota. A amiga de um irmão da igreja, que visitou o culto de hoje, não sai de sua mente. “Poxa, se pelo menos eu soubesse o nome dela...”, pensava Jorge. O jeito era pesquisar nos contatos e nas fotos do Facebook de seu amigo, a fim de encontrar o rosto mais lindo que ele havia visto hoje.

       Sem sucesso, Jorge parte para a sorte no Google. “Menina gata da igreja face” e “sorriso lindo igreja insta” são algumas de suas tentativas. Também malsucedidas. Após horas a fio, Jorge desiste. Agora era esperar que a bênção fosse para a escola dominical no dia seguinte. 

                                                                *      
       - Jorge, meu filho, já são sete da manhã. Não vou te chamar pela terceira vez.

     - Está bom, mãe. Agora eu vou levantar mesmo. Obrigado – respondeu Jorge, lembrando-se do principal motivo de ir à escola dominical naquele domingo com cara de chuva.

       Foi um dos primeiros a chegar na igreja e sentou-se em um dos bancos do meio. Entre um cântico e outro, olhava para trás com a esperança de ver a sua paixão – ele nem sequer sabia o nome dela, mas já estava apaixonado -, mas nada. Nem sinal da garota.

       O tempo foi passando e chegou-se ao momento final da aula. Jorge, sentindo uma espécie de dor no coração – não sabia explicar o porquê disso, mas parecia que lhe faltava algo -, estava meio desanimado. Contudo, num piscar de olhos, esse mal-estar se foi. Durante o momento de perguntas e respostas, um pouco de esperança retornou ao seu coração. Ele ouvira uma voz familiar: “Eu e minha amiga estamos com uma dúvida acerca dessa questão do senhorio de Cristo na totalidade da vida.

       - Eras, ela veio! - pensou Jorge, consigo mesmo.

      O professor, então, em sua educação (e inocência em relação à mente de Jorge), primeiro perguntou a Mário o nome de sua amiga visitante.

       - O nome dela é Patrícia, professor – respondeu Mário. 

      - Está ok. Bem, Mário e Patrícia, o ponto da aula de hoje foi mostrar que Cristo não está relacionado apenas a questões eclesiásticas, da igreja, como se todo mundo tivesse de ser pastor ou do grupo de louvor para poder adorar a Deus. 

      - Mas, de que maneira Deus pode ser adorado nos meus estudos de química, por exemplo? – perguntou Mário.

      - Uma das maneiras é você estudar química com seriedade, diligentemente. Sem preguiça. De modo que você dedique seus estudos para o louvor de Deus. Além disso – continuou o professor -, você pode se maravilhar com os conceitos de energia, forças intra e intermoleculares, ligações químicas e muitos outros; reconhecendo que os padrões apresentados por eles e as leis que os regem (sem as quais não haveria como estudar química) não são obras do acaso, e sim de Deus, o soberano Criador.

       - Entendi, professor. Vou digerir melhor essas verdades e depois lhe pergunto outras coisas – finalizou Mário.

      - Estarei à disposição, irmão… Bem, se não há mais perguntas, passo a palavra ao pastor Lucas – disse o professor, concluindo a sua participação naquela manhã.

     A reunião matinal estava chegando ao fim. Os jovens estavam refletindo em como deveriam glorificar a Deus em suas respectivas atividades, inclusive Jorge. Há algum tempo a ciência da computação estava sendo considerada secular demais para ele. “O que Jesus Cristo tem a ver com linhas de código e linguagens de programação, afinal?”, pensava ele.

   No entanto, naquele momento, sendo bastante sincero em relação aos pensamentos que pairavam naquela mente criativa, tudo isso era secundário. O que de fato mexia com Jorge era um nome apenas: Patrícia.

sexta-feira, julho 15, 2016

O Deus que se explica – Uma reflexão sobre o tema da canção do momento.



O leão rugiu, quem não temerá? O SENHOR Deus falou, quem não profetizará?” (Am 3.8)



Alguns dias atrás os debates nas redes sociais ficaram acirrados com a canção “Ninguém Explica Deus” do grupo de louvor cristão Preto no Branco. Devido ao enorme sucesso da música entre os evangélicos, logo surgiram análises acerca do conteúdo da canção, como os produzidos pelo blog Cante as Escrituras e por meu amigo e irmão em Cristo João Paulo Mendes1. Meu propósito não é analisar a música em si (algo já feito pelo Cante e outros blogs de maneira bem mais competente), mas sim analisar justamente o tema proposto pela música: Será que ninguém “explica a Deus”? Ou melhor, será que Deus é “explicável”? É o que veremos a seguir.


É importante desde já afirmar que realmente não tem como alguém conseguir explicar  Deus em sua plenitude. Ou seja, ninguém consegue explicar de maneira absoluta e total a pessoa e o ser de Deus, ou proferir um discurso exaustivo acerca d'Ele, de seus planos e propósitos. O apóstolo Paulo, após falar extensivamente acerca do mistério da predestinação e providência de Deus na História da Redenção, termina a seção de Romanos 9-11 de forma impactante, como se tivesse chegado no limite daquilo que poderia falar. O apóstolo irrompe de maneira abrupta  um retumbante hino de louvor:

Ó profundidade das riquezas tanto da sabedoria como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém! (Rm 11.33-36)

O fato  que ninguém pode compreender ou explicar a Deus de forma plena é algo totalmente estabelecido. Isso se dá pela simples realidade de que, se realmente o explicássemos, ele não seria Deus. Todavia, o fato de não explicarmos ou expressarmos tudo o que é possível acerca de Deus não significa que esse assunto esteja encerrado. Não, há mais coisa a se dizer.

Uma questão extremamente importante é que Deus é um Deus que explica a si mesmo. Ou, como a fé cristã mais propriamente afirma: Deus revela a Si mesmo. Em seu livro clássico sobre pregação, o Teólogo John Stott afirma sem rodeios: “Deus tem falado. Ele não somente é comunicativo por sua própria natureza, como também realmente se comunicou com o seu povo mediante a fala.” E ainda: “dava-se ao trabalho de explicar [ênfase minha] o que estava fazendo”2. Pouco antes, Stott, comentando João 8.12, afirmava: “A declaração de João que Deus é luz e não possui treva nenhuma significa que Deus é manifesto e não secretivo, e que se deleita em ser conhecido. Podemos dizer, portanto, que assim como brilhar é da natureza da luz, também é da natureza de Deus revelar-se3. As declarações de Stott refletem profundamente a verdade bíblica. Contrariando Immanuel Kant, que afirmava que uma realidade transcendental (ou “numenal”) não pode ser realmente conhecida pela mente humana e pela ordem natural, o apóstolo Paulo já afirmava que Deus já se revelava pela natureza, e que “as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo e seu eterno poder como a sua divindade se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas”, o que faz com que o homens, no dizer do apóstolo, fiquem sem desculpa de ignorância.

Seguindo um pensamento semelhante em uma apresentação distinta, o teólogo e crítico textual Edward F. Hills, seguindo seu professor Cornelius Van Till, afirmou: “Na natureza, nas escrituras e no evangelho de Cristo Deus revela-se a si mesmo, não meras evidências da sua existência, não meras doutrinas concernentes acerca d'Ele, não meramente uma história de seu lidares com os homens, mas a SI MESMO (ênfase do autor)”4. O que acontece hoje em nossa cultura foi aquilo que foi constatado por Carl F. Henry há cerca de 40 anos: O homem ocidental vive uma crise de confiança no que diz respeito à palavra, quer falada, quer escrita. E logo, sua crise obviamente acaba inevitavelmente chegando na própria conceituação e adquirição de informação autêntica. Ou seja, na própria forma de adquirir conhecimento e entendimento da realidade que o cerca.

”Os teólogos radicais que menosprezam, eles mesmos, a verbalização cristã frequentemente empregam um dilúvio de palavras para depreciar ou minar a importância das palavras para a teologia. Se palavras forem consideradas intrinsecamente não confiáveis, então o futuro de uma teologia de revelação verbal e a proclamação verbal do evangelho – ou, no fim das contas, de qualquer outra formulação escrita ou falada – é, de fato, sombrio.5

Não há como não associar as palavras de Henry ao refrão da música do Preto no Branco: “teologia pra explicar ou Big bang pra disfarçar/Ninguém explica Deus”. Sendo que em alguns versos antes, se diz que Deus “ Se revelou aos seus, do crente ao ateu”. Só podemos objetar: das duas, uma; ou o compositor mergulhou tão profundamente em seu subjetivismo que não enxergou uma contradição total nos versos, mas os aceitou devido à beleza da rima, ou então ele não crê que a Revelação de Deus seja de fato em palavras.

Ainda que eu pense que a primeira opção seja a verdadeira, é bom atentarmos brevemente para a segunda. É comum nos círculos neo-ortodoxos ou pós-moderno é acerca da transcendência de Deus que não há espaço para uma revelação verbal. Esses teólogos auto-contradizentes, como exposto por Henry, ignoram duas coisas: Tanto a onipotência de Deus quanto sua imago. O homem não possui simplesmente a imagem de Deus. Ele é a imagem de Deus.

O conceito de Imago Dei encontra sua plenitude sem sombra de dúvida na pessoa de Jesus. Ele é o Logos de Deus. Expressão rica na língua grega, que expressa inúmeros conceitos. Ainda que de maneira limitada, as traduções da Bíblia seguem expressões adequadas: Jesus é a Palavra, ou o Verbo de Deus. É o Deus que se revela, que se comunica. Ele é aquele que é “A Imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”(Cl 2.9). Vemos então que a forma física de Adão foi criada levando em conta a forma que o Verbo iria ter quando se fizesse carne, quando assumisse nossa humanidade.

Algo importante que nosso Senhor falou claramente é da autoridade da Escritura acerca dessa revelação. Podemos falar claramente dela como sendo “A Palavra de Deus”, até mesmo (parafraseando Edgar R. Lee no livro Panorama do Pensamento Cristão) o “exalar do Espírito”. A definição de Hills é bastante adequada. Temos uma revelação tripla: O Deus que se revela na natureza, nas Escrituras e no Evangelho - a Boa Nova que veio ao mundo, O “Emanuel, [que] traduzido é: Deus conosco” (Mt 1.23b) . Nessa revelação, Deus revela a si mesmo.

Se temos um Deus que se revelou, logo, temos também um Deus que se revela, ou que “explica” quem é e o que está fazendo. Obviamente, não temos como conhecer a Deus de forma total, porém de forma suficiente, Ele é o “grande Eu Sou”. Porém, quando vamos às Escrituras, vamos à Cristo, que diz: “Ninguém conhece quem é o Filho, senão o Pai, e ninguém quem é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Lc 10.22). Em Cristo, podemos conhecer a Deus de maneira extremamente pessoal. E então encontramos nosso propósito, como sintetizado de maneira atemporal no Catecismo Menor de Westminster: “Qual é o fim principal do Homem? Resposta: O fim principal do homem é glorificar a Deus, e se deleitar nele para sempre”

Conclusão.
Podemos estar certo que podemos falar de maneira adequada de Deus e que por certo podemos, dentro dos devidas limitações, “explicá-lo”, pois Ele mesmo se revelou. Quando lermos a Palavra, que tenhamos o incentivo do profeta Oseias, que não sejamos um povo que perece porque lhe faltou conhecimento, mas sim: “Conheçamos, e prossigamos em conhecer o Senhor. A sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, chuva serôdia que rega a terra.” (Os 6.3). Que esse seja o foco de nossa vida, e o ardente desejo de nosso ser.

AMÉM.

Soli Deo Gloria


1O artigo de J. P. Mendes está disponível em: < http://joaopaulo-mendes.blogspot.com.br/2016/07/ninguem-explica-deus-o-incognoscivel.html> onde o autor trata de maneira muito apropriada acerca do fato de não termos um conhecimento pleno do ser de Deus. Como o leitor há de notar, procuro focar na questão oposta, porém sem entrar em contradição com o artigo de João Paulo.
2STOTT, John. Eu creio na Pregação. Tr. Gordon Chown. São Paulo: Vida, 2003. p.100
3Op. Cit. p.99
4HILLS, Edward F. The King James Version Defended. 4° ed.Des Moines: Christian Research Press, 2001.p.4
5HENRY, Carl F. Deus, Revelação e Autoridade – O Deus que fala e age. Tr. Estevan Kirschnner. São Paulo: Hagnos, 2016. p.31

segunda-feira, julho 11, 2016

Ela não é linda? - O papel da atração física no namoro

O seguinte texto de Marshall Segal foi publicado no dia 19 de maio no Desiring God (original aqui). Ele é uma introdução importante para a nossa singela reflexão sobre namoro cristão.

Desculpe-me pelo delay na publicação desta tradução :-) Espero que sirva à sua edificação e meditação.

Que Deus seja glorificado.

P.S.: Se você costuma primeiramente ver o que vem pela frente para então decidir ler um texto, não se assuste. Você pode ler este texto aos poucos. Veja o que fica melhor para a sua situação. Eu sugiro a leitura em duas etapas: (1) ler até o fim do tópico "A beleza é vã"; (2) ler os dois tópicos restantes. É melhor ler aos poucos do que não ler nada :-)  

                                                        * * * * *
Na busca do casamento, quão significante deveria ser a atração física? Ou, qual papel, se existe algum, a aparência física desempenha em um namoro cristão?

Garotos têm vindo a mim ao longo dos anos perguntando acerca disso. Geralmente ele respeita ou admira uma jovem piedosa (ou, talvez mais frequentemente, outras pessoas em sua vida pensam que ele deveria admirá-la mais), e mesmo assim ele não é fisicamente atraído por ela. Ela não é o seu “tipo”, diz ele. “Ainda assim, eu deveria investir nela?”
O que você diria a ele?


Eu diria, “Não.” Ou pelo menos, “Não ainda.” Dados os pressupostos e as práticas comuns em nossa sociedade atual, incluindo a igreja, não acredito que um homem (ou uma mulher) deva iniciar um namoro com alguém por quem eles não são fisicamente atraídos. Se ele admira outras coisas sobre ela, incentivo fortemente que ele busque a sua amizade e conheça-a de maneira segura, não ambígua e não flertiva (provavelmente em grupos). Mas creio que a atração física, pelo menos na vasta maioria dos casos, é peça fundamental em discernir caso se deva namorar ou casar com alguém.

Dito isso, creio também que a atração física é muito mais profunda e dinâmica, e até mais espiritual, do que tendemos a pensar. Ela não é estática ou objetiva. A atração verdadeira, significativa, durável é muito mais que física. A aparência física de um homem ou de uma mulher desempenha apenas um papel no que os faz atraentes ou cativantes. O seu papel é enorme inicialmente, descreve muito a primeira vez que você vê alguém, quando tudo que você sabe sobre ele é o que você vê, antes até de que você saiba o seu nome ou ouça a sua voz. Mas o papel da aparência física necessariamente se desenvolve à medida que você aprende sobre alguém. Depois que você aprendeu mais sobre as pessoas – por meio de perguntas aos amigos delas, ou por ouvi-los falar, ou pela observação da maneira que vivem – você nunca as verá novamente exatamente como a pessoa que você viu na primeira vez.

Quanto mais você aprende sobre as pessoas, mais a aparência delas é preenchida, para melhor ou para pior, com um significado novo e mais profundo – com a personalidade delas, suas convicções, seu senso de humor, sua fé. A garota que uma vez pareceu deslumbrante pode perder muito de seu charme, e a garota que facilmente passava despercebida pode se tornar inegavelmente linda. Cada uma delas aparenta o mesmo que antes, e ainda assim não. Você as vê, inclusive a aparência física delas, diferentemente agora.


Atração física (e flexível) 

Você não acredita em mim? Pergunte aos pombinhos de amor de sessenta anos de idade se eles continuam “fisicamente atraídos” um pelo outro. Alguns deles estão mais atraídos do que nunca, e não é porque eles estão ganhando peso, perdendo seus cabelos, ou tendo mais dificuldades para se locomover. É porque a aparência deles, aos olhos de seus amados, é preenchida gradualmente com uma admiração que se aprofunda pela beleza no outro. Eles veem algo diferente nos olhos uns dos outros. As mãos estão enrugadas, mas familiares e seguras. As rugas são os anos de fidelidade e alegria gastos juntos. O amor deles não apenas contempla além da superfície, mas contempla a superfície com novos olhos.

Por outro lado, aquela celebridade que você acha tão sexy agora pode perder toda a atratividade dele ou dela durante a noite, literalmente em uma manchete. O rouba-coração [galã] bate em sua namorada, ou a mulher capa de revista dorme com mais três caras. Repentinamente, é mais difícil até mesmo olhar suas fotos novamente. Cada um deles aparenta o mesmo que antes, e ao mesmo tempo não. Você vê as mesmas fotos diferentemente agora – mesmo cabelo, mesmos olhos, mesma imagem – tudo subitamente não apelativo, não atrativo.

A atração física é real, mas flexível. Deus nos projetou para apreciar beleza em sua criação – para encontrar homens (para mulheres) ou mulheres (para homens) fisicamente atraentes – e isso é um elemento real e importante em nossa busca do casamento, e finalmente no nosso florescer dentro da aliança. Deus nos deu sentidos e desejos físicos para nosso bem. Mas isso é apenas uma parte do que faz alguém atraente, e não é a parte principal – nem de perto. A fé mútua em Jesus Cristo deve ser a coisa mais cativantemente atraente acerca de qualquer cônjuge em potencial.

A beleza é vã

Esta pode ser a coisa mais importante para se aprender sobre a atração física (ou sexual): aquilo em seu aspecto mais rico e completo, não é apenas, ou mesmo principalmente, físico (olhos, cabelo e imagem). “Vã é a beleza e enganosa a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor será louvada” (Provérbios 31:30). Por que Salomão precisava mesmo dizer isso? Porque a beleza e o charme (ou a formosura) físicos são naturalmente atraentes. Mas sem fé, eles estão desvanecendo, e rápido.  

Você pode olhar uma foto em um anúncio ou em um aplicativo e decidir se a aparência física de alguém é atraente para você, porém isto é semelhante a comprar uma casa baseando-se em uma foto do quintal. Muitas pessoas querem desfrutar de como a frente de suas casas aparenta, mas isso tipicamente não quebra a lista das dez ou quinze principais coisas que elas estão procurando em uma casa. Quantos quartos e banheiros? Os aparelhos domésticos foram atualizados nos últimos cinco ou dez anos? De que tipo de forma a fundação está? A faixada pode ser mais importante para algumas pessoas, mas elas provavelmente nunca foram donas de uma casa antes. O interior de uma casa – espaço, aparelhos domésticos, design interior – pode cobrir uma multidão de pecados do exterior. Mas nenhuma quantidade de tinta e criatividade no exterior pode consertar problemas sérios no interior.

Então, vamos fazer a pergunta de outra maneira. Um homem cristão deve investir em uma mulher cristã por quem ele é atraído fisicamente? Eu diria, “Não.” Isto é, se tudo o que você conhece ou gosta acerca dela é o que você vê. Eu o encorajaria a ser amigo dela e conhecê-la em maneiras seguras, não ambíguas e não flertivas (provavelmente em grupos), até que você saiba se há beleza verdadeira por trás de seu rosto e tudo o mais que qualquer um pode ver. Você tem visto o suficiente de sua fé, seu vigor espiritual e maturidade, sua semelhança com Cristo para saber se sua beleza é verdadeira e durável, ou superficial e passageira?

Melhor com a idade

Eu não encorajaria um homem a investir em uma mulher piedosa a quem ele não é atraído fisicamente, mas também não deixaria a conversa acabar aí. Eu daria a ele outras perguntas para ele responder a si mesmo. Por exemplo, se ela realmente é uma mulher piedosa, por que você pode estar mais atraído pela garota ímpia na sua aula de álgebra? Ou (para as mulheres), se ele verdadeiramente é um homem piedoso, por que você pode estar mais atraída pelo cara ímpio do seu local de trabalho?  

Como homens e mulheres piedosos, nós devemos achar a piedade incrivelmente atrativa. De fato, em nossos olhos e corações, esta deve ser a coisa mais atraente acerca da pessoa mais atraente. Isso não significa que se você é um cristão (ou cristã), você deve achar todo homem cristão (ou mulher cristã) atraente. Mas isto significa que deve haver um tema ou uma tendência em suas atrações.

Em nossos dias, parece sábio, em geral, para homens e mulheres namorarem alguém a quem eles são atraídos. E homens e mulheres cristãos devem ter os corações cultivados de modo que eles são mais atraídos pela fé e caráter do que qualquer outra coisa. O mundo ao nosso redor pregará que beleza física é tudo, mas nós conhecemos e desejamos melhor. De todas as pessoas no mundo, nós devemos ser os mais livres da escravidão a aparências físicas e à excitação sexual. Nossos olhos devem cada vez mais ser atraídos pela modéstia, não pela indecência

Conforme nós assumimos os olhos e o coração de Cristo, nós devemos cada vez mais ser aptos a ver através de todas as aparências temporárias e passageiras para as coisas que são verdadeiramente belas – as qualidades no outro que imitam Jesus e antecipam o céu. As qualidades que melhoram com a idade.

Minha esperança para os homens

Qual a minha esperança para homens cristãos? “E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento, para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros, e sem escândalo algum até ao dia de Cristo; cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus” (Filipenses 1:9-11).

Desejo que nossos homens (e mulheres) sejam conhecidos por reconhecer e aprovar o que é verdadeiramente excelente e belo, que haja uma pureza incomum e durável em nossas buscas pelo casamento. Que coisa maravilhosa seria se o mundo ficasse confuso hoje pelo seu interesse em uma mulher cristã que eles acham menos fisicamente atraente, apenas para isso ter que fazer todo o sentido vinte e cinco anos depois quando vocês estão alegremente casados (e mais atraídos pelo outro do que nunca) – e eles estão há cinco meses no quinto casamento deles.

Se você é um cristão, e você não é atraído à piedade conforme você gostaria que fosse, ou se você se sente obcecado por beleza física, o que você deve fazer? Confesse isso a um irmão. Traga alguém para peneirar estes desejos com você, alguém que possa ajudá-lo a aplicar o evangelho com graça e verdade. E então comece a procurar por evidências de graça em uma mulher piedosa.

É fácil notar características físicas – quase todo homem no mundo é capaz disso – mas discipline a si mesmo para notar e apreciar verdadeira beleza, a qual não é ostentada, mas escondida no coração de uma mulher e expressa em coisas como paciência, bondade e altruísmo. Diga uma oração de gratidão pelo que você vê em mulheres assim, e então compartilhe isso com seu amigo. Abandone as conversas mundanas e rudes de vestiário da sua mente, pelo louvor da verdadeira e duradoura beleza com humildade e respeito.


Aprenda a transitoriedade (vaidade) da aparência física (por si mesma) e as mentiras enlaçadoras do charme flertivo e da lisonja, e treine seu coração e mente para louvar e desejar a mulher cujo coração é ardente por Jesus.